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domingo, 20 de maio de 2018

Nas Fronteiras da Loucura - Sétima Parte

Nas Fronteiras da Loucura - Sétima Parte

Reunião: 25/04/2018


28. TRABALHOS DE RECUPERAÇÃO

Dr. Bezerra acercou-se novamente de Ricardo, e elucidou:

 -“Quando planejaste o renascimento, na condição de filho da nossa Julinda, pensavas no desforço... naturalmente, que ela assimilava o teu pensamento e temia, preferindo um crime à oportunidade de padecer-te a ira, sem dar conta de que a vida, na sua indestrutibilidade, muda as cenas e as personagens de situação, sem que se modifique a realidade de cada qual. Somente quando se ama é que se altera em profundidade a paisagem do existir, porquanto o ódio apenas piora o quadro emocional, sem que se transforme o panorama interior da criatura. Este é qual incêndio que combure sem destruir... não te apercebias de que os fatos não sucedem ao capricho de cada um, à desordem. O teu renascimento está previsto pelos Mensageiros que fomentam o progresso humano, não sendo, portanto, uma exigência caprichosa e infeliz de tua parte, tanto quanto a leviandade, que a conduziu ao aborto criminoso, não ocorreu sem que ela incidisse em novo, grave delito...

Agora, sofrida e necessitada, dispõem-se ao resgate e será a Lei Divina que disporá dos processos e mecanismos reparadores de que ela precisa, sem a tua ingerência perniciosa. Cabe-te o dever de auxilia-la, desde que também deves crescer, liberando-te da situação torpe em que te reténs, há demorado tempo. Não olvides que o ódio é o amor enfermo e que a vingança é a loucura do amor... cura o desequilíbrio, mediante o pensamento da felicidade que necessitas fruir, marchando para um futuro de bênçãos, ao invés de avançares para uma colheita de acúleos e dissabores.

Feriando-a, maltratarás Roberto, que a ti nada fez de mal, portanto, enleado no mecanismo do amor, desejando a paternidade sem excogitar das lagrimas e amarguras que venha a experimentar. Será lícito retribuir-lhe o sadio ministério com a bordoada da ingratidão e o veneno destruidor da maldade?
Dona Angélica, por sua vez, que te padeceu a sanha perseguidora, perdoando-te, abre-te os braços acolhedores e afetuosos... será justo feri-la, por desejar-te a redenção? Diante dela, onde a tua inocência? Sob a sua custódia em que te sentes isento de culpa? Ela poderia ter resvalado na mesma condição de Manuel... porém, perdoou-te.

Observa o nosso infeliz irmão, que caiu por culpa própria, no entanto, foi empurrado pelas tuas mãos. Se, por acaso, perseveras nos propósitos animosos e cruéis, poderás evadir-te das consequências que terminam por alcançar os dilapidadores dos bens da Vida? Considera os dois caminhos que se te desdobram à frente? Não há violência no Senhor. A opção, desse modo, é tua. Renunciar a paixão asselvajada para conquistar a emoção libertadora é programa para todos nós, queiramos ou não, porque a nossa é a fatalidade do bem, concedendo-nos a vitória sobre nós próprios.

Não esperes, porém, um roteiro de flores e alegrias, afinal o maior devedor és tu, sem que, todavia, te desejemos julgar os atos passados. Como estamos no trânsito das conquistas humanas para as futuras aquisições angélicas, é nos é lícito examinar os acontecimentos e logicar com eles. Além disso não podemos esquecer de Manuel, duas vezes seguidas vitimado pelas circunstancias que te envolvem. Ele tem urgente necessidade de renascer, quiçá, mais imediata do que tu...virá ao corpo, mais tarde, assinalado por graves limitações orgânicas, solicitando-te apoio, amparo e compreensão, no que participará a mãezinha que, desse modo, se recuperará do mal que te fez, sofrendo por amor ao filhinho, frágil e dependente, motivo da indiferença de uns e do constrangimento de outros, para ela assim mesmo, um tesouro...”

Para permitir que Ricardo melhor assimilasse o que o Benfeitor acabara de expor, foi feita uma oportuna pausa e, logo depois, houve o prosseguimento: - A antiga Lei de Talião, aquela do “olho por olho dente por dente”, foi substituída pelo amor que cobre uma multidão de pecados, com que Jesus nos concede a ventura, através da vitória sobre o mal pela ação contínua do bem. Quando agimos mal, também somos prejudicados pelo mal que fizemos. Mais a frente veremos dona Angélica e Roberto envolvidos no programa destes sofrimentos. O amor deles os ajudará para que menores sejam as suas dores, equilibrando diferenças antigas.

Ricardo despertava para outra realidade, com novas reflexões. Os envolvidos no drama encontravam-se com feridas profundas no sentimento doentio, tornando demoradas a cura e a cicatrização.

Através de um sutil sinal do Mentor, o irmão Genésio passou a aplicar passes nos centros coronário e cerebral de Manuel Alfredo ‘incorporado’ em Jonas que o beneficiou amplamente modificando-lhe o aspecto e a agitação incontrolada, diminuindo, ao mesmo tempo, a ferocidade acumulada, bem como das induções negativas de que ele fora vítima durante anos, por isso que a vida resulta de um ato de amor do nosso Pai.

Dispersadas as energias perniciosas do sofredor, surgiu um fio negro de substancia pegajosa acompanhado de um odor desagradável. Enquanto a entidade gemia doloridamente, o técnico em passes permanecia inatingido pelas irradiações negativas, porque encontrava-se em profunda concentração.
As forças deletérias absorvidas, explicou Bezerra a meia voz, impregnaram-lhe os centros perispirituais tão profundamente que se condensaram impondo-lhe a compleição simiesca, na sucessão do tempo. As ideias pessimistas e deprimentes gerando nele mesmo a forma – pensamento que lhe era imposta pela hipnose de outros companheiros empedernidos no mal e impenitentes, atuaram no corpo de plasma biológico, encarregando-se de submete-lo à situação em que se encontra.

“Atuando-se em sentido oposto, através de movimentos contrários, rítmicos, circulares, da direita para a esquerda, sob comando mental bem dirigido, pode-se extrair as fixações que se condensam, liberando o paciente da poderosa constrição que o submete.

Mesmo nesse caso, estamos diante de uma forma de obsessão por subjugação deformadora. Os fenômenos de licantropia, zoantropia e monoideísmos diversos produzem a degenerescência da harmonia molecular do perispírito, que aprisiona a vítima a mentes mais poderosas, conhecedoras do mecanismo da evolução embora profundamente vinculadas ao mal. Sucede que as inteligências cultivadas, que se esquecem de Deus e do amor, simbolizadas na figuração do anjo caído, se ensoberbecem e pensam poder atuar na condição de pequenos deuses.

Tornam-se entidades infinitamente infelizes, que pululam nas regiões inferiores do planeta, atribuindo-se o controle de muitas vidas, que delas, infelizmente, necessitam, assenhoreando-se-lhes da condução mental e interferindo no seu comportamento.

São de transitório poder, certamente, mas, por enquanto, de resultado muito prejudiciais à economia moral- espiritual do homem e do planeta.”

Calou o Amigo enquanto observávamos.
O corpo do médium tomou a posição normal na cadeira, enquanto a face da entidade experimentava uma sutil remodelação.

Estávamos diante de uma recuperação. A cirurgia psíquica era feita naquele caso, no perispírito alterado, servindo de molde refazente o psicossoma do médium encarnado, em transe, por desdobramento parcial do corpo.

Quando o irmão Genésio terminou a tarefa, era visível a melhora do comunicante espiritual. O Mentor falou-lhe:

Recorda agora o amor, inclina-te para o amor e desatrelarás a mente sofrida das cadeias do sofrimento que te oprime. Recorda-te de Joana, da sua ternura, da ama e protetora que a acolheu no desequilíbrio mental e deixa-te dulcificar por estas evocações.

“A benfeitora da tua esposa receber-te-á como filho, ao lado do teu adversário que te protegerá, impedindo ambos que novos sofrimentos desabem sobre ti. Esquece o mal. Desliga a tomada da corrente do ódio e pensa na energia da gratidão.”

Percebendo as indagações mudas do sofredor impossibilitado de falar, pelas razões obvias, Bezerra esclarece:

“A nossa Joana aqui está conosco. Ser-te-á avó desvelada. Nos últimos anos do corpo cuidará de ti, acompanhando e estimulando o teu crescimento para Deus. A reencarnação sublima os laços do afeto, ampliando a dimensão do amor, que deixa de ser a escravidão pelo desejo, a fim de transformar-se na libertação pela felicidade.”

O irmão Juvêncio compreendeu que chegava o momento de conduzir a Angélica para próximo de Manuel Alfredo.

A gentil senhora, embora não compreendendo tudo o que acontecia ao seu redor, aproximou-se sob a ação mental do esposo e do Benfeitor e abraçou o antigo marido ‘incorporado em Jonas’ e ambos choraram copiosamente; assim ela contribuiu para auxilia-lo na próxima recuperação.

Posteriormente o Benfeitor alertou que o Espírito seria submetido a um tratamento adequado para a recomposição das suas faculdades para ativar o seu crescimento para Jesus e, quando da sua reencarnação, estaria apoiando-o desde o plano espiritual de quando em quando. Após as preleções, recomendou-lhe dormir e sonhar com o futuro. Em seguida, providenciaram o desligamento do médium.

Dr. Bezerra deu ainda algumas instruções finais aos cooperadores:
Antes, porém, de serem reconduzidos, Julinda ao hospital por Dr. Figueiredo, e os demais participantes encarnados, aos lares pelos demais cooperadores.

“Nossa irmã obsessa experimentara em breves dias uma grande melhora, podendo ser retirada do Frenocômio e levada para o lar, onde serão providenciados recursos para o seu reequilíbrio total.
O futuro abençoara os labores desta madrugada.”

Os irmãos Juvêncio, Angélica e Roberto, comovidos, olhavam o abençoado Dr Bezerra com a gratidão que as palavras não podiam exteriorizar, masque alcançavam o coração magnânimo do nobre servidor de Jesus.

Oremos, encerrando nossas atividades, recomendou-nos.
No silêncio e na paz do ambiente inundado de vibrações superiores ouvimo-lo dizer:

“Senhor Jesus
Neste dia que amanhece em oportunidade nova, nós Te louvamos pela dádiva de amor que ele significa.

Abençoando a nossa tentativa de serviço edificante, ele representa o Teu amor clarificando-nos as horas.

Vitória perpétua a luz contra a treva é o símbolo do triunfo do bem sobre o mal transitório que se encontra no mundo em transformação.

Sob Tuas concessões altera-se a paisagem terrena e o trabalho desdobra as ações positivas para o engrandecimento da vida.

Ajuda-nos a valorizar o milagre das suas horas, no que podemos fazer a benefício próprio e do nosso semelhante, enriquecendo-nos de amor e coragem para a realização dignificante.

Confirma com a Tua autoridade superior as nossas disposições de crescimento e ampara-nos sempre, porquanto, sem Ti, jamais lograremos superar as paixões que nos escravizam, impedindo-nos a felicidade a que nos destinas.

Senhor, despede-nos em paz!”

Em clima de elevação, o trabalho foi concluído.

Resumo elaborado por Adilson Pereira. Favor manter os créditos.

29.MECANISMOS DE RECUPERAÇÃO

 A senhora Angélica despertou sob forte impressão, recordando-se que havia sonhado com Juvêncio, Dr. Bezerra e a filha. Ela telefonou a Roberto que também recordou parcialmente do “sonho”  envolvendo a sogra, a esposa e um médico. Combinaram de jantar para falar do assunto.

D. Angélica telefonou para Cibele, sua amiga espírita que lhe falou sobre Bezerra de Menezes. Graças a essa amizade, D. Angélica, embora católica, passou a suplicar a intercessão do apóstolo da caridade do Brasil, para auxílio de Julinda.

Cibele recebeu a notícia do “sonho” com muita emoção e alegria, explicando a sua amiga o sucesso de suas preces, a ajuda real alcançada e o fato de tudo ter acontecido em desdobramento na sede da sociedade frequentada por ela. Cibele lhe contou que no dia anterior a casa se dedicou a trabalhos mediúnicos. Dona Angélica tinha agora a certeza, pois Cibele era pessoa de bem e de moral suficiente para inspirar confiança. Cibele já havia falado com sutileza sobre a doença de Julinda e a possibilidade de obsessão.  

D. Angélica agradeceu a bondade da amiga e assumiu o compromisso de conhecer melhor o espiritismo.

A noite Roberto e sua sogra conversaram mais detalhadamente sobre o “sonho”. Roberto se lembrava da menção a um aborto provocado por sua esposa, da promessa de paternidade futura e da criatura animalesca indicada para ser seu filho. Os dois marcaram uma visita a Julinda.

No apartamento de Julinda, Dr. Figueiredo recebeu o grupo. A paciente estava lúcida, calma porém melancólica, dado o arrependimento pelo aborto. Ela pensava em ser mãe quando saísse dali. A separação de Ricardo e a interferência dos amigos espirituais fizeram bem a paciente, que surpreendeu a enfermeira, aceitando comer.

Juvêncio estava encarregado de evitar a influencia de Elvídio e seus comparsas. Aplicava passes em Julinda para dispersar as cargas mentais viciadas que ela ainda produzia em sua depressão.

A enfermeira dedicada estava tão entusiasmada com a melhora que chamou o médico. Dr. Alberto, estudioso sincero da Psiquiatria, havia se comprometido no plano espiritual com a tarefa de fazer uma ponte entre a ciência clássica e as manifestações paranormais, entre as quais a mediunidade. No momento o jovem se dedicava a Psicocêntria da escola americana e já havia lido Trinta anos entre os mortos de Dr. Karl Wickland.

Dr. Adalberto conversou com Julinda e viu em sua tristeza um sinal de recuperação, fato que o fez diminuir a dose dos remédios e recomendar a enfermeira passear com a paciente no dia seguinte. Julinda pediu a presença da mãe e do esposo e Dr. Adalberto prometeu providenciar.
Para melhorar a psicosfera do apartamento, ainda desagradável, Bezerra orou e após explicou que:

“- Em toda gênese da loucura há uma incidência obsessiva. Desde os traumatismos cranianos às manifestações mais variadas, o paciente, por encontrar-se incurso na violação das Leis do equilíbrio, padece, simultaneamente, a presença negativa dos seus adversários espirituais, que lhe pioram o quadro...”

“Nas obsessões, todavia, o descontrole da aparelhagem mental advém como consequência da demorada ação do agente perturbador, cuja interferência psíquica no hospedeiro termina por produzir danos, reparáveis, a princípio, e difíceis de recomposição, ao longo do tempo.”

“Processos obsessivos existem, como na possessão, em que o enfermo passa a sofrer a intercorrência da loucura conforme os estudos clássicos da Psiquiatria.”

Após a explanação, o mentor movimentou energias, dissolvendo as cargas negativas residuais no ambiente e Juvêncio comunicou aos dois vigilantes de Elvídio que o Bem estava no comando. As entidades se afastaram para reportarem-se ao chefe que imediatamente se fez presente com sua caravana perturbadora.

Bezerra os recebeu com doçura, sem ressentimento ou temor e afirmou que Ricardo se afastara para recuperar-se moralmente. A irradiação serena de Bezerra irritou Elvídio que se retirou. Dr. Figueiredo destacou dois auxiliares desencarnados para cooperarem com Juvêncio na guarda de Julinda.

Nos trabalhos desobsessivos, os cooperadores devem estar cientes dos esforços no plano espiritual e manterem-se em boa sintonia com os amigos espirituais, com atitudes coerentes com suas tarefas, em prece e vibração de amor fraterno, tanto para com os obsediados, quanto para com os obsessores. Só assim podem cooperar com a modificação da paisagem psicofísica.

A oração em grupo de criaturas afeiçoadas ao bem, resulta nos mais expressivos efeitos de assistência mediúnica , produzindo emissões de luz que atingem o fulcro1 a que se dirigem, fortalecendo o dínamo2 gerador que as disparam.
“Afirmava Tiago, na sua epístola universal, conforme capítulo V, versículo 16: 

“Orai uns pelos outros, a fim de que sareis, porque a prece da alma justa muito pode em seus efeitos.

1 fulcro = essência, âmago, fundamento, princípio
2  dínamo = gerador de energia. Trata-se de um aparelho capaz de transformar energia mecânica em energia elétrica por meio do processo de indução eletromagnética.


Resumo elaborado por Ana Cecília Santos. Favor manter os créditos.



30.REENCONTRO FELIZ

Dr. Alberto liberou Julinda para receber a visita dos seus familiares. Agora em fase de renovação mental, ela já não sofria os efeitos da presença psíquica de Ricardo e da psicosfera mantida por Elvídio.

Dr. Bezerra convidou o grupo para participar do reencontro com os familiares, a fim de cooperar com a recuperação de Julinda.

O reencontro foi sábado, em uma sala de estar agradável. Ao ver a mãe e Roberto, Julinda, apesar de ainda ter debilidade orgânica, abraçou-os em lágrimas, comovendo a todos. Ela lamentava todo o sofrimento que estava passando, porém Roberto a consolou dizendo que todos estavam unidos na mesma dor e solidários.

O médico que estava presente também fez um comentário oportuno. Ele disse que a lamentação cria miasmas que deprimem e intoxica a pessoa, instalando o pessimismo. Ao contrário, os bons pensamentos melhoram a faixa mental. Por isso, que qualquer religião estimula a coragem e a confiança, o perdão é a fé, a humildade e a paciência, mantendo o equilíbrio emocional. Uma boa palavra, dita com entusiasmo, faz o hipotálamo liberar endorfina, bloqueando a dor. O mau humor causa desconforto interior e desajuste emocional.

D. Angélica ficou surpresa com os conhecimentos do doutor e perguntou se ele era religioso. Ele esclareceu que não, porém durante sua vida acadêmica em psiquiatria, refletia muito sobre Deus e, concluiu que o sobrenatural não passa de acontecimento explicável numa mecânica não necessariamente física - "Afinal, tudo é  energia em diferente estado de apresentação." - " Assim, o pensamento é força que estrutura e modela formas, interferindo em áreas muito mais amplas da vida.”

Depois dessa agradável conversa, o médico se retirou para que os familiares aproveitassem a visita.

Dr. Bezerra aproximou-se de Julinda e aplicou-lhe uma indução mental, fazendo-a recordar algo importante. Então, ela confessou ao marido e a mãe que havia abortado e que estava arrependida, desejava o perdão de Deus e dos dois. Apesar de surpresos com a notícia, eles compreenderam a profundidade daquela confissão. 

D. Angélica, inspirada por Juvêncio, falou que Deus é toda bondade e iria perdoá-la. 

Julinda se sentia aliviada por ter tirado esse peso de sua consciência. E, que estava disposta a ser mãe, mesmo não sendo totalmente de seu agrado, mas seria uma forma de reabilitar-se. Ela esclareceu que essa mudança de atitude só ocorreu após o sonho que ela teve.  Sua mãe orientou que ela orasse para sentir-se em paz.

Após os familiares irem embora, seu médico retornou e avisou que em alguns dias ela teria alta. 

Nos processos obsessivos, a vitória depende do próprio doente, após receber ajuda do plano superior, que auxilia no entendimento e no discernimento das responsabilidades.

Julinda era de temperamento difícil, e por passar por um processo obsessivo continuo, adaptou-se à situação, rebelde derrapando em caprichos e extravagâncias tão inúteis e perniciosas. A enfermidade lhe proporcionou refletir sobre a importância da saúde e que tinha a oportunidade de ser feliz. 

O encontro espiritual que ela teve fez mudar a sua escala de valores, permitindo a melhora da sua saúde. Vários fatores a ajudaram na fluidoterapia proporcionada por D. Bezerra e seu pai, Juvêncio: o afastamento de Ricardo, com sua ação destruidora, o desejo de recuperação, o esforço para fugir do remorso através da maternidade, a luta contra a depressão para retornar ao lar.

Julinda inspirada e amparada, cooperou, facilitando o socorro que lhe foi administrado. Por isso, que durante o passe, a disposição do paciente é fundamental para os resultados, já que a má vontade tem alto teor destrutivo, que flui do interior para o exterior da pessoa, anulando a energia que fui de fora para dentro.

No dia seguinte, D. Angélica avisou a sua amiga Cibele do reencontro com a filha. A médium estava confiante, e pediu se poderia levar até a casa dela, o presidente da casa espírita, Arnaldo.

Á noite, D. Angélica estava um pouco apreensiva  devido aos comentários ácidos e deprimentes que já tinha ouvido sobre a Doutrina Espírita. Porém, lembrou-se da vida de amor e caridade de Dr. Bezerra, e recuperou a serenidade.

Arnaldo conquistou os anfitriões com a serenidade  e simpatia que irradiava, dando uma agradável impressão. Roberto contou sobre o quadro maníaco-depressivo da esposa e a sua melhora progressiva, e pediu a opinião de Arnaldo.

Desta forma, Arnaldo esclareceu que para os espíritas todos os problemas têm origem no próprio indivíduo. É o Espírito, o agente de tudo que o afeta. Evoluindo através de novas experiências, reparando erros, começando novas tarefas, corrigindo as anteriores, e armazenando sabedoria, crescendo em amor e conhecimento.

Durante a jornada, muitas vezes compromete-se com o mal, atraindo animosidades e gerando inimigos, libertando-se através dos sofrimentos e testemunhos de arrependimento, de amor. Assim, é que surgem obsessões que decorrem de faltas cometidas pela vítima atual, em oportunidades outras, que não foram reparadas. A culpa do obsediado instala uma tomada psíquica que pluga com o seu desafeto, consciente ou inconscientemente, gerando intercâmbio psíquico entre eles, com o domínio mental do obsediado pelo obsessor.

No caso em que a falta é muito grave, a ação do pensamento destrutivo do obsessor causa o desgaste das estruturas moleculares do periespírito, gerando processos de loucura ou alucinações, deformidades mentais, limitações psíquicas, distúrbios fisiológicos, ou seja enfermidades reparadoras das imperfeições.

Assim, que o indivíduo é o responsável pelo seu destino. Durante o processo evolutivo, seja pelo trabalho ou pela dor, há sempre interferência de adversários desencarnados, que dificulta a prova de resgate. Porém, sempre teremos a inspiração dos Bons Espíritos que nos amparam e auxiliam na nossa ascensão, desde que estejamos em sintonia com eles, atendendo-lhes os conselhos.

Então, Arnaldo disse a Roberto que não descartava um processo obsessivo em Julinda. Este perguntou como seria possível Julinda ter melhorado se ainda não havia recebido tratamento espiritual.

Arnaldo, inspirado por Dr. Bezerra, esclareceu que a ação dos Bons Espíritos não ocorre só durante as seções espíritas. "O amor de Deus não tem limite e a Sua misericórdia manifesta-se das formas mais variadas, de que esses Mensageiros da Luz não poucas vezes fazem-se intermediários."

Uma prece verdadeira, um pensamento piedoso ou o interesse real por uma pessoa, uma atitude socorrista ou um gesto de bondade atraem a ajuda dos Espíritos Superiores, que nos guiam e aparam. 

No caso de Julinda, as orações sinceras suplicando auxílio, foram respondidas.  A ajuda recebida desenvolveu-se além da esfera física, desembaraçando Julinda das energias viciosas ou libertando-a de uma interferência obsessiva. 

Dona Angélica concordou, pois havia orado para Jesus e posteriormente para Dr. Bezerra. Durante uma noite no carnaval, pediu a intermediação de Jesus e sentiu um bem-estar agradável. 

Após a oração ela adormeceu e sonhou com Julinda em uma situação constrangedora, porém acordou serena e confiante. E tanto ela, Roberto e Cibele tiveram o mesmo sonho naquela noite. 

Resumo elaborado por Débora Loures. Favor manter os créditos.

31. RETORNO AO LAR

A fluidoterapia continuava sendo aplicada em Julinda.

Afastada a causa da perturbação, a paciente inspirada pelos amigos espirituais, foi modificando a paisagem mental, adotando comportando de raciocínios mais profundos e positivos.

O tratamento psiquiátrico contribuía para a harmonização do sistema nervoso, possibilitando que a paciente recebesse alta após 10 dias.

D. Angélica sugeriu ao genro que se hospedassem em sua casa a fim de evitar sobrecargas das tarefas diárias para paciente.

A aparência de Julinda era agradável, embora sua face ainda apresentasse ligeira contratação, uma espécie de tique nervoso.

Quarenta dias haviam transcorridos desde do início do tratamento especializado. A assistência espiritual, começara com a primeira visita do mentor.
Todos estes cuidados em ambas as esferas de ação da vida, para ter um efeito duradouro dependia da própria paciente.

“A presença da obsessão no homem é síndrome de mediunidade nele presente. A direção moral e a atividade que se apliquem a essa faculdade responderão, de futuro, pelos resultados que se incorporarão ao modus vivendi da pessoa”.

“Regularizado o problema da obsessão, abrem-se as possibilidades mais amplas para o exercício das faculdades mediúnicas. Liberado do esquema de dificuldade pessoal, não implica, de imediato, haver-se resgatado a dívida. Além disso, nasce o dever de contribuir em favor do próximo envolvido em inquietações semelhantes...”.

Irmão Arnaldo, sugeriu a Roberto que lesse O Livro dos Espíritos. Roberto deteve-se na Introdução da Obra, observando os critérios adotados na elaboração do Livro, a gravidade do assunto...

Chamou-lhe a atenção, o caráter moral, o conhecimento intelectual, o discernimento e a austeridade de Kardec diante dos desafios que se apresentaram ao iniciar os trabalhos que foram superados pela perseverança e paciência.

A medida que se aprofundava no conteúdo da Obra, mais necessidade tinha de conhecer as mais variadas questões. Em uma semana defrontou um universo novo, fascinante, desmitificado, abrindo-lhe o entendimento para a fé raciocinada.

D. Angélica, que tinha como religião o catolicismo, recebeu da amiga Cibele o livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.

A leitura de conteúdo cristão, elucidava as palavras de Jesus, cuidando especificamente, do sentido moral de sua Doutrina.

Esclarecendo através da reencarnação a Justiça Divina e projetando luz ao entendimento das palavras de Jesus e Suas Diretrizes a respeito da vida, da imortalidade, dos renascimentos corporais e da ação da caridade.

No lar, a psicosfera era agradável, proporcionando renovação e entusiasmo a paciente.

Passados alguns dias, Julinda se sentia mais forte para falar sobre os dias de pavor que havia passado. Falou de um ser que a ameaçava, magoado e vingativo. Pensou que fosse alucinação, mas viu que se tratava de um homem e que este muitas vezes estava acompanhado de outros não menos cruéis e zombeteiros, estimulando-a ao suicídio. Antes do internato estava atormentada sem um motivo aparente.

Impelida por um estranho a praticar o aborto, um poderoso sentimento de revolta manifestou-se contra o ser em formação e foi quando tudo se modificou para pior.  A consciência a acusava, proporcionando uma ponte para aqueles que desejavam vingança.

Durante o período de tantos sofrimentos inenarráveis, certo dia sonhou com um ser angelical, arrependeu-se do aborto e predispôs-se à maternidade, iniciando-se, uma nova fase...

A conversação atraiu-nos e passamos participar daquele momento elevado. Desta forma, Dr. Bezerra tocando as têmporas de D. Angélica passou a inspirá-la, que gentilmente disse acreditar na narrativa da filha.

D. Angélica diz que ela e o genro vinham adquirindo uma compreensão diferente da que tinham anteriormente. Estava lendo o livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, especificamente o Capitulo XII – Amai os vossos inimigos, item 6, detendo-se no seguinte texto:

“Outrora, sacrificaram-se vítimas sangrentas para aplacar os deuses infernais, que não eram senão os maus Espíritos....

O Espiritismo demonstra que esses demônios mais não são do que as almas dos homens perversos, que ainda se não despojaram dos instintos materiais; que ninguém consegue aplacá-los a não ser pelo sacrifício do seu ódio, isto é, pela caridade; que esta não tem por efeito, unicamente, impedi-los de praticar o mal e, sim, também o de os reconduzir ao caminho do bem e de contribuir pela salvação deles. É assim que o mandamento: Amai os vossos inimigos não se circunscreve ao âmbito acanhado da terra e da vida presente, antes faz parte da grande lei de solidariedade e da fraternidade universais”.

D. Angélica diz que o texto explica perfeitamente o que estava acontecendo com Julinda e ela estava convicta de que os Espíritos interferem na vida dos homens, tanto os bons quanto os maus...

Como exemplo, D. Angélica cita quando Jesus esteve com Elias e Moises no Tabor e, quando expulsou os maus Espíritos ou demônios, como eram então chamados, daqueles que lhes sofriam perseguições.

Julinda estranhando a conversação de sua mãe, pergunta se ela abandonou o catolicismo em prol da Doutrina Espirita. D. Angélica responde que por enquanto não e passou a narrar as experiencias que havia tido através dos sonhos.

A amiga Cibele e do Sr. Arnaldo ofereceram esclarecimentos sobre o assunto.
Julinda demonstrou sincero interesse e o desejo de conhecer pessoalmente o Sr. Arnaldo.

Roberto expôs, as próprias surpresas, referindo-se a leitura do “Livro dos Espíritos”, que respondia várias questões sobre a vida.

Os comentários se alongaram sem qualquer carga negativa de preconceitos, que deturpam os fatos. Decidiram convidar o Sr. Arnaldo e D. Cibele para o próximo domingo.

Inspirada pelo Dr. Bezerra, D. Angélica propôs que fizessem uma oração de graças, produzindo indizível bem-estar em todos.

No dia combinado, os convidados compareceram, sendo que D. Cibele estava acompanhada do esposo, também seguidor dos postulados Espiritas, iniciando-se assim, uma amizade duradoura.

Fomos convidados pelo Mentor a participar deste encontro para acompanhar e observar a grandeza da fé nascente naquelas criaturas.

A conversação era agradável, onde foram examinadas as questões de grande importância como obsessão, imortalidade, comunicabilidade dos Espíritos e reencarnação...

Julinda, que mais necessitava da educação das suas faculdades mediúnicas, e sua família comprometeram-se em participar das reuniões de estudos na Casa Espírita.

O Clima era de promessas de paz e de trabalho. D. Angélica pediu ao Irmão Arnaldo que fizesse uma prece.

Dr. Bezerra e sua equipe partiriam para novas tarefas após a prece do Irmão Arnaldo, pois a parte que lhes diziam respeito tinha sido finalizada. Retornariam quando do retorno de Ricardo e de Alfredo.

A oração de D. Angélica havia sido atendida. Julinda tinha retornado ao lar
Irmão Arnaldo, sintonizado ao amoroso benfeitor, passou a orar.

Ao final da prece todos estavam emocionados, com os olhos umedecidos pelas lágrimas.

Resumo elaborado por Francisca Passos. Favor manter os créditos.

Próximo livro: Sexo e Obsessão - Manoel Philomeno de Miranda por Divaldo Franco


sábado, 24 de março de 2018

Nas Fronteiras da Loucura - Sexta Parte


NAS FRONTEIRAS DA LOUCURA

Data da reunião: 21/03/2018


26. CONSIDERAÇÕES E PREPARATIVOS
Após o choque anímico do primeiro atendimento à Ricardo, este passou a ter sensações mais agradáveis. No momento em que recebeu os fluidos salutares de Jonas, experimentou uma rápida desintoxicação, que modificou a densa psicosfera em que se encontrava.
Há muito tempo não experimentava tais sensações agradáveis... a hostilidade contra Julinda, a esperança do retorno ao plano físico e a decepção causada pelo aborto provocado geraram choques violentos, perturbando-o imensamente.
“Habituava-se à alimentação, igualmente venenosa, que absorvia da sua hospedeira na ultriz(vingadora) obsessão. Acompanhara-a, desde cedo, e maltratara-a, perturbando-lhe o equilíbrio por largos anos.”
Os méritos espirituais e o amor de D. Angélica, tanto quanto a ternura e afeição de Roberto, o marido, formaram uma proteção fluídica que detinham os dardos mentais do adversário invisível.
Ricardo ainda perturbado temia perder a presa e retorna ao apartamento de Julinda, no hospital. Percebeu que ninguém é bom juiz em causa própria, tampouco é senhor absoluto do próprio destino...
A revolta do obsessor era porque Julinda e ele, estavam recebendo Divino Auxilio da Espiritualidade Superior, e não da forma que ele gostaria.
Pensava que ainda ouviria Elvídio e combinariam novo plano, mas sentia-se tão cansado.
O choque anímico decorrente da psicofonia controlada, fez com que entrasse em sono profundo, de reminiscências desagradáveis impressas no períspirito, devido a descontrole de paixões inferiores.
Revivia, naquele momento, acontecimentos pretéritos, trazendo clichês mentais há muito arquivados. Mas tudo isto fora previsto pelo Benfeitor a fim de se produzir uma purificação inconsciente, para a futura libertação psicoterápica.
Ao término da sessão mediúnica para os encarnados, os Espíritos permaneceram trabalhando em suas áreas de ação: equipes encaminhavam os que foram socorridos ao Subposto de emergência, a fim de tratá-los nas Colônias de socorro próximas da Crosta.
Manoel Philomeno observa que no decorrer das horas, a Instituição Espírita era visitada por pessoas de ambos os lados da vida, que vinham receber atendimento, apresentar solicitações e servir.
“Realmente, o sono fisiológico, facultando o parcial desprendimento do Espírito, não deixa de ser um exercício para a desencarnação.”
Poucos os encarnados que recordariam das atividades desenvolvidas naquele período de “morte da consciência cerebral”.
Pouco depois da meia noite Philomeno observa Jonas, o médium, chegar à Instituição, assistido por Genézio, que o fora buscar, facilitando o seu deslocamento.
Jonas era médium dedicado e abnegado, vivenciava a Doutrina Espírita. Aos 45 anos, o médium esplendia juventude física, sem mostrar desgaste ou cansaço na máquina fisiológica.
“Transpirava paz no semblante jovial, sem contrações deformantes, ao mesmo tempo denotando madureza e responsabilidade.”
Miranda percebeu que ele não era casado, nem tinha filhos e não demonstrava interesse maior em compromissos matrimoniais, desta forma apresentava-se mais livre e despreocupado.
Genézio esclareceu que Jonas reencarnara com graves compromissos no campo da afetividade, relativo a experiências passadas.
O sexo é departamento divino, devemos utiliza-lo com objetivos de elevação, da mesma forma toda nossa organização fisiológica deveria ser utilizada para a nossa evolução e não queda.
“Bem poucos, temos sabido valorizar a sexualidade com o respeito e a compreensão que merece. Não poucas vezes, temos derrapado, lamentavelmente, no exercício das funções genésicas, transformando-lhes o uso enobrecido em abuso degradante...”
Jonas vem de experiências, recentes, no sacerdócio católico, mas apesar do grande amor por Jesus, não conseguia superar sua viciação na área sexual; duas vezes reencarnou com o compromisso de servir, para elevar-se moralmente. Poderia ter formado família, porém decidiu eleger-se ao celibato religioso, disciplinando-se na castidade... Mas suas imperfeições pretéritas eram muito fortes e negativas e, sucumbia as viciações sexuais. Ele não possuía força moral suficiente para assumir a responsabilidade que lhe competia, consorciando-se, como seria o normal, deixou-se levar de erro a erro, piorando cada vez mais a sua situação.
“Despertando, em definitivo, no último retorno, e inteirando-se das bênçãos que ‘O Consolador’ esparzia, na Terra, rogou treinamento e oportunidade para volver, em serviço de redenção, na mediunidade espírita. Portador de outros títulos de enobrecimento, foi encaminhado a reencarnação sob recomendações especiais para manutenção do EQUILÍBRIO, a DISCIPLINA DA VONTADE e a CORREÇÃO DA CONDUTA...”
Naquele momento Jonas recebia instruções do Dr. Bezerra para a continuação dos trabalhos...
E Genézio concluiu: “Jonas solicitou a provação da soledade (solidão), a fim de SUPERAR-SE. Desejou fazer-se eunuco, conforme o conceito evangélico... É certo que um matrimônio digno, em que a comunhão pela sexualidade não se tresvaira, não deixa de ser uma união casta, pela superior conduta que os cônjuges se facultam. Ele, porém, desejava a superação dos antigos condicionamentos, renascendo para uma oportunidade nova e definitiva de crescimento íntimo.”
Começou seu treinamento mediúnico na erraticidade experimentando os aguilhões que o levariam ao exercício do dever reto.
“A Terra é o campo de lutas e de aprendizagem, no qual a dor exerce função significativa.”
“O terreno do progresso está assinalado pelas dificuldades e os problemas se multiplicam a cada passo.”
Jonas tem recebido agressões de todos os lados: adversários do bem, adversários pretéritos espirituais que perseguem-no através de encarnados invigilantes, em tentativas infrutíferas de perturbação e queda.
“Almas queridas se acercam, restabelecem-se os vínculos da afeição, que ele vai transformando, ao largo do tempo, em amor fraternal, trabalhando os próprios sentimentos com SILÊNCIO E RENÚNCIA, assistência aos que sofrem e orações, exercitando a vigilância e a alegria de viver...”
Jonas, por esforçar-se no bem, sendo um fiel servidor de Cristo, granjeia amigos espirituais; simpatizando consigo o auxiliam sempre, em todos os momentos.
“Ninguém transita numa praça de guerra em pleno combate sem sofrer, ao menos a perturbação da fuzilaria alucinante, quando não se torna vítima de projéteis certeiros ou petardos danosos. Nesse clima, porém revelam-se os verdadeiros heróis.”
Bezerra convida Philomeno para se informar do que ocorrerá no atendimento de Ricardo e Julinda, relativo a problemática obsessiva, que exige cuidados especiais, verificando-se que foi estabelecido um vínculo fluídico entre Jonas e Ricardo, no momento da psicofonia. Naquela noite, o atendimento espiritual, no momento do sono físico de Jonas, seria mais profundo e indispensável. Ricardo, impregnado com os fluidos energéticos de Jonas, dorme, o que facilitará o processo de terapia desobsessiva.
Desta forma, Bezerra e seus assistentes retornaram ao apartamento de Julinda, no hospital psiquiátrico. Dr. Artur Figueiredo também participaria das atividades, da mesma forma que o pai de Julinda, Juvêncio, a mãe Angélica e o marido Roberto.
Os colaboradores de Elvídio que guardavam o apartamento nem notaram a presença dos Benfeitores; Julinda repousava prostrada sob efeito de fortes medicamentos.
Ricardo estava agitado, ainda pelo choque anímico... mas com a fluidoterapia de Bezerra tranquilizou-se entrando em sono profundo.
Retornaram todos à Instituição sob uma cortina vibratória que os tornava invisíveis aos guardas de Elvídio.
Na ausência do grupo, Genézio e outros cooperadores preparavam a reunião, através de leitura do Evangelho Segundo o Espiritismo, consolidando o ambiente psiquicamente, para recebe-los e iniciar a tarefa de desobsessão.
Os pacientes, Julinda e Ricardo, e Angélica e Roberto, não perceberam no momento o que acontecia.
Bezerra esclarece que aquele trabalho poderia ser executado durante as atividades habituais da Casa Espírita, com a participação dos trabalhadores da mediunidade, mas diante da necessidade de irem as causas mais profundas daquela problemática obsessiva, acreditavam ser melhor não utilizar os trabalhadores em vigília, pelo fato da excessiva distração dos encarnados, do cansaço que os toma, inclusive ao sono que se entregam sem o desejarem.
O Benfeitor nos informa da invigilância dos trabalhadores da mediunidade, onde se deixam levar pelo torpor mental, que os induz a sonolência. Tombam por desinteresse da tarefa, estabelecendo ligações com mentes perversas que os bloqueiam impedindo-os de aprender e servir e, muitas vezes atrapalham os trabalhos de socorro.
Bezerra ainda esclarece da responsabilidade do trabalhador, consciente da significação daquele labor espiritual, manterem-se atentos e vigilantes; descansando fisicamente e mentalmente um dia antes da reuniões mediúnicas.
Miranda prestava atenção nos companheiros que fariam parte daquele atendimento, estavam relativamente lúcidos, não obstante as limitações naturais em experiências no desbobramento físico.
Dr. Bezerra esclarece que estão diante de um grupo mediúnico de desobsessão, portador de qualidades superiores graças ao conhecimento espírita de que os seus membros se fazem possuidores, da mesma forma sua dedicação ao bem.
O Mentor ainda nos diz que devemos ter muito cuidado com nossos pensamentos, porque depois das reuniões dedicadas ao serviço de amor e caridade, nós nos deslocamos mentalmente aos pensamentos desagradáveis, somos absorvidos por outras áreas de interesse e ficamos invigilantes.
Assim, são poucos os trabalhadores que podem ser utilizados em serviço de tal porte, durante o desdobramento do sono físico.
A televisão traz as nossas casas, altas cargas de informações deletérias, com mensagens negativas. Quando desligadas, nem sempre o telespectador se desliga daquelas informações e, durante o sono, agita-se podendo trazer sérios distúrbios ao seu equilíbrio e a paz pessoal.
“Seria ideal que os cooperadores encarnados, após o encerramento dos trabalhos mediúnicos se mantivessem, quanto possível, no clima psíquico que fruíram durante a reunião, meditando no que ouviram, digerindo mentalmente melhor as comunicações, incorporando aos hábitos as lições recebidas, orando... Tal atitude, que lhes será sempre de alto alcance positivo, ajudar-nos-á a contribuir para que se melhorem moralmente por prosseguirem em ação edificante e aprendizagem, no desdobramento que os compromissos espirituais a todos facultam.”
Bezerra profere a prece de abertura para o início dos trabalhos.
27. MERGULHO NO PASSADO
Todos estavam concentrados no propósito superior de auxílio naquela problemática obsessiva, algo inverso da visão imediatista das criaturas encarnadas.
Para o grupo o drama mais dolorido era o de Ricardo, que fora martirizado por consecutivas aflições e desconforto. Ele padecia da loucura vingativa e necessitava de atendimento urgente.
Ele e Julinda estavam colhendo exatamente o que semearam; para libertar Julinda era necessário libertar primeiro Ricardo.
O Mentor, com uma oração ungida de amor, transfigurou-se e esclareceu todo o grupo quanto as finalidades especiais daquele trabalho.
Alertou da necessidade de:
·         Controlar nossos pensamentos e não julgar antecipadamente;
·         Sempre guardar uma postura íntima de piedade cristã em relação ao próximo;
·         Quando o amor sem fronteiras nos comanda o raciocínio, sempre acertamos no bem.
“Todos somos necessitados do auxílio do Senhor, seja qual for a faixa evolutiva em que transitemos. Desse modo, auxiliemos!”
Bezerra aplica passes em Julinda, dispersando de seu períspirito fluidos pesados e substancias antidepressivas que a anestesiavam, mantendo-a em sono profundo. Juvêncio realizava o mesmo processo em Angélica, que despertou quase de imediato.
A viúva despertou e tentou descobrir onde estava, quase lúcida identificou o marido desencarnado, que a abraçou com ternura e a informou que estavam reunidos naquele momento por conta de suas preces, com o propósito de socorrer a filhinha querida.
E que aquele que perturba Julinda, merece o igual afeto de que é dedicado a ela... “acautelemo-nos contra o favoritismo pessoal em detrimento da afeição generalizada...”
Roberto também fora despertado para participar da sessão. Ele acordou lentamente, sem saber onde estava. Identificou a sogra com certa dificuldade e fora apresentado ao sogro, pois não o conhecera no plano físico.
As qualidades morais positivas daqueles encarnados favoreciam com o equilíbrio necessário para aquela atividade.
Julinda despertou muito perturbada, com fixações mentais negativas que assumiam o caráter de pavor! Pensou que Bezerra fosse um severo juiz!
Em pranto rogava o perdão, como se estivesse sendo julgada (era a sua consciência!).
Com passes na região coronária e no epigástrio, a envolveu com energias positivas, deixando-a tranquila e abstraída do ambiente e dos que lá estavam.
Agora era a vez de Ricardo despertar! Ainda agitado, mas consciente que estava sob controle, começou a ameaçar o grupo. Um misto de sentimentos o dominavam: revolta, decepção, mágoa, desespero e desejo de vingança.
Intitulou-se vítima e queria fazer a sua justiça!
Bezerra em silêncio, mantinha-o sob ação psíquica, não controlava suas palavras, mas impedia-o de atitudes precipitadas ou inconvenientes.
O Benfeitor falou-lhe com serenidade:
“Somos todos vítimas...de nós próprios. Os nossos mapas de ação apontam mais rumos infelizes do que roteiros de acerto.”
O ódio maltrata aquele que o gera e a vingança é algoz oculto que vence quem a cultiva e estima.
Bezerra o convida a estudarem juntos as causas dos males que o afetam, assim como os desafetos e buscar soluções para a felicitação de todos.
O Mentor esclarece que todos estamos em constante aprendizado para evolução e, que desejam apenas auxiliá-lo e ampará-lo, no propósito da paz e edificação da felicidade geral.
Ricardo recebia os fluidos psíquicos do Mentor e aquietou-se, mas com o semblante de rancor e sofrimento.
Jonas sentou-se numa cadeira isolada, a frente de um semicírculo e colou-se em atitude de concentração profunda.
Entram na sala dois cooperadores, trazendo numa maca um espírito desesperado, com forma perispiritual gravemente afetada, com caracteres simiescos, similares com um chimpanzé.
O médium sentiu um certo mal-estar por conta do desequilíbrio psíquico da Entidade, que emanava cargas escuras de seu períspirito.
Através da sintonia fluída, houve o magnetismo e a transfiguração atormentada, através do médium, que retratava fielmente o que o Espírito experimentava.
Era a oportunidade de amenizar as aflições daquele irmão sofredor.
O períspirito de Jonas, através da transfiguração, passou a apresentar os caracteres deformados; era uma cena constrangedora, na sua exteriorização grotesca.
Identificaram a zoantropia (é o fenômeno em que espíritos desencarnados devotados ao mal se tornam visíveis aos homens sob formas de animais) num Espírito que veio de uma encarnação masculina.
“Os olhos avermelhados, miúdos, moviam-se nas órbitas da organização mediúnica, e os braços alongados, balouçavam em movimentos desordenados. A boca larga, descomunal, numa face típica dos macacos, babava, denotando estado avançado de ferocidade.”
Julinda e os demais de seu grupo familiar não percebiam a ocorrência. Mas Ricardo estampava na face o semblante do horror!
Bezerra exalava amor, agia com calma e segurança, para que a comunicação ocorresse sem danos para o trabalhador encarnado, portador de grandes qualidades de sacrifício pessoal.
A transfiguração estava completa, não se sabia se Jonas se acoplara ou se fora o inverso. O Mentor apiedado falou: Seja bem-vindo irmão querido, seu martírio começa a diminuir...anunciando-se próximo o seu termo.
A Entidade que perdera a faculdade da palavra registrou o pensamento, mas não entendeu a frase...sentiu uma enorme angústia.
E o Mentor continua: Os longos anos de sofrimentos cessam e ressurges como o dia em triunfo...após a noite densa.
Bezerra fala ao sofredor que a misericórdia divina alcança a todos, mesmo quando nos envolvemos no abismo do ódio irracional. Foi o que acontecera com ele!
“Hoje iremos recordar, pela última vez, toda a tua tragédia, a fim de que a esqueças, abençoando-a com o perdão.”
O Espírito reagiu com a fúria e desconcerto inicial, contido pelo psiquismo do médium e pelo controle mental de Bezerra.
Concentrado na ideia de ódio, que fora o agente daquela situação dolorosa, por longos anos, deformou o próprio períspirito conforme a aspiração íntima que acalentava.
“O desejo irrefreável de vingança, a alucinação decorrente da sede de desforço não logrado respondiam pelo auto -supliciamento que ele a si mesmo se impusera.”
A troca de fluidos perispirituais, naquela manifestação mediúnica, de Jonas e da Entidade, onde os seus períspiritos se afinizaram, fizeram com que o períspirito do sofredor se remodelasse, preparando-o para a próxima reencarnação e, equilibrava as suas reações.
“(...)Nesta nova oportunidade, o perdão substitui o ódio e o amor sobrepõe-se a vingança.”
Bezerra esclarece que quem o feriu também sofre, e sem paz, vive na loucura, cobrando outros e acreditando-se vítima.
“Chega o momento de interromper-se a cadeia sucessória da loucura que odeia e malsina.”
“A vida é amor...”
A Entidade de olhos avermelhados estava colérica!
Os participantes da equipe estavam em perfeita comunhão mental de propósitos e irradiavam amor e ternura, simpatia e piedade.
Ricardo disse que iria retirar-se e Bezerra sinalizou para que os cooperadores ficassem atrás dele, em suas costas, vigilantes.
Ao som da voz de Ricardo, o comunicante ergueu o médium e olhou para todos até que pudesse identificar quem falava.
Era um exemplo de transfiguração tormentosa, porquanto o médium ‘desaparecera’ para dar lugar a Entidade.
Miranda alerta que se o grupo não estivesse preparado para a cena rude, proporcionaria pavor e repulsa.
Era um irmão, que pelo excesso de desespero, desfigurou-se assumindo uma forma perispirítica dantesca.
A flechada de ódio da Entidade chegou até Ricardo, mas Bezerra controlava todo o ambiente.
“Que tem esse animal contra mim?” Perguntou Ricardo.
Bezerra esclarece que aquele animal, era um irmão que fora vítima de suas ações maléficas, em passado não muito distante...
Ele que se acreditava vítima de Julinda, esquecia das pessoas que havia deixado tombadas pelo caminho.
“Não tenho relacionamento com bichos, especialmente com esses que se entregam aos Falcões(*) ...recordo-me somente do mal que me fizeram.”
Bezerra diz a ele que quem prejudicou sempre esquece a dor do prejudicado. Mas o vínculo do sentimento, seja ele bom ou ruim, jamais cessa.
O Benfeitor disse que não está na posição de juiz, é um companheiro de luta, em nome da fraternidade para o exercício do amor, conforme os ensinamentos do Cristo.
Ainda diz a Ricardo que ele não poderá fugir da verdade nem da justiça; quer justiça para Julinda, mas foge das suas próprias dívidas.
“Este é o teu momento na estrada de Damasco da tua redenção. Qual Saulo, invigilante e enlouquecido, defrontas Jesus, simbolizado no amor, que deve renascer em ti mesmo, para a glória do teu bem e da tua paz.”
Nesse momento, através do psiquismo de Bezerra, Ricardo mergulha nas lembranças pretéritas...
O irmão zoantropiado era assistido por Genézio e outros dois cooperadores.
Julinda era amparada por Juvêncio e Angélica, que orava fervorosamente. Angélica, habituada à oração, facilmente preservava a paz, sintonizando com faixas elevadas da vida.
O Mentor continuou com a indução hipnótica... Bezerra propôs que recordassem os primeiros dias de julho de 1722, em Goiás (atual) a busca pelo ouro e pedras preciosas, alucina os homens gananciosos, ávidos em fazer fortuna...
Era um dia frio e úmido na fazenda do Sr. Antônio José Taborda da Silva... ele iria a uma excursão em busca de riquezas e levaria dois escravos, um casal, homem forte e uma mulher, os três filhinhos dos escravos ficariam órfãos de pais vivos... seus pais tinham os corações estrangulados pela dor.
Manoel, o escravo, suplicou ao amo, que a companheira ficasse e ele trabalharia em dobro; era jovem e sadio para suportar a excursão, mas a esposa...
O senhor, muito orgulhoso e frio, irritou-se pela ousadia do escravo; manda supliciá-lo, ordena que Manuel receba chibatadas por desobediência.
Ato continuo, Ricardo, em transe, começa a assumir a personalidade arquivada no passado, com todas as suas imperfeições. Exibia, agora, um aspecto dominador e apaixonado.
Bezerra sugeriu: “Não ouves, Sr. Antônio José, os lamentos e blasfêmias do seviciado?” Dor e mágoa não te sensibilizaram...
A companheira suplica pela vida de Manuel, ajoelhada aos pés de Antônio José, roga misericórdia e compaixão.
Ricardo denota desconforto ante as lembranças e diz: “Eu tenho direito sobre suas vidas. Comprei-as. Escravo não é gente...”
O Benfeitor afirma que ele está equivocado, somos todos filhos de Deus, em igualdade de condições. A escravidão é um processo nefasto e os que a promovem responderão as Leis.
Antônio José tinha uma obsessão pela escrava e queria submete-la aos seus caprichos masculinos; a jovem percebendo a situação o evitava, mas com o esposo a morrer, desesperada, suplica por misericórdia ao senhor dos escravos e ele tenta subjuga-la aos seus prazeres inferiores.
Antônio José desencadeou uma longa tragédia que se arrastava por muitos e muitos anos, até aquele momento.
“A tua escrava, ali se encontrava sob a imposição de um resgate imperioso, cuja dívida adquirida na civilizada e preconceituosa Inglaterra, de anos antes... Renascera em terras da África, programada pela Consciência Divina, para recuperar-se, no Brasil Colônia, na condição de apátrida, sem direitos, aprendendo a amar a carne alheia ao lado da sua, sofrendo para sublimar-se.”
A tua insânia precipitou-lhe o crescimento, enquanto te afundaste no fosso da delinquência.”
“Surpreendido pela tua senhora, desconsiderada, face aos teus desmandos, mais se abriu o abismo entre ti e ela.”
Maria Joaquina era esposa de Antônio José, nunca esqueceu as ofensas e humilhações, repletas de dores silenciosas que permaneceriam por séculos...
Joana dos Santos, a escrava, retornou a senzala e aguardou apavorada o nascer do dia... o marido morreu exposto ao tempo, pelos excessos da surra com a chibata.
Antônio José não se comoveu com a tragédia, pensava somente na viagem e que levaria Joana consigo, para satisfazer seus desejos.
Porém, o destino traz sempre surpresas: Joana enlouquece por conta da dor, do medo, do sofrimento... Maria Joaquina, se apieda da vítima e a socorre com a sua compaixão, que se converte em CARIDADE.
Passados 150 anos, estavam rememorando agora, o ano de 1872, aquele grupo reencarna na Terra. Manuel, o escravo que sucumbiu pelos maus tratos de Antônio José/Ricardo, agora era seu irmão, com a finalidade de que o amor entre irmãos vencesse os sentimentos inferiores que ambos guardavam na alma.
Maria Joaquina, agora seria a “pretendida” do irmão –intimamente ambos se detestavam - de Ricardo. Ao revê-la, a consciência culpada impôs-lhe a necessidade de recupera-la; mas a vítima do passado, Joaquina, não correspondeu ao seu afeto.
O irmão era o obstáculo entre ele e a sua diva e planejava tirar aquele obstáculo do caminho!
Ricardo tenta se defender... Bezerra diz que novamente ele falseia a verdade e interfere nas Leis:
“O ex - escravo reencarnara para abençoar a protetora de sua viúva antes desvairada, que ora retornou na condição de mãe de Maria Joaquina, que já se lhe vinculava desde muito antes.”
Bezerra de Menezes esclarece que esse grupo de espíritos estão vinculados e reencarnam juntos há muitos séculos... “Os laços que atam os Espíritos uns aos outros, não se rompem com facilidade, seja na animosidade ou no afeto. Enquanto não luz o amor, pairando soberano, o círculo das reencarnações se estreita em torno dos que se interdependem para evolver.”
Ricardo organizou uma caçada e a vítima escolhida era o irmão!
O irmão fora perfurado por uma carga de chumbo e, antes de morrer jurou vingança. Foi nesse estado de ódio que caiu no processo que agora se encontra, os sentimentos de vingança enlouqueceram-no, vencido pela fúria tombou numa região de profundo desespero, num abismo, sentiu-se como um animal... “Ei-lo diante de ti... Fita-o!” disse Bezerra!
“Esse animal é o nosso pobre irmão, a quem, por duas vezes seguidas, roubaste a vida física...”
Ricardo fica chocado com as revelações psíquicas do século XIX, o horror substituiu a máscara de ira e desprezo!
QUEM É A VÍTIMA E QUEM É O ALGOZ?
Bezerra avança no tempo... Lavínia/Maria Joaquina se casa com Ricardo, apesar da aversão da mãe de Lavínia/Joana dos Santos, pelo noivo.
O casamento fora um fracasso, ela jamais o amou... Alfredo, o irmão, ainda era presente na memória da jovem; ele tinha ciúmes e, embriagado confessou à esposa que matara o seu antigo preterido.
Lavínia não superou aquela traição, sobrepôs o perdão a profunda mágoa e, sintonizou-se com Alfredo desencarnado, iniciava-se o pensamento de vingança.
Numa noite, Ricardo dormia completamente entorpecido pelo excesso de álcool; Lavínia, semidominada por Alfredo, o asfixia com uma almofada de plumas, aplicada em seu rosto.
Não houve testemunhas, senão a consciência de ambos e da Entidades desencarnadas naquele momento. (NADA FICA IMPUNE NA NOSSA VIDA!)
Julinda, que experimentava, também, a indução hipnótica, começa a gritar que odeia Ricardo e que o mataria mil vezes!!! Afirma que ele sempre a desgraçou e não o teria como filho em seu ventre!
A jovem estava transtornada!
Alfredo debatia-se no médium!
Angélica, assumindo o psiquismo da mãe de Lavínia, abraça a filha daquelas duas últimas encarnações.
Bezerra controla a situação e fala a Julinda que o ex-esposo precisa recomeçar, mas só o amor de mãe e o sentimento de filho poderão modificar os sentimentos de ambos, nessa situação que dura anos, sem necessidade.
Os dois se infelicitaram, mas a JUSTIÇA sempre se realiza, não conforme nossos planos; faz-se necessário que alguém perdoe para quebrar o ciclo vicioso das imperfeições e ocorra o recomeço da marcha do progresso, na busca da paz.
Bezerra diz que ela é amada por Roberto, que caminha com ela em longas existências planetárias, veio para socorre-la. Dona Angélica a amparou como mãe nas duas últimas encarnações, porque ela também a amparou quando fora escrava enlouquecida.
O senhor Juvêncio, que acompanhava Joana dos Santos/Angélica, na sua redenção, por gratidão ao carinho que deu a escrava, tomou-lhe como filha.
“Este é o momento de todos nós. O Senhor faculta-nos a hora de iluminação. Aproveitamo-la.”
Julinda modificou seus sentimentos, da revolta para as lágrimas, informando que tinha medo da responsabilidade de ser mãe de Ricardo.
Bezerra diz que a proteção Divina nunca falha, que ela confie!
“Ricardo deverá voltar, a fim de que todos se libertem do mal que os vem vitimando.”
Concede-lhe redenção para obter a benção da paz!
O Mentor diz que o gesto dela também auxiliará Alfredo: “O amor é luz que suplanta toda sombra, e medicamento para todos os males.”
As palavras de Bezerra penetravam na alma de Julinda, a jovem sentia o amor do Benfeitor envolvendo-a em doces vibrações.
No entanto, ela não podia nem devia ver Alfredo, na situação em que se encontrava. Ela pergunta por ele, Bezerra diz apenas que ele está com o grupo, porém enfermo, e que também necessita recomeçar através da reencarnação.
“Temos pensado que ele deverá volver através de ti e de Roberto, na condição de irmão de Ricardo para que, sob a tua, a ternura do esposo e a de D. Angélica todos cresçam para o bem...”
“O Senhor espera muito por ti... Sabemos que não é uma empresa fácil para o teu coração. Todavia, estes não têm sido dias de paz, senão de infinitas amarguras e receios, quando te encontras nas fronteiras da loucura...”
Angélica compreende o olhar de Bezerra e diz a filha: “Ajuda-os como me auxiliaste um dia. Socorrendo-me, no desvario em que me encontrava, proporcionando-me a libertação de velhas dívidas que cometêramos antes. A pobre Joana dos Santos, escrava e doente, recebeu de teu coração amor e piedade, que não podes recusar ao Sr. Antônio José, o algoz, nem a Manuel, o escravo que me foi companheiro, e agora os desejo para netos... Seremos uma família feliz.”
Roberto emocionado abraça Julinda e pede que ela aceite, pois o lar ficaria mais risonho e feliz, ele queria ter a felicidade de ser pai.
A emoção domina todos e Julinda aceita a benção da maternidade, mas pede a Jesus e Dr. Bezerra que não a abandonem!
Foram aplicados passes renovadores e a enferma voltou a dormir.
A psicosfera do ambiente era de paz, uma enorme vibração de amor que procedia da Esfera Mais Alta, todos receberam essa energia.
Ricardo silencioso meditava, Manuel acalmara-se, através de seus olhos brilhantes, encharcados pelas lágrimas, percebia-se seu entendimento e lucidez a respeito do que se passara.
Porém, a tarefa ainda não estava concluída.
 Resumo elaborado por Maria Fernanda Ribeiro. Favor manter os créditos.
(*) Os Falcões são um grupo de Entidades perversas, que trabalham mediante hipnose profunda, agindo nos centros perispiríticos, de modo a completar os fenômenos de zoantropia psíquica dos que lhes caem nas garras, vitimados pelo ódio. Constituem uma organização que se dedica à prática do mal, usurpando os códigos da Justiça, de que se dizem instrumentos, vampirizando as energias das suas vítimas, enquanto essas o fazem dos seus desafetos... Demoram-se em Regiões do infinito sofrimento onde, não obstante sem que o queiram, a luz da misericórdia do amor, qual ocorrera com o paciente ali em comunicação, resgatado por diligentes especialistas nesse tipo de socorro, vinculados ao trabalho do incansável Dr. Bezerra de Menezes. (Nota do Autor Espiritual)





ESTAMOS DE VOLTA!

Olá amigo de ideal espírita, depois de um período, retornamos com nosso estudo de livros espíritas. Agora em novo formato e muito mais inter...