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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Cientistas mapeiam a atividade cerebral de médiuns

Pesquisadores examinaram o cérebro de médiuns brasileiros e descobriram que áreas ligadas à linguagem tiveram atividade abaixo do esperado, o que poderia mostrar um estado de falta de foco e de perda da autoconsciência


Os médiuns mais experientes apresentaram redução na atividade de determinadas áreas do cérebro (iStockphoto)

A atividade cerebral em determinadas partes do cérebro dos médiuns diminui nas sessões de psicografia, revela um artigo científico publicado nesta sexta-feira na revista PLOS ONE. Realizado por pesquisadores da Universidade Thomas Jefferson, nos Estados Unidos, e da Universidade de São Paulo (USP), o estudo mapeou, por meio de tomografias, os cérebros de uma dezena de médiuns brasileiros enquanto eles psicografavam.

As áreas do cérebro que apresentaram redução no fluxo sanguíneo cerebral foram o hipocampo esquerdo, o giro temporal superior direito e regiões do lobo frontal, que são associadas ao raciocínio, planejamento, geração de linguagem, movimento e solução de problemas. Para os autores, entre eles Andrew Newberg, professor da Universidade Thomas Jefferson, e Julio Peres, professor do Instituto de Psicologia da USP, essa pouca atividade pode indicar falta de foco, de atenção e de autoconsciência durante as psicografias. O curioso, no entanto, é que a complexidade das cartas redigidas durante o transe da psicografia deveria estar relacionada com uma maior atividade nessas áreas do cérebro.

"Experiências espirituais afetam a atividade cerebral, e isso é conhecido. Mas a resposta cerebral à prática de uma suposta comunicação com um espírito ou uma pessoa morta recebeu pouca atenção científica. A partir de agora, novos estudos devem ser realizados", diz Newberg.

De acordo com o espiritismo, os médiuns, quando psicografam, recebem mensagens de espíritos de pessoas mortas. No Brasil, o mais conhecido dos médiuns foi o mineiro Chico Xavier (1910-2002), que produziu mais de 400 livros.


Para comparar o nível de atividade cerebral durante as psicografias, os cientistas aplicaram exames nos médiuns enquanto eles escreviam textos sem estar em estado de transe.

Experiência — A redução da atividade no lobo frontal ocorreu em níveis diferentes nos participantes. Eles foram separados entre médiuns experientes e iniciantes, sendo que o tempo de exercício da atividade variava de 5 a 47 anos. Para os noviços, a atividade no lobo posterior foi consideravelmente mais intensa. De acordo com os pesquisadores, isso pode indicar um maior esforço para tentar atingir com sucesso o estado de transe.

Outra questão levantada pela pesquisa é a complexidade dos textos produzidos. Uma análise mostrou que o conteúdo das cartas psicografadas era mais complexo do que as redigidas para outros fins. "Particularmente, os médiuns mais experientes produziram um material mais complexo, o que na teoria deveria requerer mais atividade nos lobos temporal e frontal. Mas este não foi o caso", escrevem os estudiosos. O conteúdo das cartas psicografadas, por exemplo, envolvia princípios éticos e abordava questões de espiritualidade e ciência.

Uma das hipóteses para esse fenômeno, segundo os pesquisadores, é que, ao reduzir a atividade do lobo frontal, outras partes do cérebro sejam acionadas, aumentando o nível de complexidade. "Enquanto as razões exatas para isso são ainda desconhecidas, nosso estudo sugere que há uma correlação neurofisiológica envolvida", afirma Newberg.

Essa correlação, no entanto, não é, absolutamente, um indicativo de uma suposta conexão com o mundo espiritual, ou algo do gênero. O mesmo fenômeno observado no cérebro dos médiuns ocorre com o cérebro de pianistas, por exemplo. Enquanto eles estão aprendendo a tocar e é preciso se concentrar em cada nota musical, o cérebro é ativado. Mas às medida que se tornam experts e tocar não requer mais tanta concentração, o cérebro não produz tanta atividade. "Podemos estar vendo um fenômeno parecido, no qual os médiuns treinam seus cérebros para desempenhar uma atividade psicográfica", diz Newberg.

Saiba mais


PSICOGRAFIA

Habilidade atribuída a médiuns de escrever mensagens ditadas por espíritos, estabelecendo uma espécie de elo entre o mundo terreno e o espiritual.

HIPOCAMPO

São estruturas localizadas nos lobos temporais do cérebro humano responsáveis pelas memórias de curto e longo prazo. A relação entre seu tamanho e capacidade, no entanto, ainda não está clara. A região atua também no sistema de navegação espacial e na ativação de hormônios que respondem a situações de estresse, adaptando o corpo.

"O estudo contribui para o nosso entendimento da relação entre o cérebro e as experiências e práticas espirituais"


Andrew Newberg

Diretor de Pesquisa no Myrna Brind Center of Integrative Medicine da Universidade Thomas Jefferson

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Por que houve essa diferença na atividade cerebral de acordo com a experiência dos médiuns?

Eu acho que isso reflete como o cérebro pode ser treinado para uma tarefa particular — um efeito de treino. Por exemplo: quando uma pessoa começa a aprender a tocar piano, ou outro instrumento musical, ela precisa, a princípio, focar em aprender cada nota — presumivelmente ativando o cérebro. Mas, na medida em que ela se torna um expert, o cérebro fica mais eficiente e pode até diminuir sua atividade, uma vez que tocar torna-se uma coisa fácil, que pode ser feita sem pensar. Podemos estar vendo um fenômeno parecido, no qual os médiuns treinam seus cérebros para desempenhar uma atividade psicográfica.

O que a redução da atividade em certas partes do cérebro sugere?

Neste caso, o estudo sugere que áreas que normalmente funcionam quando estamos escrevendo ou realizando outras tarefas cognitivas, de certa forma, desligam quando a pessoa entra em estado de transe. Isso é consistente com a experiência (dos médiuns) segundo a qual eles não estão no comando da prática e do que estão escrevendo. Quando a atividade do lobo frontal diminui, a pessoa não sente que está realizando uma tarefa, e sim que essa tarefa está sendo feita para ela.

Qual a relação entre experiências espirituais e a atividade cerebral?

As experiências espirituais são muito diversificadas e incluem processos cognitivos, emocionais, de percepção e de comportamento. Dependendo do tipo de experiência, nós vemos diferentes maneiras no modo como o cérebro responde. Para a psicografia, o lobo frontal diminui sua atividade porque o transe faz com que eles sintam que não estão escrevendo.

Na opinião do senhor, qual a maior contribuição do estudo?

Eu acho que o estudo contribui para o nosso entendimento da relação entre o cérebro e as experiências e práticas espirituais. Também nos leva a pensar se os médiuns de fato estão conectados a um reino espiritual, ou se simplesmente estão usando seus cérebros para construir essas experiências. Esse estudo não nos dá uma resposta definitiva. Mas traz muita coisa para pensarmos.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/cientistas-mapeiam-a-atividade-cerebral-de-mediuns-brasileiros

Veja também:

Os avanços da ciência na alma

Uma pesquisa inédita usa equipamentos de última geração para investigar o cérebro dos médiuns durante o transe. As conclusões surpreendem: ele funciona de modo diferente


DENISE PARANÁ, DA FILADÉLFIA, ESTADOS UNIDOS

Estávamos no mês de julho de 2008. Na Rua 34 da cidade da Filadélfia, nos Estados Unidos, num quarto do Hotel Penn Tower, um grupo seleto de pesquisadores e médiuns preparava-se para algo inédito. Durante dez dias, dez médiuns brasileiros se colocariam à disposição de uma equipe de cientistas do Brasil e dos EUA, que usaria as mais modernas técnicas científicas para investigar a controversa experiência de comunicação com os mortos. Eram médiuns psicógrafos, pessoas que se identificavam como capazes de receber mensagens escritas ditadas por espíritos, seres situados além da palpável matéria que a ciência tão bem reconhece. O cérebro dos médiuns seria vasculhado por equipamentos de alta tecnologia durante o transe mediúnico e fora dele. Os resultados seriam comparados. Como jornalista, fui convidada a acompanhar o experimento. Estava ali, cercada de um grupo de pessoas que acreditam ser capazes de construir pontes com o mundo invisível. Seriam eles, de fato, capazes de tal engenharia?

A produção de exames de neuroimagem (conhecidos como tomografia por emissão de pósitrons) com médiuns psicógrafos em transe é uma experiência pioneira no mundo. Os cientistas Julio Peres, Alexander Moreira-Almeida, Leonardo Caixeta, Frederico Leão e Andrew Newberg, responsáveis pela pesquisa, garantiam o uso de critérios rigorosamente científicos. Punham em jogo o peso e o aval de suas instituições. Eles pertencem às faculdades de medicina da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal de Juiz de Fora, da Universidade Federal de Goiás e da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia. Principal autor do estudo, o psicólogo clínico e neurocientista Julio Peres, pesquisador do Programa de Saúde, Espiritualidade e Religiosidade (Proser), do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, acalentava a ideia de que a experiência espiritual pudesse ser estudada por meio da neuroimagem.

Pela primeira vez, o cérebro dos médiuns foi investigado com os recursos modernos da neurociência Em frente ao Q.G. dos médiuns no Hotel Penn Tower, o laboratório de pesquisas do Hospital da Universidade da Pensilvânia estava pronto. Lá, o cientista Andrew Newberg e sua equipe aguardavam ansiosos. Médico, diretor de Pesquisa do Jefferson-Myrna Brind Centro de Medicina Integrativa e especialista em neuroimagem de experiências religiosas, Newberg é autor de vários livros, com títulos como Biologia da crença e Princípios de neuroteologia. Suas pesquisas são consideradas uma referência mundial na área. Ele acabou por se tornar figura recorrente nos documentários que tratam de ciência e religião. Meses antes, Newberg escrevera da Universidade da Pensilvânia ao consulado dos EUA, em São Paulo, pedindo que facilitasse a entrada dos médiuns em terras americanas. O consulado foi prestativo e organizou um arquivo especial com os nomes dos médiuns, classificando-o como “Protocolo Paranormal”.

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“É conhecido o fato de experiências religiosas afetarem a atividade cerebral. Mas a resposta cerebral à mediunidade, a prática de supostamente estar em comunicação com ou sob o controle do espírito de uma pessoa morta, até então nunca tinha sido investigada”, diz Newberg. Os cientistas queriam investigar se havia alterações específicas na atividade cerebral durante a psicografia. Se houvesse, quais seriam? Os dez médiuns, quatro homens e seis mulheres, participavam do experimento voluntariamente. Foram selecionados no Brasil por meio de uma longa triagem. Entre os pré-requisitos, tinham de ser destros, saudáveis, não ter nenhum tipo de transtorno mental e não usar medicações psiquiátricas. Metade dos voluntários dizia carregar décadas de experiência no “intercâmbio espiritual”. Outros, menos experientes, apenas alguns anos.

Na Filadélfia, antes de a experiência começar, os médiuns passaram por uma fase de familiarização com os procedimentos e o ambiente do hospital onde seriam feitos os exames. O experimento só daria certo se os médiuns estivessem plenamente à vontade. Todos se perguntavam se o transe seria possível tão longe de casa, num hospital em que se podia perguntar se Dr. Gregory House, o personagem de ficção interpretado pelo ator inglês Hugh Laurie, não apareceria ali a qualquer momento.

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Numa sala com aviso de perigo, alta radiação, começaram os exames. Por meio do método conhecido pela sigla Spect (Single Photon Emission Computed Tomography, ou Tomografia Computadorizada de Emissão de Fóton Único), mapeou-se a atividade do cérebro por meio do fluxo sanguíneo de cada um dos médiuns durante o transe da psicografia. Como tarefa de controle, o mesmo mapeamento foi realizado novamente, desta vez durante a escrita de um texto original de própria autoria do médium, uma redação sem transe e sem a “cola espiritual”. Os autores do estudo partiam da seguinte hipótese: uma vez que tanto a psicografia como as outras escritas dos médiuns são textos planejados e inteligíveis, as áreas do cérebro associadas à criatividade e ao planejamento seriam recrutadas igualmente nas duas condições. Mas não foi o que aconteceu. Quando o mapeamento cerebral das duas atividades foi comparado, os resultados causaram espanto.

Segundo a pesquisa, a mediunidade pode ser considerada uma manifestação saudável Surpreendentemente, durante a psicografia os cérebros ativaram menos as áreas relacionadas ao planejamento e à criatividade, embora tenham sido produzidos textos mais complexos do que aqueles escritos sem “interferência espiritual”. Para os cientistas, isso seria compatível com a hipótese que os médiuns defendem: a autoria das psicografias não seria deles, mas dos espíritos comunicantes. Os médiuns mais experientes tiveram menor atividade cerebral durante a psicografia, quando comparada à escrita dos outros textos. Isso ocorreu apesar de a estrutura narrativa ser mais complexa nas psicografias que nos outros textos, no que diz respeito a questões gramaticais, como o uso de sujeito, verbo, predicado, capacidade de produzir texto legível, compreensível etc.

Apesar de haver várias semelhanças entre a ativação cerebral dos médiuns estudados e pacientes esquizofrênicos, os resultados deixaram claro também que aqueles voluntários não tinham esquizofrenia ou qualquer outra doença mental. Os cientistas afirmam que a descoberta de ativação da mesma área cerebral sublinha a importância de mais pesquisas para distinguir entre a dissociação (processo em que as ações e os comportamentos fogem da consciência) patológica e não patológica. Entre o que é e o que não é doença, quando alguém se diz tocado por outra entidade. Os médiuns estudados relataram ilusões aparentes, alucinações auditivas, alterações de personalidade e, ainda assim, foram capazes de usar suas experiências mediúnicas para tentar ajudar os outros. Pode haver, portanto, formas saudáveis de dissociação. Uma das conclusões a que os cientistas chegaram é que a mediunidade envolve um tipo de dissociação não patológica, ou não doentia. A mediunidade pode ser uma expressão comum à natureza humana. Essas conclusões, que ÉPOCA antecipa na edição que chegou às bancas na sexta-feira (16), foram divulgadas na revista científica americana Plos One. O estudo Neuroimagem durante o estado de transe: uma contribuição ao estudo da dissociação tem acesso gratuito desde sexta-feira, dia 16, no endereço eletrônico:
www.dx.plos.org/10.1371/journal.pone.0049360

O maior de todos os psicógrafos


Naquele verão, na Filadélfia, os dez médiuns produziram psicografias espelhadas – escritas de trás para a frente –, redigiram em línguas que não dominavam bem, descreveram corretamente ancestrais dos cientistas que os próprios pesquisadores diziam desconhecer, entre outras tantas histórias. Convivendo com eles naquele experimento, colhendo suas histórias, ouvindo os dramas e prazeres de viver entre dois mundos, encontrei diferentes biografias. Todos eles compartilham, porém, a crença de que aquilo que veem e ouvem é, de fato, algo real. Outro ponto em comum: todos nutriam enorme respeito por Chico Xavier, considerado o modelo de excelência da prática psicográfica.

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Mineiro de família pobre, fala mansa e sorriso tímido, Chico Xavier recebeu apenas o ensino básico. Isso não o impediu de publicar mais de 400 livros, alguns em dez idiomas diferentes, cobrindo variados gêneros literários e amplas áreas do conhecimento. Ao final da vida, vendera cerca de 40 milhões de exemplares, cujos direitos autorais foram doados. Psicografou por sete décadas. Nenhum tipo de fraude foi comprovada. Isso não significa que seus feitos mediúnicos sejam absoluta unanimidade. Há controvérsias. O pesquisador Alexandre Caroli Rocha, doutor em teoria e história literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), chegou a conclusões que parecem favorecer a hipótese de que Chico fosse mesmo uma grande e sintonizada antena. Em seu mestrado, ele analisou o primeiro livro publicado pelo médium, Parnaso de além-túmulo, que trazia 259 poemas atribuídos a 83 autores já mortos.

Seu estudo considerou os aspectos estilísticos, formais e interpretativos dos poemas e concluiu que a antologia não era um produto de imitação literária simples. Rocha descobriu, por exemplo, que Guerra Junqueiro (1850-1923), um dos autores mortos, assinava a continuação de um poema inacabado em vida. Não havia indício de que Chico tivesse tido acesso ao poema antes de psicografar sua continuação. No doutorado, Rocha concluiu que Chico reproduzia perfeitamente o estilo do popular escritor Humberto de Campos (1886-1934). Nos textos que saíam da ponta de seu lápis havia, segundo Rocha, um estilo intrincado e sofisticado, detectável apenas por aqueles que conhecem bem como Humberto de Campos funciona. Muitos dos textos atribuídos a Campos continham informações que estavam fora do domínio público. Encerradas num diário secreto, tais informações só foram reveladas 20 anos depois da morte de Campos e do início da produção mediúnica de Chico

A ciência pode desvendar a natureza da alma?


“Se eu pudesse recomeçar minha vida, deixaria de lado tudo o que fiz, para estudar a paranormalidade.” Essa confissão de Sigmund Freud a seu biógrafo oficial, Ernest Jones, marca um dos capítulos pouco conhecidos da história do pensamento humano. Pouca gente sabe também que muitas das teorias reconhecidas hoje pela ciência sobre o inconsciente e a histeria baseiam-se em trabalhos de pesquisadores que se dedicaram ao estudo da mediunidade. Talvez menos gente saiba que Marie Curie, a primeira cientista a ganhar dois prêmios Nobel, e seu marido, Pierre Curie, também Nobel, dedicaram espaço em suas atribuladas agendas ao estudo de médiuns. No Instituto de Metapsíquica em Paris, no início do século passado, Madame Curie inquiriu com seus assombrados olhos azuis a médium de efeitos físicos Eusapia Palladino. O casal Curie supôs que os segredos da radioatividade poderiam ser revelados por meio de uma fonte de energia espiritual. Quem seria capaz de imaginar isso hoje?

Outros cientistas laureados com o Nobel consagraram parte de sua vida buscando respostas para os mistérios da alma e a possibilidade de comunicação com os mortos. Pesquisas que hoje seriam consideradas assombrosas, como materialização de espíritos, movimentação de objetos à distância, levitação etc., foram realizadas na passagem entre os séculos XIX e XX. Houve forte oposição materialista. Experimentos frustrados e a comprovação de fraude de alguns médiuns lançaram um manto de ceticismo e silêncio sobre o tema. Essa linha de pesquisa entrou em crise. Experimentos com mediunidade aos poucos se tornaram uma mácula nos currículos oficiais dos eminentes cientistas. E a ciência moderna acabou por condenar ao esquecimento inúmeras pesquisas científicas sobre o assunto, algumas rigorosas. Enquanto o cinema, a TV e a literatura cada vez se apropriam mais das questões do espírito, a ciência dominante tem torcido o nariz e deixado essas reflexões fora de seu campo.

A questão tem sido esquecida, mas não totalmente. Apesar de ainda tímidas, pesquisas científicas sobre comunicações mediúnicas, como a da Filadélfia, têm sido realizadas recentemente. Basicamente, encontraram que, além de fenômenos que revelam fraude proposital ou inconsciente do médium, há muito a explicar. Muita coisa não cabe dentro do discurso que prevalece hoje na ciência. Pesquisadores da área acreditam que a telepatia do médium com o consciente ou o inconsciente daquele que deseja uma comunicação espiritual não explica psicografias nas quais se revelam informações desconhecidas das pessoas que o procuram.

Muitas informações fornecidas por médiuns, dizem eles, se confirmaram verdadeiras só mais tarde, após pesquisa sobre o morto. Como pensar então em telepatia se só o morto detinha as informações? Seria possível a ideia de comunicação direta com os mortos? Alguns cientistas que estudam as percepções mediúnicas discordam dessa hipótese. Acreditam que é possível não haver limite de espaço e tempo para percepções mediúnicas. O médium poderia andar para a frente e para trás no tempo e no espaço, coletando as informações que desejasse, quando e onde elas estivessem. Num fenômeno em que comprovadamente não houvesse fraude ou sugestão inconsciente, sobrariam apenas duas hipóteses: ou haveria a capacidade do médium de captar informações em outro espaço e tempo; ou existiria mesmo a capacidade de comunicação entre o médium e o espírito de um morto.

Atuais referências no estudo científico de fenômenos tidos como espirituais, cientistas como Robert Cloninger, Mario Beauregard, Erlendur Haraldsson, Stuart Hameroff e Peter Fenwick aplaudem a iniciativa de Julio Peres em seu estudo. Esse neurocientista brasileiro, que tem colhido apoio em seus pares, afirma que seus achados “compõem um conjunto de dados interessantes para a compreensão da mente e merecem futuras investigações, tanto em termos de replicação como de hipóteses explicativas”. Outro coautor do estudo, o psiquiatra Frederico Camelo Leão, coordenador do Proser, defende mais estudos acerca das experiências tidas como espirituais. “O impacto das pesquisas despertará a comunidade científica para como esse desafio tem sido negligenciado”, diz.

O pesquisador Alexander Moreira-Almeida, coautor do estudo e diretor do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde (Nupes), da Universidade Federal de Juiz de Fora, é o principal responsável por colocar o Brasil em destaque nessa área no cenário internacional. Moreira-Almeida recebeu o Prêmio Top Ten Cited, como o primeiro autor do artigo mais citado na Revista Brasileira de Psiquiatria, com Francisco Lotufo Neto e Harold G Koenig. É editor do livro Exploring frontiers of the mind-brain relantionship (Explorando as fronteiras da relação mente-cérebro, em tradução livre), pela reputada editora científica Springer.


Ele afirma que a alma, ou como prefere dizer, a personalidade ou a mente, está intimamente ligada ao cérebro, mas pode ser algo além dele. Para esse psiquiatra fluminense, pesquisas sobre experiências espirituais, como a mediunidade, são importantes para entendermos a mente e testarmos a hipótese materialista de que a personalidade seja um simples produto do cérebro. Moreira-Almeida lembra que Galileu e Darwin só puderam revolucionar a ciência porque passaram a analisar fenômenos que antes não eram considerados. “O materialismo é uma hipótese, não é ainda um fato cientificamente comprovado, como muitos acreditam”, diz Moreira-Almeida.

Apesar de todos os avanços da ciência materialista, a humanidade continua aceitando as dimensões espirituais. Dados do World Values Survey revelam que a maioria da população mundial acredita na vida após a morte. Em todo o planeta, um número expressivo de pessoas declara ter se sentido em contato com mortos: são 24% dos franceses, 34% dos italianos, 26% dos britânicos, 30% dos americanos e 28% dos alemães. Não há dúvida de que o materialismo científico foi instrumento de enorme progresso para a humanidade. A dúvida é se ele, sozinho, seria capaz de explicar toda a experiência humana. Para a maioria da população, a visão materialista parece deixar um vazio atrás de si. Na busca de respostas para nossas principais questões, muitos assinariam embaixo da frase de Albert Einstein: o homem que não tem os olhos abertos para o mistério passará pela vida sem ver nada.

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* Denise Paraná é jornalista, doutora em ciências humanas pela Universidade de São Paulo e pós-doutora, como visiting scholar, pela Universidade de Cambridge, Inglaterra

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/11/os-avancos-da-ciencia-da-alma.html





As Viagens de Kardec

Evandro Noleto Bezerra comenta a sua tradução, para a Editora FEB, do livro de Allan Kardec que completa 150 anos de lançamento.


Considera tal obra um manual de orientação ao trabalhador espírita, um relato de experiências extraordinárias do Codificador

Reformador: Como se sentiu ao traduzir o livro Viagem Espírita em 1862?

Evandro: Vamos recuar um pouco no tempo. Corria o ano 2001. Em conversa com o presidente da FEB, Nestor João Masotti, discorríamos sobre a conveniência da tradução e publicação dos 12 volumes da Revista Espírita e, quem sabe, das demais obras do Codificador do Espiritismo ainda não publicadas pela Casa de Ismael.

À medida que o trabalho de tradução prosseguia, tornava-se cada vez mais claro para nós o verdadeiro papel da Revista Espírita: o de um veículo de comunicação destinado não apenas a ser uma “tribuna livre” da doutrina nascente, mas seu órgão orientador, seu porta-voz doutrinário. E dentre tantos assuntos interessantes, chamaram nossa atenção as viagens realizadas por Allan Kardec entre 1860 e 1867, verdadeiras maratonas a serviço da Doutrina e do Movimento espíritas, especialmente a de 1862, a mais longa de todas, quando ele percorreu 693 léguas e visitou mais de 20 localidades, matéria que seria publicada à parte sob a forma de opúsculo.

Ao traduzir Viagem Espírita em 1862, fui dominado pelos mesmos sentimentos que me animaram quando traduzi as demais obras de Kardec: imensa alegria, profunda emoção, indizível sensação de paz e, sobretudo, certeza absoluta de estar contribuindo, de alguma sorte, para tornar mais conhecida esta Doutrina que nos é tão cara.

Reformador: Qual a sua visão sobre o Codificador com a vivência das viagens?

Evandro: Vamos recuar um pouco no tempo. Corria o ano 2001. Em conversa com o presidente da FEB, Nestor João Masotti, discorríamos sobre a conveniência da tradução e publicação dos 12 volumes da Revista Espírita e, quem sabe, das demais obras do Codificador do Espiritismo ainda não publicadas pela Casa de Ismael.

À medida que o trabalho de tradução prosseguia, tornava-se cada vez mais claro para nós o verdadeiro papel da Revista Espírita: o de um veículo de comunicação destinado não apenas a ser uma “tribuna livre” da doutrina nascente, mas seu órgão orientador, seu porta-voz doutrinário. E dentre tantos assuntos interessantes, chamaram nossa atenção as viagens realizadas por Allan Kardec entre 1860 e 1867, verdadeiras maratonas a serviço da Doutrina e do Movimento espíritas, especialmente a de 1862, a mais longa de todas, quando ele percorreu 693 léguas e visitou mais de 20 localidades, matéria que seria publicada à parte sob a forma de opúsculo.

Ao traduzir Viagem Espírita em 1862, fui dominado pelos mesmos sentimentos que me animaram quando traduzi as demais obras de Kardec: imensa alegria, profunda emoção, indizível sensação de paz e, sobretudo, certeza absoluta de estar contribuindo, de alguma sorte, para tornar mais conhecida esta Doutrina que nos é tão cara.

Reformador: Qual a sua visão sobre o Codificador com a vivência das viagens?

Evandro: A de um homem de ação, que não limitava seu trabalho às comodidades de Paris. Como ele próprio confessou, essas viagens tinham duplo objetivo: dar instruções onde estas fossem necessárias e, ao mesmo tempo, instruir-se com os irmãos da província. Queria ver com os próprios olhos, a fim de julgar o estado real da Doutrina e a maneira pela qual era compreendida; estudar as causas locais favoráveis ou desfavoráveis ao seu progresso, sondar as opiniões, apreciar os efeitos da oposição e da crítica e conhecer o julgamento que se fazia das obras espíritas. Mas, acima de tudo, queria apertar a mão de cada trabalhador espírita e com eles confraternizar; exprimir pessoalmente sua gratidão aos pioneiros do Espiritismo pelo zelo e devotamento de que davam provas.

Para tanto, embrenhou-se algumas vezes pelo Interior da França, numa época em que precários e temerosos eram os meios de transporte, servindo-se de trens, carruagens e até de barcos, nos deslocamentos que fazia, a fim de levar a orientação segura e abalizada da Doutrina Espírita às sociedades que por toda parte se formavam. Agiu como fez outrora Paulo de Tarso, singrando mares e vencendo desertos para que a Boa Nova não se circunscrevesse ao povo judeu; agiu como fazem hoje os representantes do Movimento Espírita organizado que, em nível nacional, estadual ou municipal, percorrem regularmente os territórios sob sua jurisdição, visando ao mesmo objetivo.

Reformador: Que episódio você destacaria?

Evandro: Todos os episódios descritos no livro Viagem Espírita em 1862 são importantes: as impressões gerais de Kardec, os discursos que ele pronunciou nas reuniões de que tomava parte, as instruções particulares que ministrava aos grupos espíritas, bem como o projeto de regulamento que ele elaborou com vistas a assegurar a unidade doutrinária.

Destaco, porém, um capítulo de fundamental importância: o que contém as respostas de Kardec a uma série de perguntas que lhe foram feitas pelos dirigentes espíritas a quem visitava. Por exemplo:

– Já que o Espiritismo torna melhores os homens, levando os descrentes à crença em Deus, na alma e na vida futura, por que tem inimigos? – Que se deve responder aos que veem no Espiritismo um perigo para as classes pouco esclarecidas e que, por não o compreenderem em sua essência, poderiam desnaturar- lhe o espírito e fazê-lo degenerar em superstição? – Há uma coisa ainda mais prejudicial ao Espiritismo do que os ataques de seus inimigos: é o que, em seu nome, publicam seus pretensos adeptos, a ponto mesmo de expô-lo ao ridículo. Como remediar esse inconveniente, que nos parece um dos maiores escolhos da Doutrina? – Considerando-se os sábios ensinamentos dados pelos Espíritos e o grande número de pessoas que são conduzidas a Deus pelos seus conselhos, como é possível acreditar que seja obra do demônio? –

Que se deve pensar da proibição de Moisés aos hebreus para não evocarem as almas dos mortos, e quais serão as consequências da transgressão desse preceito?. A todas elas Kardec responde com a elegância que lhe caracteriza o estilo, a precisão e a clareza que lhe são habituais. Contudo, não as transcreveremos aqui; preferimos que o leitor as descubra na própria fonte, visto não querermos privá-lo da satisfação, do privilégio de estudar esses e outros pontos abordados pelo Codificador ao longo da obra.

Reformador: Você acrescentou outros textos na versão editada pela FEB?

Evandro: Sim, visto que outras viagens de Allan Kardec, igualmente relevantes para o Movimento Espírita, também mereceram dele destaque especial na Revista Espírita: as realizadas nos anos de 1860, 1861, 1864 e 1867.

A maioria delas se limitou às cidades francesas que se encontravam no trajeto da linha férrea que liga Paris a Lyon. A primeira viagem espírita tinha como alvo a cidade de Lyon. A segunda alcançou Bordeaux. A terceira levou o Codificador a Bruxelas e Antuérpia, na Bélgica. A quarta passava por Orléans e Tours. São viagens tão importantes quanto a de 1862, porquanto em todas elas Allan Kardec teve oportunidade de constatar in loco os progressos que o Espiritismo fazia, as transformações morais que operava nas consciências. Era também a chance de levar aos irmãos da província a orientação segura da Doutrina Espírita, tal como era entendida e praticada na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, que ele presidia.

Reformador: Qual o valor que atribui a este livro de Kardec?

Evandro: O de um manual de orientação aos trabalhadores espíritas, semelhante aos que hoje em dia são editados pelo Movimento Espírita organizado, mas com a vantagem de ter sido elaborado com o peso da autoridade de Allan Kardec, quando a Doutrina Espírita dava seus primeiros passos e numa época em que imperavam a ignorância, o preconceito, a intolerância religiosa e o materialismo avassalador.

Embora editado há tanto tempo, é surpreendente sua atualidade, porquanto, mantidas as devidas proporções, os desafios com que outrora se deparava o Codificador na difusão do Espiritismo são praticamente os mesmos enfrentados por quantos assumam agora o compromisso de manter acesa a chama viva do Consolador prometido no coração da Humanidade inteira.

Reformador: Que recomendações oferece ao leitor de Reformador?

Evandro: A mesma que fazemos quando abordamos um escrito de Allan Kardec: a de todo espírita conhecer a fundo as suas obras, não apenas as fundamentais, mas também as subsidiárias, as que mais do que outras levaram o cunho indistinguível da sua inteligência, a marca inconfundível do seu talento, as experiências extraordinárias que vivenciou, bem como os desafios que enfrentou ao codificar o Espiritismo.

Entre elas se encontram particularmente a coleção completa da Revista Espírita, Obras Póstumas, O Espiritismo na sua Expressão mais Simples, O que é o Espiritismo e a Viagem Espírita em 1862, cujo sesquicentenário de publicação comemoramos este ano. Não só a Doutrina e o Movimento espíritas são abordados nessas obras, como também a própria alma, a intimidade mesma do Codificador, constituindo-se, algumas partes delas, em sua verdadeira autobiografia.

Fonte: http://www.sistemas.febnet.org.br/reformadoronline/pagina/?id=330

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Quando a doença do corpo vem da mente


De acordo com os pesquisadores JW Kennedy, RC McKinstry, do Functional Mapping of the Human Visual, o pensamento é uma atividade mental organizada com capacidade de planejamento, definição de estratégias, previsões e soluções de problemas, que, por meio da vontade, energias são lançadas ou atraídas de acordo com ondas mentais que se identificam no tempo espaço.

Com a atração do pensamento, segundo Platão (427 a.C) “A cura das partes não deve ser tentada sem o tratamento do todo; nenhuma tentativa de curar o corpo deve ser feita sem levar a alma em consideração. E se a cabeça e o corpo devem estar saudáveis, é necessário começar pela mente, pois, o grande erro dos nossos dias ao tratar o corpo humano é que nossos médicos separam a alma do corpo”.

Em uma entrevista concedida pelo médium, orador e escritor Antonio Carlos Laferreira, a abordagem do poder do pensamento fica clara quanto a sua construção e destruição, de acordo com os comandos do próprio ser pensante naquilo que objetiva alcançar.

RBN: É possível agredir o corpo físico tendo pensamentos negativos a respeito de si mesmo?

Antonio Carlos Laferreira: O conhecimento de que a alma e suas emoções transferem ao corpo físico energias enfermas que comprometem todo o plano psíquico não é novidade, as ondas mentais geram reações no físico devido à ação constante de hormônios e enzimas que acabam por lesar órgãos ou sistemas.
Por exemplo: O sentimento do egoísmo leva ao comportamento de avareza; apresentando quadros de artrites, problemas em braços, ombros e mãos. O sentimento de ódio gera comportamentos de vingança, mágoa, violência e agressividade, dos quais teremos desajustes cardíacos, processos melancólicos, reumatismos, cânceres e doenças nos ossos, assim sucessivamente com os demais comandos e órgãos do corpo humano.

Como podemos policiar e corrigir nossos pensamentos?

A educação da alma e o autocontrole são fundamentais para esta atenção necessária. Sentir raiva, tristeza e outros sentimentos menos edificantes ainda está próximo de nossa verdade evolutiva, mas o grande problema é o ressentir, ou seja, o sentir novamente.

Precisamos corrigir nossa postura mental e emocional, por exemplo: quando algo ou alguém nos aborrece, ficamos alterados, irritadiços, nervosos, irados, as faces ruborizadas, o coração acelerado e, as mãos muitas vezes se fecham na demonstração de gestos de raiva e ataque. É aí que está nossa oportunidade de atenção e correção, não ressentir, não dar vazão ao que nos faz mal, evitando aos poucos nosso descontrole.

Sentimentos e pensamentos doentes causam lesões no corpo espiritual?

Sim, o sentimento e o pensamento persistentes, doentios, lesam o perispírito e o corpo físico e, isso, indica grande ausência de controle e falta de conhecimento íntimo das emoções que deixamos fluir livremente.

Postura mental é sinônimo de mudança moral?

Ainda sentiremos ira, tristeza, mas o importante é trabalhar no sentimento equacionando a causa e nossa postura diante deste sentir, avaliando nossa responsabilidade e necessidade de zelo diante da própria saúde e também da paz alheia, pois o perseverar no sentimento negativo é vibração que atinge igualmente o outro mais próximo. Cada sentimento vibrará em nossa mente (espírito), e excitará o córtex cerebral, que por sua vez reagirá sobre o corpo.

Como trabalhar nossas emoções?

Em Mateus, capítulo XVIII, versículos 21 a 35, fala da necessidade do perdão, referindo ser a melhor terapia de nossas enfermidades, perdoando ao outro e a si mesmo, não permitindo cultivar o sentimento de culpa, sendo este um processo de autopunição que lesa nossa organização espiritual e física, causando transtornos de difícil solução.

Corrigir a rota é fundamental, muitas vezes quando detectamos algo a ser modificado, reprimimos ou exteriorizamos, sem tratarmos a causa, podendo até, camuflar nossas atitudes, mas o sentimento permanece doente.

O caminho é renovar os Sentimentos que atuará nos Pensamentos gerando atitudes modificadas e nobres.
Antonio Carlos Laferreira - Nefrologista, Dirigente da Fraternidade Cristo Redentor em Itaquera – São Paulo e apresentador do programa Fraternidade pela Rede Boa Nova de Rádio.
 


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Olá amigo de ideal espírita, depois de um período, retornamos com nosso estudo de livros espíritas. Agora em novo formato e muito mais inter...