quinta-feira, 30 de maio de 2013
Eurípedes Barsanulfo
Nasceu em Sacramento (MG), em 01 de maio de 1880, foi o terceiro filho de quinze, do casal Hermógenes Ernesto de Araújo e Jerônima Pereira de Almeida.
Teve uma vida marcada pela prática do bem, da verdade, da justiça, da lógica e da ordem. Foi um missionário que se impôs de maneira fulgurante, fez reviver, nas terras sacramentanas, os passos de Jesus nos caminhos da humildade, do perdão e do amor.
O nome de Eurípedes está profundamente ligado à história educacional de Sacramento de 1889 a 1918, participando com sua extraordinária vocação pedagógica.
Era muito religioso, desde pequeno ajudava a missa como "coroinha", também era membro da irmandade São Vicente de Paulo. Porém, após contato com o Espiritismo não conseguia mais esconder o abalo que sofrera em suas convicções católicas e fora orientado pelo mentor espiritual Vicente de Paulo, o apóstolo da caridade, para que abandonasse o cargo na congregação vicentina e afastasse de vez da Igreja, criasse uma instituição calcada nos ensinamentos básicos de Jesus, porque o Senhor oferece um campo mais amplo de serviço e amor ao próximo.
Em 27 de janeiro de 1905 cria o Grupo Espírita Esperança e Caridade, na sua própria residência onde desenvolveu um dos mais luminosos mandatos mediúnicos, que o mundo já conheceu, sempre oportunamente dinamizados no caminho do bem.
Em 31 de janeiro de 1907 fundou o Colégio Allan Kardec, sob a égide da sublime mãe de Jesus. Tem início a maior campanha educacional de Sacramento. Eurípedes incluiu no currículo escolar matérias como Astronomia e Fundamentos da Doutrina Espírita.
Por essa época, Bezerra de Meneses, numa mensagem solicita a Eurípedes, que morava no Colégio, que volte para o lar paterno a fim de iniciar a tarefa da farmácia, no que foi prontamente atendido pelo missionário sacramentano.
Atuou como homem público de 1907 a 1912 investido no mandato de Vereador, Eurípedes ocupou os cargos de membro das Comissões de Legislação e Finanças, de Obras Públicas e Instrução Pública.
Nesse período a cidade recebeu as seguintes construções: uma usina hidrelétrica para 400 KW; uma ferrovia de 13 km, à tração elétrica; a canalização da água; o cemitério; o matadouro e outros foi um momento de grande crescimento para Sacramento.
Famoso ficou o caso do embate entre o Padre Feliciano Iague, pregador de Campinas, levado a Sacramento e Eurípedes Barsanulfo que defendeu a Doutrina das seguintes acusações:
1) O Espiritismo é o ateísmo;
Defesa - O Ateísmo nega Deus. O Espiritismo o afirma. Logo, o Espiritismo não é ateísmo. O Espiritismo não contradiz o Cristo, este afirma por palavras e fatos a pluraridades das existências, hoje verificada cientificamente... Ora, a reencarnação, "o tornar a nascer" exclui o inferno pagão, vulgarizado pela Igreja Católica e outras. Logo, o Cristo, ensinando o "nascer de novo" não afirmou, nem poderia tê-lo afirmado, o lugar para onde se entrando, de lá não mais se sai. Não podia ensinar ou afirmar o inferno, como compreende a Igreja, porque mantido o critério da negação de um atributo divino, negado está Deus, a mansão de penas eternas é a mais formal negação da justiça, do amor, da sabedoria divinos; do que se conclui: existindo o inferno, não existe Deus: existindo Deus, não existe o inferno.
2) Os fatos preternaturais do Espiritismo não se podem explicar sem a intervenção diabólica;
3) O Espiritismo não é religião;
4) O Espiritismo não é ciência.
Eurípedes foi brilhante na defesa da Doutrina, após a palavra serena, cheia de amor, este encaminho-se para o reverendo e abraçou-o, num gesto de envolvente fraternismo. Populares exaltados carregaram-no em triunfo pelas ruas de Sacramento, apesar de seu íntimo constrangimento, inspirado na humildade de Missionário do Cristo.
O calendário marcava 25 de abril de 1918 quando Eurípedes em transe sonambúlico de meia hora teve pela segunda vez a certeza que sua missão, nesta encarnação, estava chegando ao fim.
No dia 22 de outubro, achava-se Eurípedes junto aos auxiliares, no atendimento ao receituário e à expedição dos mesmos. Em meio ao trabalho, dirige-se aos companheiros nestes termos:
- Vai desencarnar uma pessoa em Sacramento, que terá um féretro concorridíssimo. Muitas Flores e um número incalculável de coroas. Todas as pessoas, participantes do cortejo fúnebre levam flores. E como choram! Lágrimas... muitas lágrimas...
Nessa época Sacramento é atacada pela "gripe espanhola" que se alastrou assustadoramente pela cidade e localidades vizinhas, impondo a Eurípedes e a seus dedicados colaboradores, um acervo de trabalhos jamais alcançado. Acometido pela doença nefasta, Eurípedes não descansa no atendimento aos enfermos, que são muitos.
Eurípedes liberta-se dos laços fluídicos que o traziam preso ao corpo carnal às 5:30h do dia 01 de novembro de 1918 e seu corpo foi enterrado às 17h daquele mesmo dia em concorridíssimo cortejo fúnebre, molhado por uma chuva fina, como se a natureza chorasse a dor da separação do filho querido que partira para continuar sua caminhada em outras moradas.
Fonte: http://www.autoresespiritasclassicos.com
Emmanuel
O nome ficou mais conhecido, entre os espíritas brasileiros, pela psicografia do médium mineiro Francisco Cândido Xavier. Segundo ele, foi no ano de 1931 que, pela primeira vez, numa das reuniões habituais do Centro Espírita, se fez presente o bondoso espírito Emmanuel.
Descreve Chico: "Via-lhe os traços fisionômicos de homem idoso, sentindo minha alma envolvida na suavidade de sua presença, mas o que mais me impressionava era que a generosa entidade se fazia visível para mim, dentro de reflexos luminosos que tinham a forma de uma cruz."
Convidado a se identificar, apresentou alguns traços de suas vidas anteriores, dizendo-se ter sido senador romano, descendente da orgulhosa "gens Cornelia" e, também sacerdote, tendo vivido inclusive no Brasil.
De 24 de outubro de 1938 a 9 de fevereiro de 1939, Emmanuel transmitiu ao médium mineiro as suas impressões, dando-nos a conhecer o orgulhoso patrício romano Públio Lentulus Cornelius, em vida pregressa Públio Lentulus Sura, e que culminou no romance extraordinário: Há dois mil anos.
Públio é o homem orgulhoso, mas também nobre. Roma é o seu mundo e por ele batalha. Não admite a corrupção, mostrando, desde então, o seu caráter íntegro. Intransigente, sofre durante anos, a suspeita de ter sido traído pela esposa a quem ama. Para ela, nos anos da mocidade, compusera os mais belos versos: "Alma gêmea da minhalma/ Flor de luz da minha vida/ Sublime estrela caída/ Das belezas da amplidão..." e, mais adiante: "És meu tesouro infinito/ Juro-te eterna aliança/ Porque eu sou tua esperança/ Como és todo o meu amor!"
Tem a oportunidade de se encontrar pessoalmente com Jesus, mas entre a opção de ser servo de Jesus ou servo do mundo, escolhe a segunda.
Não é por outro motivo que escreve, ao início da citada obra mediúnica: "Para mim essas recordações têm sido muito suaves, mas também muito amargas. Suaves pela rememoração das lembranças amigas, mas profundamente dolorosas, considerando o meu coração empedernido, que não soube aproveitar o minuto radioso que soara no relógio da minha vida de Espírita, há dois mil anos."
Desencarnou em Pompéia, no ano de 79, vítima das lavas do vulcão Vesúvio, cego e já voltado aos princípios de Jesus.
Cinquenta anos depois, no ano de 131, ei-lo já de retorno ao palco do mundo. Nascido em Éfeso, de origem judia, foi escravizado por ilustres romanos que o conduziram ao antigo país de seus ascendentes. Nos seus 45 anos presumíveis, Nestório mostra no porte israelita, um orgulho silencioso e inconformado. Apartado do filho, que também fora escravizado, tornaria a encontrá-lo durante uma pregação nas catacumbas onde ele, Nestório, tinha a responsabilidade da palavra. Cristão desde os dias da infância, é preso e, após um período no cárcere, por manter-se fiel a Jesus, é condenado à morte.
Junto com o filho, Ciro, e mais uma vintena de cristãos, num fim de tarde, foi conduzido ao centro da arena do famoso circo romano, situado entre as colinas do Célio e do Aventino, na capital do Império. Atado a um poste por grossas cordas presas por elos de bronze, esquelético, munido somente de uma tanga que lhe cobria a cintura, até os rins, teve o corpo varado por flechas envenenadas. Com os demais, ante o martírio, canta, dirigindo os olhos para o Céu e, no mundo espiritual, é recebido pelo seu amor, Lívia.
Pelo ano 217, peregrina na Terra outra vez. Moço, podemos encontrá-lo nas vestes de Quinto Varro, patrício romano, apaixonado cultor dos ideais de liberdade.
Afervorado a Jesus, sente confranger-lhe a alma a ignorância e a miséria com que as classes privilegiadas de Roma mantinham a multidão.
O pensamento do Cristo, ele sente, paira acima da Terra e, por mais lute a aristocracia romana, Varro não ignora que um mundo novo se formava sobre as ruínas do velho.
Vítima de uma conspiração para matá-lo, durante uma viagem marítima, toma a identidade de um velho pregador de Lyon, de nome Corvino. Transforma-se em Irmão Corvino, o moço e se torna jardineiro. Condenado à decapitação, tem sua execução sustada após o terceiro golpe, sendo-lhe concedida a morte lenta, no cárcere.
Onze anos após, renasce e toma o nome de Quinto Celso. Desde a meninice, iniciado na arte da leitura, revela-se um prodígio de memória e discernimento.
Francamente cristão, sofreu o martírio no circo, amarrado a um poste untado com substância resinosa ao qual é ateado fogo. Era um adolescente de mais ou menos 14 anos.
Sua derradeira reencarnação se deu a 18 de outubro de 1517 em Sanfins, Entre-Douro-e-Minho, em Portugal, com o nome de Manoel da Nóbrega, ao tempo do reinado de D. Manoel I, o Venturoso.
Inteligência privilegiada, ingressou na Universidade de Salamanca, Espanha, aos 17 anos. Aos 21, está na faculdade de Cânones da Universidade, onde freqüenta as aulas de direito canônico e de filosofia, recebendo a láurea doutoral em 14 de junho de 1541.
Vindo ao Brasil, foi ele quem estudou e escolheu o local para a fundação da cidade de São Paulo, a 25 de janeiro de 1554. A data escolhida, tida como o dia da Conversão do apóstolo Paulo, pretende-se seja uma homenagem do universitário Manoel da Nóbrega ao universitário Paulo de Tarso.
O historiador paulista Tito Lívio Ferreira, encerra sua obra "Nóbrega e Anchieta em São Paulo de Piratininga" descrevendo: "Padre Manoel da Nóbrega fundara o Colégio do Rio de Janeiro. Dirige-o com o entusiasmo de sempre. Aos 16 de outubro de 1570, visita amigos e principais moradores. Despede-se de todos, porque está, informa, de partida para a sua Pátria. Os amigos estranham-lhe os gestos. Perguntam-lhe para onde vai. Ele aponta para o Céu.
No dia seguinte, já não se levanta. Recebe a Extrema Unção. Na manhã de 18 de outubro de 1570, no próprio dia de seu aniversário, quando completava 53 anos, com 21 anos ininterruptos de serviços ao Brasil, cujos alicerces construiu, morre o fundador de São Paulo.
E as últimas palavras de Manoel da Nóbrega são: `Eu vos dou graças, meu Deus, Fortaleza minha, Refúgio meu, que marcastes de antemão este dia para a minha morte, e me destes a perseverança na minha religião até esta hora.'
E morreu sem saber que havia sido nomeado, pela segunda vez, Provincial da Companhia de Jesus no Brasil: a terra de sua vida, paixão e morte."
A título de curiosidade, encontramos registros que o deputado Freitas Nobre, já desencarnado na atualidade, declarou, em programa televisivo da TV Tupi de São Paulo), na noite de 27 para 28 de julho de 1971, que ao escrever um livro sobre Anchieta, teve a oportunidade de encontrar e fotografar uma assinatura de Manuel da Nóbrega, como E. Manuel.
Assim, o E inicial do nome do mentor de Francisco Cândido Xavier se deveria à abreviatura de Ermano, o que, segundo ele, autorizaria a que o nome fosse grafado Emanuel, um "m" somente e pronunciado com acentuação oxítona.
Fonte: http://autoresespiritasclassicos.com
Amor e Ódio - Clube do Livro Junho 2013
Prezado amigo, compartilhamos a apresentação do resumo do grupo, realizada no Encontro do dia 26 de junho de 2013. Os créditos das imagens são da Internet e as músicas são de Chopin, Debussy, Albinoni, Beethoven e Schubert
Reunião do Clube do Livro Espírita
terça-feira, 21 de maio de 2013
SE TENS FÉ
Em doutrina espírita, fé representa dever de raciocinar com responsabilidade de viver.
Desse modo, não te restrinjas à confiança inerte, porque a existência em toda parte nos honra, a cada um, com a obrigação de servir.
Se tens fé, não permitirás que os eventos humanos te desmantelem a fortaleza do coração.
Transitarás no mundo, sabendo que o Divino Equilíbrio permanece vigilante e, mesmo que os homens transformem o lar terrestre em campo de lodo e sangue, não ignoras que a Infinita Bondade converterá um e outro em solo adubado para que a vida refloresça e prossiga em triunfo.
Se tens fé não registrarás os golpes da incompreensão alheia, porquanto identificarás a ignorância por miséria extrema do espírito e educarás generosamente a boca que injuria e a mão que apedreja.
Ainda que os mais amados te releguem à solidão, avançarás para a frente, entendendo e ajudando, na certeza de que o trabalho te envolverá o sentimento em nova luz de esperança e consolação.
Se tens fé, não te limitarás a dizê-la simplesmente, qual se a oração sem as boas obras te outorgasse direitos e privilégios inadmissíveis na Justiça de Deus, mas, sim, caminharás realizando a vontade do Criador, que é sempre o bem para todas as criaturas.
Se tens fé, sustentarás, sobretudo, o esforço diário do próprio burilamento, através das pequeninas e difíceis vitórias sobre a natureza inferior, como sendo o mais alto serviço que podes prestar aos outros, de vez que aperfeiçoando a nós mesmos, estaremos habilitando a consciência para refletir, com segurança, o amor e a sabedoria da Lei.
Do livro: Espírito da Verdade, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier - Waldo Vieira, FEB.
AÇÃO DA PRECE - ESE
TRANSMISSÃO DO PENSAMENTO
(O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XXVII – item 12 a 17 - Allan Kardec)
12. Se em duas partes se dividirem os males da vida, uma constituída dos que o homem não pode evitar e a outra das tribulações de que ele se constituiu a causa primária, pela sua incúria ou por seus excessos (cap. V, nº 4), ver-se-á que a segunda, em quantidade, excede de muito à primeira. Faz-se, portanto, evidente que o homem é o autor da maior parte das suas aflições, às quais se pouparia, se sempre obrasse com sabedoria e prudência.
Não menos certo é que todas essas misérias resultam das nossas infrações às leis de Deus e que, se as observássemos pontualmente, seríamos inteiramente ditosos. Se não ultrapassássemos o limite do necessário, na satisfação das nossas necessidades, não apanharíamos as enfermidades que resultam dos excessos, nem experimentaríamos as vicissitudes que as doenças acarretam. Se puséssemos freio à nossa ambição, não teríamos de temer a ruína; se não quiséssemos subir mais alto do que podemos, não teríamos de recear a queda; se fôssemos humildes, não sofreríamos as decepções do orgulho abatido; se praticássemos a lei de caridade, não seríamos maldizentes, nem invejosos, nem ciosos, e evitaríamos as disputas e dissensões; se mal a ninguém fizéssemos, não houvéramos de temer as vinganças, etc.
Admitamos que o homem nada possa com relação aos outros males; que toda prece lhe seja inútil para livrar-se deles; já não seria muito o ter a possibilidade de ficar isento de todos os que decorrem da sua maneira de proceder? Ora, aqui, facilmente se concebe a ação da prece, visto ter por efeito atrair a salutar inspiração dos Espíritos bons, granjear deles força para resistir aos maus pensamentos, cuja realização nos pode ser funesta. Nesse caso, o que eles fazem não é afastar de nós o mal, porém, sim, desviar-nos a nós do mau pensamento que nos pode causar dano; eles em nada obstam ao cumprimento dos decretos de Deus, nem suspendem o curso das leis da Natureza; apenas evitam que as infrinjamos, dirigindo o nosso livre-arbítrio. Agem, contudo, à nossa revelia, de maneira imperceptível, para nos não subjugar a vontade.
O homem se acha então na posição de um que solicita bons conselhos e os põe em prática, mas conservando a liberdade de segui-los, ou não. Quer Deus que seja assim, para que aquele tenha a responsabilidade dos seus atos e o mérito da escolha entre o bem e o mal. É isso o que o homem pode estar sempre certo de receber, se o pedir com fervor, sendo, pois, a isso que se podem, sobretudo aplicar estas palavras: “Pedi e obtereis”.
Mesmo com sua eficácia reduzida a essas proporções, já não traria a prece resultados imensos? Ao Espiritismo fora reservado provar-nos a sua ação, com o nos revelar as relações existentes entre o mundo corpóreo e o mundo espiritual. Os efeitos da prece, porém, não se limitam aos que vimos de apontar. Recomendam-na todos os Espíritos. Renunciar alguém à prece é negar a bondade de Deus; é recusar, para si, a sua assistência e, para com os outros, abrir mão do bem que lhes pode fazer.
13. Acedendo ao pedido que se lhe faz, Deus muitas vezes objetiva recompensar a intenção, o devotamento e a fé daquele que ora. Daí decorre que a prece do homem de bem tem mais merecimento aos olhos de Deus e sempre mais eficácia, porquanto o homem vicioso e mau não pode orar com o fervor e a confiança que somente nascem do sentimento da verdadeira piedade. Do coração do egoísta, do daquele que apenas de lábios ora, unicamente saem palavras, nunca os ímpetos de caridade que dão à prece todo o seu poder. Tão claramente isso se compreende que, por um movimento instintivo, quem se quer recomendar às preces de outrem fá-lo de preferência às daqueles cujo proceder, sente-se, há de ser mais agradável a Deus, pois que são mais prontamente ouvidos.
14. Por exercer a prece uma como ação magnética, poder-se-ia supor que o seu efeito depende da força fluídica. Assim, entretanto, não é. Exercendo sobre os homens essa ação, os Espíritos, em sendo preciso, suprem a insuficiência daquele que ora, ou agindo diretamente em seu nome, ou dando-lhe momentaneamente uma força excepcional, quando o julgam digno dessa graça, ou que ela lhe pode ser proveitosa.
O homem que não se considere suficientemente bom para exercer salutar influência, não deve por isso abster-se de orar a bem de outrem, com a ideia de que não é digno de ser escutado. A consciência da sua inferioridade constitui uma prova de humildade, grata sempre a Deus, que leva em conta a intenção caridosa que o anima. Seu fervor e sua confiança são um primeiro passo para a sua conversão ao bem, conversão que os Espíritos bons se sentem ditosos em incentivar.
Repelida só o é a prece do orgulhoso que deposita fé no seu poder e nos seus merecimentos e acredita ser-lhe possível sobrepor-se à vontade do Eterno.
15. Está no pensamento o poder da prece, que por nada depende nem das palavras, nem do lugar, nem do momento em que seja feita. Pode-se, portanto, orar em toda parte e a qualquer hora, a sós ou em comum. A influência do lugar ou do tempo só se faz sentir nas circunstâncias que favoreçam o recolhimento. A prece em comum tem ação mais poderosa, quando todos os que oram se associam de coração a um mesmo pensamento e colimam o mesmo objetivo, porquanto é como se muitos clamassem juntos e em uníssono. Mas, que importa seja grande o número de pessoas reunidas para orar, se cada uma atua isoladamente e por conta própria?! Cem pessoas juntas podem orar como egoístas, enquanto duas ou três, ligadas por uma mesma aspiração, orarão quais verdadeiros irmãos em Deus, e mais força terá a prece que lhe dirijam do que a das cem outras. (Cap. XXVIII nos 4 e 5.)
Preces Inteligíveis
16. Se eu não entender o que significam as palavras, serei um bárbaro para aquele a quem falo e aquele que me fala será para mim um bárbaro.
– Se oro numa língua que não entendo, meu coração ora, mas a minha inteligência não colhe fruto. – Se louvais a Deus apenas de coração, como é que um homem do número daqueles que só entendem a sua própria língua responderá amém no fim da vossa ação de graças, uma vez que ele não entende o que dizeis? – Não é que a vossa ação não seja boa, mas os outros não se edificam com ela.
(S. PAULO, 1ª aos Coríntios, 14:11, 14, 16 e 17.)
17. A prece só tem valor pelo pensamento que lhe está conjugado. Ora, é impossível conjugar um pensamento qualquer ao que se não compreende, porquanto o que não se compreende não pode tocar o coração. Para a imensa maioria das criaturas, as preces feitas numa língua que elas não entendem não passam de amálgamas de palavras que nada dizem ao espírito. Para que a prece toque, preciso se torna que cada palavra desperte uma ideia e, desde que não seja entendida, nenhuma ideia poderá despertar. Será dita como simples fórmula, cuja virtude dependerá do maior ou menor número de vezes que a repitam. Muitos oram por dever; alguns, mesmos, por obediência aos usos, pelo que se julgam quites, desde que tenham dito uma oração determinado número de vezes e em tal ou tal ordem. Deus vê o que se passa no fundo dos corações; lê o pensamento e percebe a sinceridade. Julgá-lo, pois, mais sensível à forma do que ao fundo é rebaixá-lo. (Cap. XXVIII, nº 2.)
Fonte: http://www.lardetereza.org.br/repu.htm
Divaldo Perreira Franco
É, há quase sessenta anos, um importante orador e escritor espírita, com mais de cinqüenta anos devotados à mediunidade, e mais de quarenta dedicados a cuidar dos meninos de rua de Salvador, na Bahia. Para este último fim fundou, em 15 de agosto de 1952, junto com Nilson de Souza Pereira, a casa de assistência Mansão do Caminho, responsável pela orientação e educação de mais de 33 mil crianças e adolescentes carentes.
PRIMEIROS ANOS
Divaldo cursou a Escola Normal Rural de Feira de Santana, onde recebeu o diploma de Professor Primário em 1943. Desde a infância relata comunicar-se com os espíritos.
Quando jovem, foi abalado pela morte de seus dois irmãos mais velhos, o que o deixou traumatizado e enfermo, sendo conduzido a diversos especialistas, na área da Medicina, sem, contudo, lograr qualquer resultado satisfatório. Nessa época conheceu a Sra. Ana Ribeiro Borges, que o conduziu à Doutrina Espírita, o que o teria libertado do trauma e trazido consolações, tanto para ele como para toda a sua família. Divaldo dedicou-se, então, ao estudo do Espiritismo, ao tempo em que foi aprimorando suas faculdades mediúnicas, pelo correto exercício e continuado estudo do Espiritismo.
Transferiu residência para Salvador no ano de 1945, tendo feito concurso para o Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado (IPASE), onde ingressou a 5 de Dezembro de 1945, como escriturário, permanecendo como funcionário daquele Instituto até sua aposentadoria, na década de 70.
Já espírita convicto, fundou o Centro Espírita Caminho da Redenção (CECR), em 7 de Setembro de 1947.
Em A Veneranda Joanna de Ângelis (Salvador: LEAL, 1987), escrito por Divaldo e Celeste Santos, constam biografias do médium baiano e de sua mentora espiritual, Joanna de Ângelis, bem como informações sobre o trabalho educacional e assistencial desenvolvido pela Mansão do Caminho, além de entrevistas com Divaldo e relatos sobre supostas reencarnações de Joanna de Ângelis.
ATIVIDADES COMO MÉDIUM PSICÓGRAFO
Divaldo apresentou, desde jovem, diversas faculdades mediúnicas. Destaca-se, dentre elas, no entanto, a psicografia.
É um médium de excelentes recursos medianímicos (tanto de efeitos físicos quanto de efeitos intelectuais) - psicofonia, vidência, clariaudiência, psicografia, etc. -, educados à luz da Doutrina codificada pelo sábio de Lion.
Inicialmente, diversas mensagens foram escritas pelo seu intermédio, sob a orientação dos benfeitores espirituais, até que um dia, ele recebeu a recomendação para que fosse queimado o que escrevera até ali, pois não passavam de simples exercícios.
Com a continuação, vieram novas mensagens assinadas por diversos espíritos, dentre eles, Joanna de Ângelis, que durante muito tempo apresentava-se como "um Espírito Amigo", ocultando-se no anonimato, à espera do instante oportuno para se fazer conhecida. Joanna revelou-se como sua orientadora espiritual, escrevendo inúmeras mensagens, num estilo agradável, repassado de profunda sabedoria e infinito amor, que conforta aos mais diversos leitores e necessitados de diretriz espiritual.
Em 1964, Joanna de Ângelis selecionou várias das mensagens de sua autoria e enfeixou-as num livro, que recebeu o sugestivo título de Messe de Amor. Foi o primeiro livro que o médium publicou. Logo em seguida, Rabindranath Tagore ditou Filigranas de Luz. O que se seguiu constitui-se hoje em um verdadeiro fenômeno editorial, pois, em 31 anos de atividade como médium, teve publicado 240 títulos, totalizando mais de quatro milhões e quinhentos mil exemplares, muitos deles ocupando lugar de destaque na literatura, no pensamento e na religiosidade universal. Dessas obras, houve 80 versões para 15 idiomas (alemão, castelhano, esperanto, francês, italiano, polonês, tcheco, braille e outros). Os livros englobam uma grande variedade de estudos literários, como prosa, romances, narrações e etc., abrangendo temas filosóficos, doutrinários, históricos, infantis, psicológicos e psiquiátricos.
Os livros possuem uma grande variedade de estilos literários, como: prosas, crônicas, contos, ensaios, romances, narrações etc., abrangendo temas filosóficos, doutrinários, históricos, infantis, sociológicos psicológicos e psiquiátricos.
Nessas obras psicografadas, apresentam-se 211 alegados autores espirituais, além de Joanna de Ângelis, entre eles, Manoel Philomeno de Miranda, Victor Hugo, Amélia Rodrigues, Ignotus, Vianna de Carvalho, Carlos Torres Pastorino, Bezerra de Menezes, Rabindranath Tagore, João Cléofas, Eros e Simbá.
PSICOGRAFIAS DE JOANNA DE ÂNGELIS
Por meio das obras de Joanna de Ângelis, Divaldo pôde alcançar o reconhecimento não apenas entre os religiosos e espiritualistas, mas também em outras linhas de conhecimento, como a psicologia e a parapsicologia. Isso se deu principalmente em função dos livros publicados na Série Psicológica, onde tratou dos malefícios das fugas da realidade e enfatizou a importância do auto conhecimento e auto-enfrentamento.
A Série Psicológica foi escrita à luz dos pensamentos de Allan Kardec e de pesquisadores da psique humana, a exemplo de Carl Jung. Na referida série se encontram duas obras voltadas à psicologia transpessoal: Autodescobrimento (1995) e Triunfo Pessoal (2002).
A maioria das obras escritas por Divaldo Franco sob inspiração de Joanna de Ângelis almeja incentivar o autodescobrimento e facilitar a aplicação no dia-a-dia dos ensinamentos morais de amor fraterno contidos nos Evangelhos e na Doutrina Espírita, incentivando o leitor a enfrentar as dificuldades cotidianas de modo mais prático e otimista.
Grande parte das obras ditadas a Divaldo por Joanna de Ângelis foi publicada pela Editora LEAL, de Salvador (BA). Um dos mais recentes lançamentos de Joanna de Ângelis chama-se Conflitos Existenciais (LEAL, 2005), obra que analisa os principais conflitos do ser humano, as suas causas, origens e formas de terapia - inclusive, estuda as tentativas atuais de se preencherem os vazios existenciais, a exemplo de relacionamentos efêmeros por meio da Internet.
ATIVIDADES COMO ORADOR
Como orador, Divaldo começou a fazer palestras em 1947, difundindo a Doutrina Espírita e hoje apresenta uma histórica e recordista trajetória no Brasil e no exterior, sempre atraindo multidões, com sua palavra inspirada e esclarecedora, acerca de diferentes temas sobre os problemas humanos e espirituais. Há vários anos, viaja em média 230 dias por ano, realizando palestras e também seminários no Brasil e no mundo. Em um levantamento preliminar suas atividades no exterior foram:
Mais de 10 mil conferências proferidas no Brasil e no exterior.
* Américas: Esteve em 18 países, em mais de 119 cidades, onde realizou mais de 1.000 palestras, concedeu mais de 180 entrevistas de rádio e TV para cerca de 113 emissoras, inclusive por 3 vezes na Voz da América, a maior cadeia de rádio do continente. Recebeu cerca de 50 homenagens de vários países, destacando-se o honorífico título de Doutor Honoris Causa em Humanidades, concedido pela Universidade de Concórdia em Montreal, no Canadá, em 1991. Por 3 vezes fez palestras na ONU, no departamento de Washington e fez conferências em mais de 12 universidades do continente.
* Europa: Esteve em mais de 20 países, em mais de 80 cidades, onde realizou mais de 500 palestras, concedeu mais de 50 entrevistas de rádio e TV para cerca de 40 emissoras, tendo recebido homenagens de vários países; fez conferência em cerca de 10 universidades européias e, por 2 vezes, na ONU, departamento de Viena.
* África: Esteve em mais de 5 países, em 25 cidades, realizando 150 palestras, concedeu mais de 12 entrevistas de rádio e TV, em 11 emissoras; recebeu 4 homenagens.
* Ásia: Esteve em mais de 5 países, em 10 cidades, realizando mais de 12 palestras.
Em 31 de agosto de 2000 participou, a convite da ONU, do Primeiro Encontro Mundial da Paz, reunião de cúpula com líderes religiosos de expressão internacional para se discutir e formular proposta de paz.
É considerado um dos maiores divulgadores do espiritismo no Brasil e no exterior. Na península ibérica se destacou pela assistência ao movimento espírita português e espanhol durante a ditadura fascista de ambos os países.
Suas palestras promovem o pacifismo, comparam a doutrina espírita com correntes filosóficas niilistas, hedonistas e orientais, estabelecem pontos de convergência entre a doutrina espírita e a ciência (principalmente a psicologia) e incentivam a busca constante pelo autoconhecimento, ancorada em conhecimentos sobre psicologia e doutrina espírita.
Divaldo Franco já foi homenageado por várias centenas de instituições públicas e privadas, tanto no Brasil como no exterior, pela sua obra em favor dos desfavorecidos e sofredores, e pela paz que tem trazido às consciências.
Desde 2007 existe no site da Mansão do Caminho o programa de entrevistas Encontro com Divaldo.
MANSÃO DO CAMINHO
Divaldo, desde jovem, teve vontade de cuidar de crianças. Educou mais de 600 "filhos", hoje emancipados, a maioria com família constituída e a própria profissão, no magistério, contabilidade, serviços administrativos e até medicina, tem 200 "netos". Na década de 60 iniciou a construção de escolas-oficinas profissionalizantes e de atendimento médico. Hoje a Mansão do Caminho é um admirável complexo educacional que atende a 3.000 crianças e jovens carentes, na Rua Jaime Vieira Lima, 01 – Pau de Lima, um dos bairros periféricos mais carentes de Salvador; tem 83.000 metros e 43 edificações. A obra é basicamente mantida com a venda de livros mediúnicos e das fitas gravadas nas palestras.
O Centro Espírita Caminho da Redenção administra, dentre outros, os seguintes órgãos assistenciais:
* Mansão do Caminho (semi-internato para crianças e jovens carentes), fundado em 15 de agosto de 1952;
* A Manjedoura (creche para crianças carentes de 2 meses a 3 anos de idade);
* Escola Jesus Cristo (ensino fundamental), fundada em março de 1950;
* Escola Allan Kardec (ensino fundamental), fundada em 1965;
* Escola de Informática;
* Escola de Educação Infantil Alvorada Nova, fundada em fevereiro de 1971 com o nome de Esperança;
* Escola de Evangelização (ensino espírita para público infantil);
* Juventude Espírita Nina Arueira (ensino espírita para público jovem);
* Caravana Auta de Souza (auxilia idosos e pessoas inválidas portadoras de doenças irrecuperáveis e degenerativas);
* Casa de Assistência Lourdes Saad (distribuição diária de sopa e pão);
* Casa da Cordialidade (assiste a famílias carentes);
* Centro de Saúde J. Carneiro de Campos;
* Evangelização Nise Moacyr (evangelização de crianças);
* Juventude Espírita Nina Arueira (evangelização de jovens);
* Grupo Lygia Banhos (esclarecimento e consolo a comunidades carentes);
* Livraria Espírita Alvorada (editora e gráfica).
Divaldo Franco é um ser integral, de convivência singular, de conversa agradável, simples e alegre. Sempre de bom humor e com palavras confortadoras.
Fonte: http://autoresespiritasclassicos.com
Os Passes
Compreendendo a gravidade do ministério e instrumentalizando-se moral e espiritualmente, o passista deve alterar completamente a conduta mental e comportamental anterior, a fim de enriquecer-se de forças psíquicas e bioenergéticas para melhor transmiti-las.
A superação dos hábitos viciosos, o desencharcamento dos tóxicos fluídicos inferiores, dos pensamentos vulgares e insanos, do tabaco, do álcool e de outras drogas químicas aditivas, energizam o devotado obreiro da saúde física e espiritual que, munido dos tesouros do amor e da oração, se coloca a serviço dos Espíritos superiores para tornar a vida humana melhor e mais rica de saúde e de paz.
Concomitantemente, cabe-lhe instruir o paciente com informações claras e enérgicas, que o auxiliem a não retornar aos comprometimentos anteriores a que se entregava, para que não lhe aconteça nada pior, conforme advertia Jesus.
A terapia pelos passes, destituída de gestual cabalístico ou de propostas sugestivas, supersticiosas, deve infundir ânimo e despertar reflexão naqueles que lhe recorrem ao processo de recuperação.
Por meio de uma sintonia harmônica com as Esferas espirituais elevadas, agente e paciente da terapia pelos passes conseguirão harmonia interior, saúde e paz, mesmo quando por ocasião dos momentos difíceis do testemunho e das provações.
Ao alcance de todos quantos desejem renovação, os passes deverão servir de procedimento de emergência antes de serem tomadas outras providências, assim constituindo notável contributo de sustentação para as atitudes posteriores a serem utilizadas. Através dos passes, da transmissão de forças vivas, canalizadas para os enfermos de ambos os planos da Vida, os Espíritos perversos e alucinados igualmente se beneficiam e podem ser deslocados dos seus hospedeiros, ensejando a recuperação moral da vítima e o esclarecimento do algoz.
Nos transtornos, portanto, obsessivos, os passes são de salutar resultado, propiciando a renovação do campo vibratório do enfermo e alterando a indução perturbadora que é imposta pelo hóspede indesejado, mas portador de grande energia deletéria. Face aos problemas perturbadores nas áreas da saúde e da conduta, os passes constituem precioso recurso terapêutico que deve ser buscado, a fim de que ocorra a instalação do bem e da alegria de viver em todas as criaturas.
Allan Kardec, na sabedoria que o caracterizava, denominou esses psicoterapeutas que se dedicavam aos passes como médiuns curadores, responsáveis, portanto, pelo ministério do restabelecimento do equilíbrio orgânico, emocional e psíquico dos seus pacientes.
Manoel Philomeno de Miranda
(Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, na sessão mediúnica do dia 29 de agosto de 2001, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.)
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