quarta-feira, 27 de março de 2013

Grilhões Partidos - Clube do Livro - Abril 2013




LEITURA INICIAL: MENSAGEM DE EMMANUEL "SUPERCULTURA E CALAMIDADES MORAIS" http://clubedosespiritas.blogspot.com.br/2013/04/supercultura-e-calamidades-morais.html

O livro fala sobre alienação obsessiva que atinge um sem número de obsediados, que atravessam encarnações após encarnações, trocando apenas de vestes usuais, todavia, permaneceram os mesmos. Amor e ódio continuarão em renhida luta, até que um dia consigam partir os grilhões libertando-se definitivamente.


O obsessor necessita de um trabalho doutrinário normalmente por equipe que se dedica a esse mister, composto por pessoas com elevado conhecimento doutrinário, conduta moral sadia, confiantes, pontuais, dispostos a trabalhar sem descanso, no sentido de levar a bom termo a empreitada.

O obsediado tem urgente necessidade de reparação da situação, onde o envolvimento nessa trama pode ter origens de ordem ética, legal, espiritual e mesmo material, ofensas de toda ordem, etc.; caso contrario, o avanço do obsessor pode redundar em predisposição para crise, dando inicio a neurose, a psicose ou as múltiplas formas de desequilíbrio mental que passa a sofrer redundando na loucura.

Convém salientar que o obsidiado também é agente da própria cura, não se transferindo para os passistas, doutrinadores e médiuns, a total responsabilidade dos resultados no tratamento da enfermidade. Ele deve preparar-se para fazer o seu reajustamento moral e espiritual com s Lei Divina. O grupo familiar do paciente deve ser alertado para as responsabilidades que lhe dizem respeito, não transferindo para o enfermo toda a culpa pelo evento, ou abandonando-o, muitas vezes, nas casas de saúde que o acolhem.

1. A agressão

O cenário - Um verão carioca dos anos 50 do século passado; elegante apartamento “duplex” na Avenida Atlântica em Copacabana, cujo ambiente prenunciava uma festa que iria ocorrer a seguir. Cuidados especiais com a decoração “buffet”, bebida me abundancia, mestre de cerimônias, recepcionistas, garçons, tudo pensado para melhor atender os convidados finamente selecionados.

Os envolvidos - O Coronel e Sra. Constancio Medeiros de Santamaria estava felizes porque apresentaria sua filha Ester à sociedade do Rio de Janeiro, na data em que esta completava 15 anos, o que se deu pontualmente às 21h30min, ocasião em que a jovem foi trazida ao imenso salão do apartamento, elegantemente trajada; após o rápido desfile para os convivas deu-se inicio a primeira valsa, para que ela dançasse com seu pai. Após algumas musicas em que outros pares se formaram e, posteriormente, a debutante executou suave melodia de Brahms ao piano, deu-se o inesperado:- Ester com os olhos arregalados fixou-os no pai, ergueu-se do piano cambaleante, desfigurada, dirigiu-se a ele e aplicou-lhe sonora bofetada; em seguida, nova agressão foi praticada, sendo esta revidada pelo coronel. Alucinada, a menina pos-se a gritar e foi levada para o quarto.Um medico atendeu-a sem sucesso;só a muito custo e já de madrugada dormiu,sempre agitada em seu sono.

2. A loucura

Ester não recobrou a lucidez. Palavras obcenas, gestos vis, gritos e gargalhadas se sucediam. O medico da noite anterior sugeriu achar um especialista em doenças nervosas, pois o quadro era de histeria, alias parecer esse corroborado pelo medico da família. Após três dias o psiquiatra recomendou internamento em casa de saúde, o que os pais aceitaram. No dia a dia, novos distúrbios e, um mês depois, nada...

A técnica do eletrochoque foi usada e o resultado, zero. A situação foi minando o trabalho dos profissionais e o animo dos pais.

Tempos depois o diagnostico alarmante: esquizofrenia!

3. Penosas reflexões

Atendida pela sessão de eletrochoque, após a convulsão e o repouso, Ester não retorava a lucidez como se esperava, por nenhum momento, sucedendo-se a prostração; a terapêutica do sono não alcançava o objetivo desejado e era alimentada contra a sua vontade. Com o resultado desta situação o coronel tornou-se taciturno, arredio, na realidade um grande sofredor.

RESUMO FEITO POR ADILSON FERREIRA * FAVOR MANTER OS CRÉDITOS

4. Angústias da obsessão


Os meses passavam, sem que Ester recobrasse a razão. A sua aparencia estava totalmente diferente, aspecto largado, rosto palido, olhos selvagens, um corpo sem vitalidade. Devido a sua agressividade, era mal tratada pelos funcionários, por isso tinha equimoses e faltavam alguns dentes.

Não recebia visitas, era considerada "incurável".

Porém, quando só vemos sombra, a misericórdia Divina traz a luz de volta a nossa vida. Foi quando apareceu Rosangela, uma jovem, auxiliar de enfermagem, que ao se deparar com Ester, sentiu-se atraída por ela.

Ester não conseguia nem se comunicar, nem controlar sua mente. Chorava, gritava, estava ao mesmo tempo fora do corpo, mas tudo sentia. Ela não compreendia o que havia acontecido .

A princípio sofria impressões confusas que a perturbavam. Vezes outras deparava-se com o estranho possessor. Agredida por ele, procurava tornar à realidade anterior, como se perseguida em pesadelo e desejasse acordar para dele livrar-se.

Durante o tratamento de choque tinha varias contorções até o desfalecimento. Ao despertar, defrontava com o asqueroso possessor e fugia, cedendo-lhe o lugar... Minado o corpo pelo desgaste de largo porte, sucessivos desmaios expulsavam o usurpador que se deleitava, então, ameaçando-a, grosseiro, arrebatando-a para lugares povoados por espectros impossíveis de descritos.

A menina rogava pelos seus pais e a ajuda de Deus.

Ester, assim subjugada pelo possessor em comburência - de ódio, sucumbia, inerme, lentamente, quase vencida.

5. Interferência espiritual

Na sua festa de aniversário, Ester fora surpreendida pela agressão de revoltado Espírito que, em uma violenta crise de ódio, encontrou na sua sensibilidade mediúnica o campo propício para a incorporação.

O obsessor, na sucessão dos dias, imantou-se-lhe ao campo psíquico, levando a um longo processo de subjugação.

Na Casa de Saúde, expiava delitos do passado, sob um processo obsessivo.

Na obsessão, a loucura surge na qualidade de ulceração posterior, irreversível, em conseqüência das cargas fluídicas de que padece o paciente, vítimado pela perseguição implacável.

Face à insidiosa presença de tal energia deletéria, desarticulam-se o equilíbrio emocional, a estabilidade nervosa, o metabolismo orgânico e, pela intoxicação de que se vêem objeto, vários departamentos celulares se desorganizam, envenenando-se, ulcerando-se. No caso específico de Ester, encontravam-se como agravantes múltiplos fatores cármicos, que aumentavam o sofrimento da aturdida obsessa.

Pela misericórdia Divina, a presença de Rosângela, a auxiliar de enfermagem, com a sua harmonia intima, representava o recurso inicial utilizado pelos Benfeitores Invisíveis.

Rosangela era órfã de mãe, desde seus 8 anos de idade. Morava no subúrbio do Rio com o pai. Alguns anos depois o pai se casou e por influencia da esposa, a filha foi morar e trabalhar babá em uma casa de família em Botafogo.

Estimulada pelos seus patrões, voltou a estudar e se formou em técnica de enfermagem. Além disso, através dos patrões, que eram espiritas, começou a freqüentar o centro e com desenvolvimento da sua medinuidade, começou a trabalhar no tratamento de desobsessão.

Rosangela simpatizou-se com Ester identificou o processo obsessivo que a estava ocorrendo. Inspirado pelo seu mentor e pelos guias espirituais da doente, começou visita-la durante as suas horas vagas. A sua presença já acalmava a enferma e a sua forca moral neutralizava a agressividade do obsessor. Ao conhecer a história da doente, resolveu procurar os seus pais para esclarecer melhor sobre a sua doença.

Ao encontrar os pais de Ester, falou que cuidava dela como uma irmã, e mostrou a sua visão espirita em relação ao estado da moça. Porém, não foi bem recebida pelo pai que era católico. Este pediu que ela se retirasse com seus pensamentos de bruxarias e macumbeiros.

Rosangela de forma delicada e humilde falou:

“No santuário espiritista, que freqüento, o alvo redentor é Jesus, a estrada a percorrer chama-se caridade, seguindo sob o sol da fé viva e a força do amor fraternal. Venho a este lar em missão de paz e dele sairei pacificada, sem embargo, expulsa, o que muito lamento, não por mim, que reconheço a minha própria desvalia... O vaso modesto não poucas vezes mata a sede, oferta o medicamento salvador, retém o perfume, atende a misteres relevantes, enquanto preciosas taças de cristal lapidado adornam, mortas, empoeiradas, móveis luxuosos e inúteis...”

6. Forças em litígio

Com a doença de Ester, seu pai tornou-se rancoroso, revoltado, amargo e mais fechado aos amigos. Frequentava a igreja, mas não tinha a fé religiosa, orgulhoso achava-se merecedor a subserviência Divina. Achou uma petulância a visita de Rosângela e devido a psicosfera que cultivava, passou a sintonizar com outras mentes amotinadas que lhe cercavam o lar, em plano concorde com o perseguidor de Ester. Rosângela, representando o auxílio divino indireto, fora expulsa pelos vingadores desencarnados, que lhe sabiam dos propósitos elevados. Desta forma, na segunda-feira, o Coronel iria até o hospital queixar-se dela, exigindo que ela não tivesse mais contato com a sua filha.

Rosangela saiu aturdida e chorando do apartamento dos pais de Ester, teve receio de perder o trabalho. Caminhou e sentou-se próximo ao mar. Após uma prece, em intercâmbio com os seus Protetores, obteve renovação íntima e paz reconfortante. Recuperada retornou ao lar, pois domingo era dia do Evangelho no lar.

O Dr. Gilvan era pediatra, que residia na praia de Botafogo, tinha mais de 50 anos, havendo constituído uma família ditosa. Matilde, sua esposa, era o exemplo da abnegação cristã, e o seu domicílio tornou-se núcleo de recolhimento espiritual, no qual Mensageiros da Luz encontravam vibrações superiores para o ministério a que se afervoravam no socorro aos padecentes de ambos os planos da vida.

Tinha uma filha única, Márcia, que tinha uma menina: Carmen Sílvia. Rosângela viera para ser babá da criança. Há dois meses, o casal fora para os EUA, para um curso de especialização.

Estudando e praticando metodicamente o Espiritismo, a família apurara a sensibilidade moral e psíquica.

O grupo reduzido constituía-se de doze a quinze pessoas, em freqüência habitual, interessadas na reforma íntima, empenhadas na auto-iluminação.

Iniciada a reunião, Matilde tomou de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, confiante, e, impulsionada pelos Mentores Espirituais presentes, abriu-o no Capítulo número XX: “Os trabalhadores da última hora” e leu o subtítulo: “Os obreiros do Senhor”.

“Aproxima-se o tempo em que se cumprirão as coisas anunciadas para a transformação da Humanidade. Ditosos serão os que houverem trabalhado no campo do Senhor, com desinteresse e sem outro móvel, senão a caridade! Seus dias de trabalho serão pagos pelo cêntuplo do que tiverem esperado. Ditosos os que hajam dito a seus irmãos: Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra, porquanto o Senhor lhes dirá: Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio às vossas rivalidades e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra!”

Após o debate sobre o texto, foi feita uma oração e neste momento chegou o Benfeitor, Dr. Bezerra de Menezes, que através de Rosangela, manifestou-se pela psicofonia.

“Trabalhadores imperfeitos que reconhecemos ser, encontramo-nos no campo que a própria insensatez deixou ao cuidado das pragas e do abandono. Em todo lugar, desolação e ruína: jardins vencidos pelo matagal, pomares destruídos pelas tormentas, solo crestado, sebes arrebentadas, fontes vencidas por miasmas, habitadas por animais venenosos... Todavia, é a nossa área de labor e redenção, onde devemos recomeçar e agir. Dispomos do trato da terra que a nossa incúria desrespeitou, cabendo-nos, agora, recuperar pela carinhosa assistência o prejuízo, aplicando todos os recursos ao nosso alcance, enquanto urge a oportunidade."

“Em razão disso, mister considerarmos em profundidade o ensino evangélico do “Ide e pregai”, ensinando com o exemplo que edifica e avançando com as mãos enriquecidas pelas obras, através de cujo resultado atestaremos a excelência dos nossos propósitos."

“Não há tempo, nem seria justo malbaratá-lo nas discussões infrutíferas das vaidades intelectuais, exaltando a fatuidade e a arrogância, enquanto as epidemias morais e sociais assolam terríveis, arrebanhando e destruindo multidões de incautos e incontáveis criaturas que lhes experimentam a coercitiva escravidão."

“O Evangelho é o nosso zênite de amor e o nosso nadir de mensuramentos. Quem se exalta, inicia a trajetória para baixo; aquele que se glorifica, entorpece-se na ilusão... Todavia, o que avança infatigável, ignorado, mas servindo, humilhado, no entanto valoroso, perseguido, porém, imperturbável, transformando os sentimentos numa concha afortunada de amor, logrará o elevado cometimento do êxito real."

“Nenhuma queixa, portanto, nenhum rol de mágoas. “Nosso tempo mental deve ser dedicado à elaboração dos planos de serviços relevantes e contínuos. Jesus é o exemplo ideal do trabalhador modelo. Não foi poupado nem compreendido. Entretanto, elaborou e viveu o código de felicidade com que nos acena e de que dispomos para o desiderato regenerativo."

 “Advir-nos-ão muitas dores e provações, por ser o que merecemos. “Provaremos amargos testemunhos. Estes nos serão os preços à honra e à glória de servir. Ninguém alcança as cumeadas da paz sem os estertores no vale das lutas. Indispensável perseverar e insistir.”

“Comprometemo-nos restaurar a primitiva pureza cristã entre os homens, vivendo de maneira condicente com os ensinos evangélicos; responsabilizamo-nos ante os Instrutores Elevados em não menosprezar a atual concessão celeste, tornando-nos maleáveis à inspiração superior, de modo a realizarmos a tarefa, mais de uma vez interrompida; concordamos em dar a vida, se necessário, pela implantação do Consolador no mundo, nestes dias tumultuosos. Recebemos auxílios de toda sorte. Não nos têm sido regateados socorros. Conhecemos de perto a agonia e a miséria, também sabemos o paladar da esperança e o aroma dos júbilos. Que mais aguardamos? Avisados de que nossa luta seria entre as forças em litígio: o bem e o mal — eis - nos na liça. A refrega é nosso leito de repouso, a dificuldade, o desafio que nos chega e a dor nossa condecoração."

“Ainda por demorado período se fará cruenta a luta dos cristãos novos, decididos. Ontem, a arena requisitava o estoicismo do momento. Hoje as balizas do circo se situam em perímetro colossal, que abrange intérmina área de ação e as feras — as paixões! — tentarão o nefando morticínio ferindo de dentro para fora."

“Não há porque recear. “Muitas vezes o pretérito de delitos assomará à frente como ultriz necessidade, ou ferida exposta, ou desequilíbrio tormentoso, ou açoite inexorável, ou inquietação afugente... Mergulhando-se a mente e as preocupações nas águas lustrais da Boa Nova e as mãos no trabalho, não haverá ensejo para o desânimo nem para a acomodação no lamento ou a tentação da fuga."

“Vive-se morrendo e morrendo, está-se vivendo. Cada realização enobrecida constitui título de ventura e todo receio mais sombra na treva dos problemas. As alternativas são servir sem desfalecimento e confiar sem tergiversação. Jesus fará o que nos não seja possível realizar."

“Confiados em que a vitória final a Ele pertence, exultemos e prossigamos."

“Suplicando que o Seu amor nos permeie e a Sua misericórdia nos alcance, sou o servidor humílimo de sempre, Bezerra.”

7. Advertência e esclarecimento

O diretor do hospital chama Rosangela para conversar. Diz que o pai de Ester esteve lá para reclamar dela, que estava praticando magia - espiritismo.

Rosangela falou que era convicta de sua fé e sua conduta era irrepreensível.

Se os seus serviços não servem mais, não há porque transformá-los em problema; porém, não iria silenciar diante da acusação improcedente. Confiava em Deus e sabia que o diretor era portador de excelentes dotes do sentimento, do caráter e da razão.

Dr. Nilton era um bom médico, bem humorado, e amado por todos do hospital. Só que naquela manha, além de uma aborrecimento em casa, havia recebido a visita do pai de Ester, e sobre a influencia de entidades inferiores, encontrava-se naquele estado. Mas, diante do comportamento de Rosangela, modificou a sua conduta anterior e solicitou que ela explicasse a sua versão dos fatos.

Rosangela falou o que ocorreu, além dizer que pretendia ajudar Ester através do espiritismo.

Dr. Nilton falou que era ateu e psiquiatra, logo não concordava com esse opção de tratamento. Rosangela estava proibida de visitar Ester. Mesmo assim, a argumentação da enfermeira tocaram o Dr. Nilton, que saiu da reunião pensativo.

RESUMO FEITO POR DÉBORA LOURES * FAVOR MANTER OS CRÉDITOS

8. Intervenção Superior


O casal Santamaría apresentava falta de estimulo à convivência doméstica e grupal.

Pesava a responsabilidade pela enfermidade psíquica da filha Ester.

O casal não pôde se furtar ao compromisso, embora o Coronel se mostrasse estafado e sôfrego, com pesadelos constantes.

A festa se tornou amena com a presença de companheiros de armas (ex: Epaminondas Sobreira), com quem trocou confidencias sobre o estado da filha aprisionada em camisa de força.

Conversas sobre a fé, o poder da oração e comunhão com Deus, além do convite para jantar na casa do casal Epaminondas/Mercedes, foram revigorantes para o casal Santamaría.

Ao encontro marcado somou-se o amigo Joel, viúvo, 40 anos, médium que junto aos casais, partilhou da estória do filho de Epaminondas (Gregório) que passou por sórdida obsessão com muito sofrimento e mudança de comportamento (deixa os estudos e noivado), passando por tratamento psiquiátrico.

Relataram que Joel foi a “alavanca” da casa, dando início a nova vida.

Esclareceram o casal sobre a mediunidade, além das dificuldades de mudar conceito e comportamento (excesso de vaidade, imprevidência) arraigados.

Relataram apresentar o mesmo comportamento à época da doença do filho e o sucesso de seu restabelecimento. Joel esclareceu os processos de reencarnação/obsessão à época o que colaborou e em três semanas se deu a recuperação.

Pediram licença para examinar o caso de Ester na sociedade que frequentavam.

Joel explicou ao casal Santamaría sua superação da morte de Isabel, através da doutrina.

O tempo reunir-nos-á e a fé aguarda-nos a vencê-los.

Todos terminaram o encontro orando em sintonia com Entidades presentes, além de Joel ter transmitido mensagem de conforto e esperança.

9. Socorro Oportuno

Rosangela, médium e que trabalhava na casa de saúde onde estava Ester, observou a interferência negativa sobre esta dos obsessores. Ela se manteve afastada, aconselhada por Dr. Gilvan, mas com a certeza da proteção divina, além de suas vibrações de otimismo, renovação. Ester também contava com as orações do grupo. Todo o grupo contava com a tutoria de Bezerra de Menezes. Todo o processo do encontro dos casais/pais envolvidos foi ao acaso.

O grupo pertencia a Sociedade Espirita Francisco de Assis - Casa de caridade e Estudo. Seguidores de Kardec, com suma responsabilidade quanto aos deveres e estudos, eram abordados por seres encarnados e desencarnados em busca de luz e paz, cura de aflições com sucesso. Resumidamente o texto aborda os cuidados e deveres para a reunião de desobsessão.

O Coronel Sobreira junto à equipe incluindo Joel cuidava do caso Ester em substituição a dirigente desencarnada.

Todos os sofredores desencarnados foram atendidos. Nestas sessões quando a Entidade se faz esclarecer, contam com os participantes que dão instruções e significativos valiosos resultados.

O caso Ester foi classificado como subjugação infeliz, podendo ser removida com colaboração da equipe, pais e Deus.

Consideraram as implicações de outras encarnações da família de Ester, além das suplicas ao Pai que se manifestava com a solidariedade de todos.

A reunião foi encerrada com a orientação de que os pais de Ester frequentassem a Casa para obterem maiores esclarecimentos sobre a Doutrina.

10. Na Casa de Saúde

Bezerra de Menezes convocou a equipe, inclusive Ângelo e Melquiades para visitar Ester (quando de reuniões de tratamento após a remoção para colônias de nosso plano, alguns espíritos permaneciam na casa Espirita para diretrizes e medicações complementares).

Foram percebidos na visita a Ester perturbadores zombeteiros, grupos de vampirizadores, desencarnados ociosos e uma psicosfera densa predominante.

Nosso grupo recebeu orientação para manterem-se em equilíbrio e oração, para poderem passar despercebidos dos perturbadores. Os grupos de socorristas frequentavam a mesma esfera (nosso dirigente recomendou controle da emotividade e disposição para a caridade, para sintonizarmos faixa sutil ao adentrar o quarto de Ester, pois este estava repleto de vibrações perniciosas, fluidos condensados que causava indisposição psíquica). Ester sofria de processo de imantação perispiritual.

No mesmo hospital tratava-se de uma senhora de meia-idade e duas jovens estigmatizadas por diferentes alienações.

Bezerra de Menezes com orações emanava energia de seu peito fazendo que a paisagem fluídica se modificasse. Ele orientava Ângelo e Melquiades no tratamento da senhora que suplicava livrar-se do perseguidor e com os fluidos emanados dormiu. Ela fora diagnosticada com esquizofrenia e teve lesado o centro correspondente da lucidez e do equilíbrio que produziam o quadro psíquico. A energia vitalizadora proporcionava melhora, intercambio metabólico que se beneficiava toda a área do cérebro após aplicação de passes no centro coronário. Com o corpo relaxado, observavam resultados significativos nos vários sistemas. Bezerra de Menezes elucidou que qualquer doença é resultado de conquistas negativas do passado espiritual de cada ser. O caso da irmã Eudoxia envolvia dois homicídios, agravado pela presença da culpa na consciência, uma forma de autocídio indireto levava a um desconcerto da loucura.

A irmã foi perdoada pelo esposo morto, mas não pela serva que se tornou sua obsessora, com sua reencarnação acompanhada de muito remorso teve lesado os centro da consciência que resultaram na sua enfermidade.

O capitulo termina fazendo uma crítica à psiquiatria quanto à flexibilidade das questões do espirito e seus vários processos na evolução dos seres humanos. Especificamente a esquizofrenia (Ludwig – 1863) é uma alienação mental surgida na puberdade, mas agravada em qualquer idade.

RESUMO FEITO POR MARIA SILVIA BORESTEIN * FAVOR MANTER OS CRÉDITOS

11. Epilepsia

Concluída a assistência a irmã Eudóxia, o querido Mentor convidou os assistentes a observar a jovem que dormia intranquila, até que, em determinado momento, pareceu despertar e, com os olhos esbugalhados, pôs-se a gritar, seguindo-se convulsões. Quando cessou a crise epilética, como definiu Dr. Bezerra, que passou a tecer alguns comentários sobre a necessidade de acurada atenção por parte do Espiritismo, face as situações de transe provocado pelas entidades sofredoras ou perniciosas.

O Mentor, muito calmamente, após algumas considerações, ponderou: “O Evangelho, dessa forma, é a mais avançada terapêutica de que se tem notícia para o homem que se resolve vive-lo em plenitude.” E ainda acrescentou: “Sem nenhuma dúvida, há processos perniciosos de obsessão, que fazem lembrar crises epiléticas, tal a similitude da manifestação. Neste caso, o hóspede perturbador exterioriza a personalidade de forma característica, através da psicofonia atormentada, diferindo da epilepsia genuína. Aqui, após a convulsão vem a coma; ali, à crise sucede o transe, no qual o obsessor se manifesta.”

Após um curto silêncio, Bezerra convidou-os a examinar a jovem Viviane, ex-atriz de invulgar beleza, que vivera uma vida de dissipações, ao se aproximar dos 40 anos e sem celebrizar no teatro, fez-se hábil na preservação do patrimônio em dinheiro e joias, juntando-se a um astuto chantagista, entregando seu corpo àqueles dispostos a pagar por isso. Passou também a explorar outras mulheres, que contribuíam para o seu enriquecimento ilícito. Mais tarde, unindo-se a um jovem, urdiu um plano sinistro que acabou com a vida do chantagista; decorrido algum tempo, com receio que o jovem a delatasse, quando este já mostrava esgotamento de suas carícias, acabou por mata-lo numa de suas viagens...não se uniu a mais ninguém, cuidando apenas de aumentar a sua fortuna sem qualquer escrúpulo.

Seu final foi num manicômio, onde sucumbiu esquecida e malsinada...

Ingressou no além túmulo exaurida e seviciada pelos antigos consórcios que a aguardavam, vingativos, padecendo, por algumas décadas, por inomináveis aflições.

A lição que ficou foi que a Justiça Divina se serve da idiotia, digofrenia, mongolismo, epilepsia, psicoses várias, esquizofrenia, demência, que são terapêuticas alcançar os espíritos doentes, que tentam fugir a verdade, mancomunados com o crime e a ilusão.

12. Histeria

Durante as reflexões, confirmamos que o homem é o juiz de si mesmo; ele é a soma de suas realizações. Ninguém se exime às consequências da culpa.

Dr Bezerra indicou uma enferma de aproximadamente 25 anos que dormia anestesiada por sedativo. Tratava-se de Angélica, cuja distonia nervosa principiou a partir dos 14 anos, agravando-se lentamente; é portadora de psiconeurose de natureza histérica em longo curso, e vem caminhando em direção à loucura.

O Mentor tocou-lhe o centro cerebral, depois o centro coronário em seguida o genésico. A paciente agitou-se fortemente por um momento, sem despertar, e logo acalmou-se.

Bezerra teceu profundas considerações sobre a histeria, em estudos que remontam o século XIX, com o médico João Martinho Charcok, o prof. Pedro Janet, Freud, Grasset, ocasião em que veio à tona o subconsciente, nos dias de hoje titulado como hiperestesia indireta do inconsciente entre os modernos adeptos da Parapsicologia, partidária da psicologia sem alma.

O relato prosseguiu: “Angélica vem de um passado moral pouco recomendável. Por imposição paterna casara-se com um homem que não amava, que por sua vez era insensato e leviano, aceitando que o casamento fosse de aparência social, o que levou a quatro infanticídios provocados...no Além encontrou aqueles a quem impedira de nascer e aí...”

Concluiu-se que ela seria mais uma obsidiada, contingência natural da sintonia da mente endividada com as mentes de suas vítimas.

13. Subjugação

Nesse interim, Bezerra acercou-se de uma jovem chamada Ester, e disse que o objetivo da visita daquele dia era ela.

Ele ponderou que, diversamente dos casos estudados, defrontamos aqui, como causa da loucura, a subjugação espiritual que a vem conduzindo a uma situação esquizofrênica com possibilidades irreversíveis, se o socorro divino não a alcançar imediatamente.

Várias pessoas oravam pela saúde de Ester: sua mãe, integrantes do culto do Evangelho no lar do Dr Gilvan, membros do serviço desobsessivo da Sociedade Espírita Francisco de Assis e pessoas devotadas a mediunidade, os irmãos Joel e Rosangela.

Percebeu-se, então, que a medida em que se fixava o núcleo correspondente aos registros da memória, surgiam cenas vivas, como se todos fossem transferidos para o local em que se sucediam...

Era noite e uma jovem elegante conversava com um sacerdote maneiroso e astuto. O diálogo versava sobre a usurpação de bens de uma senhora que pretendia doá-los, pois sentia que aproximava a desencarnação.

Sedutora e ambiciosa, a jovem impunha ao sacerdote que só continuaria o romance entre ambos após a legitimação dos bens para si. Nesse passo, ela manifestava todo o seu desprezo por ele, mas ele, totalmente envolvido e apaixonado...

As cenas se sucederam e aí aparece a mesma jovem, com aparência de meia idade, atormentada por Espíritos que a menosprezavam; o Sacerdote, agora Monsenhor, continuava em seu papel.

“Agora partamos nossa visita aqui, por hoje cessa...”, foram as palavras de Bezerra, enquanto Ester repousava após oração do Irmão Melquíades.

 RESUMO FEITO POR ADILSON FERREIRA * FAVOR MANTER OS CRÉDITOS
14. Novas diretrizes

Com o apoio e a força do Cel. Epaminondas, o pai de Ester se dedicou a estudar a doutrina Espírita e estabeleceu o Culto do Evangelho no Lar. Dona Margarida que antes, viva angustiada e abatida, passou a ser uma pessoa mais otimista e cheia de esperança.

No dia combinado, chegaram à casa do Cel. Santamaria, os Sobreiras, o Tenente-Coronel Joel, o Dr. e a senhora Gilvan de Albuquerque, e a tutelada do casal, Rosangela (a auxiliar de enfermagem, do sanatório da Praia vermelha, onde Ester se encontrava.) O anfitrião, surpreso, reviveu a cena infeliz, quando a jovem enfermeira foi a sua casa declarar o carinho que sentia por sua filha Ester. Com emoção, falou: “Hoje o Senhor penetra realmente no meu lar, porquanto me confere o ensejo de desculpar-me com a senhorita pela indelicadeza e incivilidade com que a tratei noutra oportunidade aqui mesmo...” Rosangela por sua vez, rogou perdão pela forma desajeitada como agiu. O ambiente era bastante fraterno.

Em seguida, Cel. Sobreira iniciou a reunião. O médium Joel, através da oração pediu benções divinas para o grupo, para o lar dos Santamaria e em especial para a menina doente. E foi assim que começou o primeiro Culto Cristão no Lar, na residência da jovem Ester.

O capitulo XI, do Evangelho, “Amar o próximo como a si mesmo” que fala sobre O Egoísmo, foi lida pelo Cel. Epaminondas. Ele fez vários comentários sobre como o mal (egoísmo) é a causa das falências morais e dos sofrimentos pelo mundo. Dentro dessa reflexão, Epaminondas, alertou que os pais desde cedo, envenenam seus filhos com os tóxicos da egolatria. Os pequenos são educados sem disciplina, gerando o egoísmo que hoje padece toda a humanidade. Depois, citou também, às implicações do egoísmo, que continuam no além-túmulo, causando obsessões de longo curso. Já que muitos Espíritos se sentem roubados em direitos que, verdadeiramente, não lhes pertencem, sentindo-se traídos e transferindo para os outros suas responsabilidades que não souberam ou não quiseram assumir. Por fim, ressaltou a importância da humildade, da paciência e da resignação, como eficientes antídotos ao egoísmo. A emoção ficou por conta do Cel. Santamaria. Ele reconheceu ter sido muito egoísta e orgulhoso, mas que agora começava “a ver melhor”, remetendo a parábola do cego de Jériço que disse: Agora Vejo! O genitor de Ester estava consciente de que ele era mais doente do que a própria filha e que era também, a verdadeira causa dos sofrimentos que se abateram sobre ela.

15. Reencontro na esfera dos sonhos

Naquela mesma noite, graças aos fluidos de paz que envolvia a casa e principalmente, o casal Santamaría, durante o sono, ambos se desdobraram espiritualmente. Foi assim, que mantiveram um encontro com Bezerra de Menezes. O Benfeitor Espiritual explicou que as matrizes da perturbação de Ester se encontravam no perispírito, em razão de experiências infelizes do pretérito em que os pais foram partícipes. Dr. Bezerra comunicou que visitariam à jovem enferma, mas era essencial manter o equilíbrio emocional. Principalmente, guardar o respeito pelo algoz ávido de proteção e socorro, e do amor de todos, tanto quanto a própria Ester. Dentre as providências para a viagem até ao Sanatório, foram aplicadas energias especiais aos genitores de Ester.

Já no quarto, o Benfeitor, aplicou em Ester vigorosos passes de dispersão fluídica, desprendendo o algoz desencarnado. O espírito perseguidor, vendo-se contido e impossibilitado de reagir, blasfemou e proferiu ameaças, anunciando que pretendia exterminar a enferma vingando-se de seu pai.

Ester-espírito afastou-se do seu corpo somático, no qual se percebia as mesmas debilidades, como a aparência maltratada, roupas esfarrapadas, etc. O perispírito retratava os condicionamentos da organização física a que se imantava... Quando Ester-espírito percebeu a presença dos pais, se jogou nos braços maternos. As lágrimas expressavam a alegria e a emoção daquele instante.

D. Margarida, dotada de maior sensibilidade do que o marido passou a absolver o influxo mental do benfeitor, que num abençoado processo telepático vigoroso, a induziu aos esclarecimentos de que a filha tinha necessidade. A mãe contou, que quando todos se encontravam à borda de iminente desgraça, Jesus os convocou a uma vida nova, onde o orgulho que os cegavam e o egoísmo que os consumiam deram lugar à humildade que liberta e à esperança que anima. Depois de ouvir a mãe, Ester perguntou por que sofria tanto, havia uma dor quase selvagem no questionamento de sua filha. D. Margarida, percebendo a extensão do sofrimento de sua filha, se sentiu fraca. Dr. Bezerra, sempre vigilante a envolveu com energias revigorantes, o que foi suficiente para que a mãe se recompôs-se. Mentalmente fortalecida, explicou a filha que tudo que nos acontece procede de nós mesmos. Com o tempo tudo se esclarece, por isso, é necessário ter paciência e confiar em Deus.

As palavras de D. margarida, somada aos fluidos renovadores, encheram Ester-espírito de paz, que acabou adormecida. Finalmente, depois de meses, o corpo da obsidiada repousava sem a intervenção do inimigo desencarnado. Naquele momento, começava a recuperação de ambos.

16. Benções da Fraternidade

No dia seguinte, o Cel. Constâncio contou a esposa que sonhara com Ester, porém não se lembrava muito do sonho. Ao lembrar se da filha, ficou com os olhos úmidos. Graças à ajuda dos seres angelicais, Margarida, emocionada, confirmou que teve a mesma sensação de ter visitado Ester.

O casal, cada vez mais se dedicava aos livros espíritas e ao estudo doutrinário na Sociedade Espírita “Francisco de Assis”. Além disso, sempre realizavam o Culto do evangelho no Lar. Os Santamaria descobriram novos rumos e renovaram a esperança na cura da filha. O médium Joel, com carinho citava experiências consoladoras em incursões mediúnicas. Dona Matilde Albuquerque, a tutora de Rosangela, se transformou numa grande amiga para Margarida. Eles tinham a impressão que o grupo formava uma única família.

Nesse capítulo, aprendemos que em qualquer processo obsessivo tem que acontecer a renovação e a conscientização dos envolvidos, como o despertamento para as responsabilidades do espírito, o amor desinteressado, o perdão indistinto e o desejo real a reparação dos males causados.

Dr. Bezerra programou algumas sessões de “desobessão” para o caso Ester. O primeiro encontro, dirigido pelo Cel. Sobreira, foi trazidos por abnegados auxiliares do diretor espiritual, o obsessor de Ester que se manifestou pela psicofonia inconsciente de Joel. Com a concentração do médium e a orientação de Bezerra, o algoz rapidamente se apossou da oportunidade, modificando a postura e as feições de Joel. Agressivo e furioso bufou: “Sou invencível. Cobrarei lágrimas por lágrimas e mesmo assim, não irei saciar a minha sede de vingança.” Disciplinado e evangelizado, o médium continuava semidesdobrado e acompanhado pelos operosos Instrutores Desencarnados, pronto para qualquer interferência necessária.

Ao mesmo tempo que energias vigorosas eram aplicadas no doente, o dirigente dos trabalhos, perguntou ao espírito sofredor o por que de tanta infelicidade e perseguição. A entidade surpresa e sem saber onde estava, indagou: “Quem me interrompe? Que tipo de cilada é esta?” O esclarecedor respondeu que era a cilada do AMOR, para que ele percebesse as próprias fraquezas e o poder da Misericórdia e Justiça Divina.

Ao receber o esclarecimento, o Espírito disse que não tinha nenhum senhor, nem chefe, que era livre para odiar e vingar. A paciência do Cel. Sobreira era infinita, com carinho explicou, que na verdade ninguém é livre, enquanto não se liberar das paixões, que são os inimigos mais escravizadores que existem.

O dirigente aproveitou a oportunidade também para elucidar ao espírito sofredor que ele estava desencarnado, ou seja, liberado para a verdadeira vida. Mas, continuava enfermo, vitimado pela cegueira do ódio e os venenos da revolta, que o transformaram em ladrão da paz alheia e acovardado na agressividade. O Cel. Sobreira,frisou que todo o grupo presente seguia o Mestre Jesus Cristo, Chefe e Guia.

Philomeno aproximou-se do Espírito alienado e aplicou-lhe passes anestesiantes. A entidade, que fora acometida de grande surpresa ao ouvir o nome de Jesus, recebeu a vibração mental que o acompanhava e lembrou-se, momentaneamente, do Crucificado.

17. Doutrinação e Surpresas

O capítulo começa com a explicação de que cada processo obsessivo tem características especiais, embora genericamente sejam semelhantes. Temos que levar em conta as resistências morais do paciente, hábitos saudáveis ou não, as atitudes de enobrecimento ou de vulgaridade que colecionou. É importante também, entender que, normalmente, além dos implicados na contenda, entidades ociosas ou perversas se reúnem em torno do encarnado em desajuste, piorando a alienação.

No caso de Ester o afastamento do seu algoz para o adequado esclarecimento da situação, não é o suficiente para a melhora imediata da vítima. Já que, viciados desencarnados e parasitas da desordem, continuariam perseguindo até o momento certo de todos serem tratados. Alem disso, a engrenagem mental de Ester prejudicada pela ação dos fluidos deletérios, requer tempo e tratamento especial para a reorganização. De qualquer forma, a poderosa carga de ódio que a molestava diminuiria de intensidade.

Quando o comunicante acordou da indução hipnótica, desejou ir ao Manicômio para continuar o processo de vampirização. Compelido por dois enfermeiros, para ele invisível, foi reconduzido ao sono para prosseguir com o reequilíbrio emocional.

Manuel Philomeno, concluiu que não se pode amar a Deus sem que se ajude ao próximo com dedicação extremada. Da mesma maneira que a vítima tem que ser socorrida, o algoz também necessita da caridade. Até porque o resultado seria inútil e improdutível.

Na segunda sessão desenvolvida para o tratamento do caso Ester, Dr. Bezerra pediu para que todos recordassem o Mestre, que diante de um obsidiado, nunca julgou. Ao contrário, examinava a dor e a sombra que os envolviam. Escutava os medos do algoz e a ambos libertava, conforme as condições interiores de cada um. Ou seja, há de se ter paciência, caridade e oração. Refletindo sobre as palavras do Mentor, chegava-se a conclusão de que o adversário de Ester era somente um irmão doente, necessitado de ajuda.

O médium Joel afastou-se, em seguida, do corpo somático. Todo ele estava transformado numa usina de forças magnéticas de variado teor. Da pineal, vibrava um poderoso dínamo luminoso que irrigava todas as glândulas do sistema endócrino. Bezerra afirmou: “A mediunidade com Jesus é ponte sublime por onde transitam as mais elevadas expressões do pensamento divino entre os homens...” O instrutor Espiritual, deu como exemplo, Joel. O médium era a expressão viva da dedicação, da disciplina pelo trabalho e do estudo consciente do Espiritismo e das próprias limitações. Essas características, o tornava um excelente instrumento para o intercambio.

Em seguida, aproximou-se do Espírito enfermo e ajudou-o aplicando-lhe passes que o despertaram. Assim que acordou, o enfermo furioso, disse que não era de dormir, pois o tempo lhe era precioso demais. Em seguida, o Coronel Santamaria sintonizou com o enfermo, na ânsia de ajudá-lo, a fim de salvar a própria filha, o Espírito sofredor notou a sua presença e, explodiu: “É ele! Tarde, é muito tarde! Agora sou eu quem manda. Vingança.” Enfurecido, perguntou se o coronel não se lembrava, de que ele, fora sua vítima. E afirmou que por isso, dominava a filha, com o objetivo de transformar Ester num cadáver.

A vibração do ódio impregnava a sala, tornando-a desagradável. O dirigente da sessão pediu a todos que orassem, pelo doente. O comunicante, revoltado com a situação, afirmava que nunca o perdoaria. Todo o mal que o Cel Santamaria tinha feito a ele e a sua família seria cobrado, através da morte lenta da filha. Mas, caso desejasse fugir pelo suicídio como já lhe sugeriu, melhor ainda. O dirigente da reunião elucidou o Espírito sobre a necessidade do perdão, e que era muito melhor perdoar do que rogar perdão. Além disso, Sobreira lembrou que a vítima Ester, não pertencia a seu genitor, nem a ele, mas ao Pai Criador. Perguntado se conhecia Jesus, o Espírito disse que chegou a amar o Mestre na infância, mas que agora era tarde. Sobreira, respondeu-lhe que ninguém ama a Jesus e depois o abandona. A pessoa é que se afasta dele. E rogou-lhe, uma reconciliação com o irmão que ele supunha ser ainda seu adversário. Já que o enfermo se negava a perdoar, o dirigente questionou como ele tinha coragem de, objetivando martirizar o pai, afligir também a genitora de Ester? Como ele se sentiria se alguém também causasse o mesmo sofrimento a sua devotada mãe? A entidade se emocionou com a referência feita a sua mãe. Dr. Bezerra ministrou-lhe passes magnéticos e o Espírito, envolvido por energias calmantes, adormeceu.

RESUMO FEITO POR ANA PAULA ROCHA * FAVOR MANTER OS CRÉDITOS

18. Novos esclarecimentos

Voltando dos trabalhos espirituais onde o inimigo desencarnado havia se manifestado, o casal Sobreira, percebendo o estado do casal Santamaría, resolveram convidá-los para um chá, o que foi aceito, pois tinham necessidades de esclarecimentos sobre o que foi ouvido do inimigo desencarnado.

O Coronel Santamaría sentiu-se ferido em seu orgulho de homem correto e justo, não entendo o porquê daquele homem ter sido tão agressivo com ele e porque ameaçava sua filha.

Sobreira pede para que tenha paciência e compreensão, que não visse o ofensor como inimigo, pois este perturbado como se encontrava, não tinha o conhecimento correto das coisas, acreditando que a sua visão dos fatos eram corretas.

E, enquanto os homens conversavam sobre o ocorrido, D. Mercedes dizia a D. Margarida que refletisse e considerasse que o ofensor de hoje, pode ter sido o ferido de ontem.

Disse-lhe que a melhor forma de proceder seria a piedade e a oração pelo perseguidor.

A programação especial de socorro a Ester e dos envolvidos, previa dois encontros por semana para a desobsessão e os demais dias seriam dedicados ao estudo da doutrina para esclarecimentos de todos, de forma a evitar-se perturbação nos trabalhos.

Rosangela observou que a obsediada apresentava pequenas melhoras e, com o afastamento do obsessor e diminuída a assimilação continua dos fluidos enfermiços, o organismo passou a recobrar aos poucos o controle das suas funções.

No terceiro encontro para assistência especializada, reuniram-se às 19h30min. Os diligentes mensageiros espirituais, vinculados ao trabalho da noite, haviam acionado aparelhagem promotora de assepsia psíquica do ambiente e outros tipos de aparelhos, necessários para os trabalhos daquela noite.

Tudo era harmonia. O perseguidor, em hibernação, recebia da espiritualidade o carinho, que o acalmava, inspirando compaixão e socorro no desvario a que se entregava.

Foi desperto pela interferência do Mentor, que se fez visível, provocando emoção no perseguidor.

O Obsessor esclarece que tem sido vítima do Coronel e que foi encaminhado por nobre conselheiro da justiça a proceder à cobrança própria.

O Mentor esclarece que está trabalhando em favor dele e, como ele se utiliza de Ester para afligi-la, foi trazido para se comunicar com o adversário através de um médium, o irmão Joel, para que ambos promovessem entendimentos.

O Mentor fala que o mal é sempre pior para quem o cultiva e que o Conselheiro dele havia se equivocado, conduzindo-o à grave erro e, pede que apresente o seu problema.

19. Revelações surpreendentes

O perseguidor se diz infeliz e revela que odeia e quer odiar. Diz que foi enganado. Explica que a vitima sempre recorda o que sofreu qual um animal que foi ferido.

Identifica-se como Matias, que morreu na segunda guerra e era conhecido como “baiano”.

Era 12 de dezembro de 1944 quando ordens para tomar a Cordilheira de Monte Castelo.

As imagens da guerra são revividas durante a narrativa, sendo percebido na aparelhagem mediúnica.

Coronel Sobreira inspirado pelo Mentor aproxima-se de Matias, aplicando-lhe passes magnéticos com a função de acalma-lo.

Matias diz que sofre e o ódio o desarvora. Fala que o Coronel Santamaría o matou e o traiu.

Enquanto Matias era acalmado, Melquiades e Angelo, adestrados na enfermagem psíquica tranquilizavam o Coronel Santamaría.

O Coronel recordava e revia aqueles dias. Não fosse a alcunha de “baiano”, não teria se lembrado de Matias.

Harmonizados pela espiritualidade, Matias voltou a narrar os acontecimentos.

Ele, Matias, não tinha muito simpatia pelo Coronel, mas o servia com respeito.

Conta que sempre acreditou em sonhos e que sonhara que ia morrer naquele dia. Não dormiu naquela noite e rezou para que não fosse enviado.

Pediu ao Coronel que não fosse colocado na linha de fogo. Este zombou dele e disse que todos estavam ali para morrer e que era o dever de todos, morrer pela Pátria.

Matias compreendia e pediu um favor ao Coronel. Se ele morresse que o Coronel ajudasse sua mãe e irmã. O Coronel prometeu que faria e pediu seu registro e o endereço da família.

Matias morreu na batalha e após a desencarnação, em meio à agonia do violento desencarne, ouviu um choro e seu nome e, reconhecendo a voz de sua genitora, correu para dizer que não estava morto, estava doente. A mãe não o ouvia. Foi até a irmã, já adulta, vivendo numa casa de prostituição. Teve a impressão que a irmã o tinha visto, porém, assustada, correu.

Após longo período de sofrimento, foi compreendendo que havia morrido e lentamente foi organizando as lembranças, então, lembrou-se do Capitão, agora Coronel, e começou a pensar nele. Seus pensamentos o levaram a casa dos Santamaría, que viviam numa linda casa e felizes exibiam a filha.

Tentou agredi-lo e não conseguiu, então, ao ouvir a filha do Coronel tocando piano, aproximou-se de Ester, que parecia ter a mesma idade da irmã, porém numa situação bem diferente.

Percebeu que Ester sentiu sua presença, então lhe agarrou os braços e viu que os seus ficaram presos nos dele. E, percebendo que estavam misturados um ao outro, passou a usar Ester para agredir fisicamente o Coronel, tirando dela o controle, enlouquecendo-a.

Informou que assim estavam e assim permaneceriam. Pede para perguntar se o Coronel se lembra dele.

O doutrinador pergunta a Matias: “O desespero do teu próximo acalmaria sua agonia; Ester enlouquecida, recupera a Josefa?; A angustia de D. Margarida diminui a pobreza de tua mãe?”.

Esclarece que ele não está se vingando, está destruindo e destroçando os deles. Que não ama a família, nunca amou.

Matias diz que faz justiça e o Doutrinador diz que ele está confundindo justiça com indignidade e covardia moral. Matias Chora.

O Instrutor pergunta a Constâncio se tem algo a dizer.

O Coronel diz que sim. Recorda-se de Matias e que jamais desejou trair ou esquecer o prometido.

Revendo aqueles dias terríveis, com o fim da guerra, à volta a Pátria, a readaptação e com as novas atividades, acabou sendo traído pela memoria.

Pede perdão por ter sido o responsável pelo sofrimento dele e de sua família.

Matias não perdoa. O Coronel pede que o castigue e liberte sua filha. Matias continua irredutível. Constâncio, então, pede a oportunidade de ajudar sua família e pergunta como pode encontrá-las.

Matias continua não acreditando nas promessas do genitor de Ester. O Coronel diz não pedir mais por Ester, que compreende a dor dele e pede a sua ajuda para reparar todo o sofrimento imposto a sua família.

Matias mesmo desconfiado fornece o endereço onde sua mãe vive.

Fazendo uso da mediunidade de Rosangela, Bezerra procedeu às diretrizes finais antes do encerramento dos trabalhos dizendo:

“Como se faz necessário punçar o abscesso para drená-lo, restabelecendo a vitalização das células e evitando que se apodreçam, indispensável que em momentos próprios, se deixem extravasem das infecções morais a purulência e a vasa pestilencial depositadas no espirito lúrido, vencido...”

O Instrutor recomenda que evitem ressentimentos para com o irmão doente, interrogações adiáveis ou ansiedades inoportunas... Que entregassem a Jesus, aguardando pacientes, os resultados.

20. Incursão no passado

Miranda e os outros foram incumbidos de acompanharem o casal Santamaría, cuidando de trazê-los de volta a Casa Espirita, a hora programada, para a segunda fase das operações de socorro da noite.

Observou-se que o casal estava agradecido a Deus pela oportunidade, prometendo empenho na reabilitação do doloroso drama de que foram responsáveis, sem o desejarem.

Adormecidos, foram reconduzidos em desdobramento parcial, pelo sono, a sede da Casa Espirita, onde foram alojados em local reservado.

A facilidade com que se movimentava Joel e alta lucidez que o possuía chamava a atenção de Miranda. A esposa desencarnada de Joel estava ao seu lado.

Miranda e Irmão Melquiades foram convidados a se dirigirem a Casa de Saúde, a fim de trazer Ester, cuja presença se fazia imprescindível.

Os passes frequentemente ministrados pelo irmão Melquiades na enferma, produziram estimulantes resultados desde que se iniciara a terapêutica desobsessiva.

Miranda comenta que muitos profissionais da medicina e da enfermagem supõem que de outra terapêutica não dispõem, quando falham os recursos clássicos... Em razão disso, relegam os pacientes a própria sorte, não perdendo tempo com os casos irrecuperáveis. Esquecem, no entanto, a terapia do amor, psicoterapia do entendimento e da atenção.

As atividades e cuidados para o cometimento já haviam sido iniciados.

Atendendo ao imperativo da hora, o Instrutor convidou Miranda e os outros para o serviço do despertamento dos membros do grupo.

Cada mente, na condição de fixador e seletor de aptidões, somente permite ao espirito o que este cultiva e grava nas engrenagens do espirito.

Assim, o homem é sempre o que pensa, porquanto da fonte mental, fluem os rios das realizações. As matrizes mentais demoradamente fixadas por viciações, desequilíbrios, não podem de inopino ser removidas ou alteradas, constituindo os fulcros da ideação e da vida, onde cada ser, encarnado ou não, habita.

Matias prosseguia dormindo, enquanto Ester não dava sinais de lucidez.

A posição dos membros encarnados fora providenciada para a formação de um circulo quase fechado.

Iniciando os trabalhos o Diretor, exorou:

“Senhor Jesus!” - “Aqui estamos, teus servos imperfeitos que reconhecemos ser, tentando o ministério da caridade fraternal, que vos ensinastes com o exemplo da renúncia e do sacrifício...”.

O Mentor, em atitude de indefinível emoção, adquirira tonalidade safirinas, que lhe adornavam beleza seráfica.

Após breves momentos, passaram a algumas considerações, no sentido de elucidar e estudar com maior profundidade o problema Ester-Matias.

Colocados os dois juntos, observou-se que Ester apresentava expressiva melhora, apesar de Matias ainda enviar fluidos venenosos e da telepatia perturbante.

O Coronel Santamaría pediu ao Mentor permissão para se dirigir a filha, o que foi aceito.

A filha diz ao pai que está louca e se sente como um animal enjaulado e fala do abandono a que foi relegada.

O pai a acalma e pede que ela confie em Deus e que esclarecimentos seriam feitos e tudo ficaria bem.

Sob os cuidados do irmão Melquiades, Ester acalmou-se.

Matias agora desperto e sob os cuidados do irmão Ângelo perguntava por que se encontrava encarcerado naquele circulo. Olhou para o grupo, viu Ester e perguntou por que ela estava ali.

Ester ao ver Matias estremeceu e começou a gritar, modificando-lhe o aspecto.

O Diretor já esperando por aquele acontecimento prosseguiu sereno.

Ester aproximou-se de Matias dizendo que o odiava. Irmão Ângelo pôs-se a trabalhar na sede do centro cerebral dele, fazendo recuar no tempo.

Ester diz lembrar-se de Matias, chamando-o de infame e traidor e que jamais o perdoaria.

Matias reconheceu Ester e entendeu que apesar de odiar o pai dela, sentia prazer em persegui-la. Ester diz que não tem pai.

Matias aponta para Constâncio e pede que Ester se recorde dele, que fora seu amante, executor de suas tramoias e que agora se encontra com outra aparência.

Matias diz que vai se vingar e Ester retruca, dizendo que a vingança é dela, por ele a ter roubado, explorado, abandonando-a por outra mulher.

E assim, prosseguiram, em ofensas reciprocas e acusações continuas.

Podiam ajuizar agora com firmeza, que a jovem, débil e insana, inspiradora de compaixão, a padecer por um erro cometido do seu pai, sofria necessariamente com justiça.

Entrementes encontrávamos nela mesma as matrizes propiciatórias às ligações para o reajuste pelas trilhas da obsessão.

Enquanto falava com inflexão que não dava margem a contraditas, os enfermeiros impediam que os alterados prosseguissem e ouvissem os conceitos preciosos.

O médium Joel aproximou-se de Ester, agora Eduardina, transfigurada em uma matrona portuguesa dos primeiros dias do século passado, e a fez sentar.

Matias agora como Casemiro, apresentava traços de nobre beleza física, no ardor da juventude, que nada lembrava os sinais deformantes da desencarnação por ocasião da guerra.

Foram permitidas as reminiscências entre Casemiro e Eduardina para solucionar as dificuldades vigentes em Matias e Ester.

A vitória cabe a quem perdoa e ajuda, esquece o mal para fazer o bem, sepulta a magoa para libertar a confiança.

O Instrutor sugere que voltem a Braga.

Eduardina-Ester crava os olhos fora de orbita no Coronel, enquanto Matias-Casemiro demonstra inquietação.

Face à sugestão, em processo regressivo da memória, uma transfiguração ocorreu no genitor da obsessa, modificando lhe a aparência.

RESUMO FEITO POR FRANCISCA PASSOS * FAVOR MANTER OS CRÉDITOS

21. Crimes ocultos

O Coronel então assumiu a aparência de sua última encarnação. Dr. Bezerra, através de um aparelho parecido com uma TV terrena, apresentou o local onde passaram os acontecimentos vinculados aos três companheiros.

O Mentor sugeriu ao militar que recordasse de Eduardina, que mergulhasse nas lembranças do Monsenhor Severo Augusto dos Mártires.

Dessa forma, através da força da ideia plasmadora, a transmutação do perispirito estava detalhada. Seus lábios, tiques nervosos, etc.

Evocadas as imagens mentais reviviam o momento em que, por sugestão de Eduardina/Ester resolveram, juntos, cometer o crime.

A portuguesa envia um bilhete ao Monsenhor para que se encontrassem mais tarde.

Na mansão a Sra Eduardina deseja recomeçar a sua relação com o Sacerdote, pois a havia interrompido quando iniciou o romance com Casimiro/Matias. Mas o rapaz a abandonou para ficar com Maria do Socorro, sua sobrinha, que além do romance engravidou de Casimiro.

Eduardina queria vingar-se do ex- amante e da sobrinha, assim, resolveu associar-se ao Sacerdote, independente do preço que teria que pagar. Monsenhor então disse: “Sua fidelidade a mim até a morte, pela morte dele, o desrespeitador”. A jovem grávida seria encarcerada num convento. Tais planejamentos selavam os destinos de ambos, Eduardina e Monsenhor, para o futuro, em compromissos demorados de dor e sombra imprevisíveis.

Dr. Bezerra, através de passes, fez com que as memórias do Coronel cessassem e reequilibrou-o. Aproximou-se de Casimiro/Matias e sugeriu a recordação: “... lembre-se de quando lhe chegou à precatória para apresentar-se ao tribunal...”

Casimiro era leviano e utilizava sua beleza para seduzir as mulheres. Vinha de família nobre, possuidora de riquezas e títulos em Leiria. Veio para Braga para tentar carreira no clero por lhe parecer rendosa e favorável a vasão dos pendores negativos que o dominavam.

Por suas atitudes gerou inveja e ódio ao seu redor, e por sua indisciplina, ficou doente e foi dispensado do seminário.

Pela amizade que seus parentes tinham com a viúva do Alcantilado, hospedou-se na mansão até recuperar-se da doença. Deste modo, Casimiro vinculou-se a Eduardina. Seria o início de um infeliz relacionamento.

O rapaz recusou-se a casar com a viúva e, como já havia seduzido e engravidado a sobrinha, contou-lhe toda a verdade: “... ameaçando unir-se a jovem, por amor, a fim de limpar-lhe o nome e honrar o filho.” Ele retornaria a Leiria com Maria do Socorro, mas antes se hospedou na casa de amigos, quando recebeu a intimação do Santo Ofício. Logo foi encarcerado para responder ao processo que fora instaurado contra ele, com acusações de roubo, atitude indecorosa contra a igreja, prostituição de menores mediante sedução diabólica. O Monsenhor dos Mártires estava por trás de toda trama.

Após julgamento arbitrário e incansáveis torturas, Casimiro desencarnou prematuramente.

O crime fora esquecido.

Dr. Bezerra despertou Matias, e agora a viúva Eduardina Rosa recordaria o que fez com a sobrinha.

Maria do Socorro, grávida, fora encarcerada num “convento que ajudava jovens equivocadas e iludidas.” As jovens viviam presas, sem nenhuma liberdade, então o desespero as alucinava e a revolta marcava seus espíritos por longos períodos onde muitas vezes atravessavam várias reencarnações.

A moça teve uma filha, que em seguida fora afastada e encaminhada a um lar de órfãos. Naquela vida ela nunca conhecera a filha.

Agora reencarnados estavam: a filha órfã como genitora de Matias/Casimiro e Josefa/Maria do Socorro.

Eduardina lembra-se de que fora socorrida no plano espiritual por sua mãe, que era a mesma desta, D. Margarida.

Durante as revelações D. Margarida esteve serena, mas comoveu-se com o destino de Maria do Socorro e da criança. Desta forma, colaboraria de todas as maneiras para o socorro daquela família. Assim ajudaria no equilíbrio das dívidas de Matias, sua família e Ester.

Matias comoveu-se com os pensamentos fraternais de D.Margarida.

O Mentor verificou o programa santificante, conclamando-o ao ministério da justiça das leis que reúne os implicados nas tramas dos destinos, para que refaçam a vida, dispondo inclusive dos vínculos familiares, de modo que as dependências EMOCIONAL, AFETIVA, FÍSICA e ECONÔMICA, criem os VÍNCULOS para o REAJUSTAMENTO e o PERDÃO, para ocorrer a ascensão vitoriosa de Deus.

Dr. Bezerra informa que o mesmo grupo procede de outros tipos de experiências, no entanto fracassaram.

“... para os que estão reencarnados, cada minuto é desafio, no corpo. A advertência da VIGILÂNCIA implica necessidade de cuidados contínuos... ”

“Desespero ou harmonia se encontra ao alcance de quem a um ou outro melhor se afeiçoe, ou com o qual prefira afinizar-se.”

Retomando a palavra o Diretor disse que a maioria dos presentes não se recordaria de nada e que a Terra é a nossa escola de progresso. Ele dirigiu-se aos três membros do processo obsessivo e disse que um era responsável pelo insucesso do outro e que era indispensável o PERDÃO.

22. Comentários oportunos

No dia seguinte, cada participante havia registrado o momento da forma oportuna. Apenas o médium Joel lembrava quase completamente das abençoadas revelações.

Os Santamaria recordavam apenas que participaram de uma reunião, mas estavam otimistas com o futuro.

O Coronel Sobreira despertou animado e satisfeito.

Rosangela acordou pensando em Ester e quando chegou ao hospital obteve notícias a seu respeito. Ester, aos poucos, recobrava a lucidez.

À noite, após a sessão na Casa Espírita, os amigos reuniram-se na casa do coronel. Este fala sobre a sua vontade de ir procurar a família de Matias em Salvador e cumprir sua promessa. Os amigos encorajam os bons propósitos de amizade e cooperação e disseram que cada um deve “FAZER MELHOR DA NOSSA PARTE”.

D. Margarida perguntou a Joel sobre a reunião no plano espiritual, na qual ele esclareceu, sobre orientação do Dr. Bezerra.

O Mentor sugeriu que Ester fosse transferida para um hospital para receber assistência geral e reestabelecer sua saúde. Quando o Coronel retornasse da viagem seria oportuno trazê-la ao lar definitivamente.

Troca-la de hospital seria benéfico para dexintoxicação dos fluidos deprimentes daquele manicômio. As visitas frequentes da mãe trariam um novo animo para a paciente.

O plano espiritual continuaria trabalhando em benefício de Ester e Matias.

“... que a Lei é, sim, de justiça, mas que a justiça de Nosso Pai se chama Amor.”

Manoel Philomeno de Miranda perguntou ao Mentor qual a finalidade da presença daqueles irmãos na reunião espiritual se eles não se recordariam: “... nenhuma experiência, mesmo as não recordadas, se perde em nosso cabedal de aquisições pessoais. O importante, no caso, não é recordar o erro, mas dele libertar-se, expulsando o débito praticado dos painéis da alma.”

“Os assuntos perniciosos que são sepultados sem elucidação que os anula, ressurgem, quando menos se espera, em forma de ansiedade, frustração, receio ou insegurança.”

“As impressões de ódio, quando sufocadas, por falta de oportunidade de serem diluídas no amor, geram enfermidades que afetam o corpo e a mente.”

“A recordação total, no entanto, para alguns, na esfera física, não treinados para a vida nos dois planos, simultaneamente, constituiria aflição e distonia desnecessários. Daí, a misericórdia do Senhor facultando-lhes o olvido. ”

Matias foi completamente desvinculado de Ester, e corriam as execuções para os planos futuros das duas famílias.

23. Abigail e Josefa

Ester fora transferida para uma casa de repouso em Jacarepaguá, cujo médico era Dr. Armando Bittencourt, espiritualista, crente na reencarnação e conhecedor dos fundamentos obsessivos.

D. Margarida ficaria com a filha enquanto o marido estivesse em Salvador.

Já em Salvador o Coronel foi à procura da família de Matias e emocionado encontrou a choupana a beira de uma ladeira íngreme. Comoveu-se com o sofrimento de D. Abigail e pensou que já fora um homem cego para a vida, agora, porém, não era mais egoísta, felizmente enxergava ao seu redor.

Encontrou D. Abigail à noite e explicou que conhecera Matias no exército, durante a Segunda Guerra fora seu Capitão. Agora estava cumprindo a promessa que fizera, em ajudar a mãe e irmã do soldado. Explicou que era Espírita e pediu perdão pelo esquecimento da promessa, afinal passaram 17 anos desde a desencarnação de Matias, mas este veio comunicar-se através de um médium e reinterou a promessa feita antes de morrer.

Os dois conversaram bastante e no final ele perguntou se poderia abraçá-la.

Abigail confessou-se Espírita, explicou que quase enlouquecera com a soma das dores: a morte do filho e a filha que saiu de casa e começou a se prostituir. Ela narra o dia em que clamou por Deus e chamou por Matias. Algum tempo depois buscou auxílio numa Casa Espírita, onde encontrou esperança e paz. Nesta, foi informada que o filho sofria, e a mãe começou a orar por ele.

Ela soube que Josefa era médium e via Matias deformado.

Deus a ouviu estava lançada a ponte para o trânsito feliz, rumo à vitória.

O Coronel não mais se reconhecia, pensou em suas transformações morais e a forma de considerar seus valores. Agora transferia as realidades para a vida espiritual, seus conceitos eram outros.

Dr. Bezerra planejou mais uma reunião no Plano Espiritual onde Josefa, Abigail, o Coronel e Ester estariam juntos dos demais cooperadores do plano superior.

José Pititinga, apóstolo baiano, iniciou a reunião com belas palavras e esclareceu que o Monsenhor e Eduardina estavam arrependidos pelos crimes cometidos contra mãe e filha, e estavam sofrendo através da Lei de Causa e Efeito.

Josefa/Maria do Socorro ria e chorava ao mesmo tempo. Foi esclarecida sobre as novas oportunidades e quem era quem em novas roupagens, inclusive que a sua filha de “ontem” era sua mãe de “hoje” e que Casimiro era Matias. E aquele benfeitor que as ajudaria era o Monsenhor dos Mártires, pai de Ester/Eduardina.

“A Justiça de Deus não erra, nem tarda, manifesta-se, não conforme nosso agrado, porém no momento oportuno.”

“O corpo é sagrado patrimônio de que se há de respeitar e dar conta ao Criador...”.

Josefa estava presa às amarras obsessivas, mas ela precisava fugir por conta de seu livre arbítrio.

Ester pediu perdão a Josefa, pois naquela ocasião estava invigilante e perdida. Ambas reconciliaram-se e prometeram se ajudar no futuro próximo!

24. Dia novo de luz

Josefa despertou e recordava com nitidez seu encontro no plano espiritual. Sentiu náusea e pavor daquele recinto e, de súbito, pensou em sair correndo dali. Os obsessores que a vampirizavam tentaram agredi-la, mas ela estava inspirada pelo plano superior que a fortalecia com coragem, mas sem interferir no seu livre arbítrio.

Ela orou, e através da prece ansiosa e confiante, Dr. Bezerra expulsou os parasitas espirituais, chamando Josefa ao encontro com Jesus.

A moça saiu correndo da “casa de prazeres” e buscou refugio na casa de sua mãe. Lá narrou o sonho e disse que elas não poderiam permanecer ali por muito tempo, pois o gerente daquela casa iria procura-la.

Naquele momento D. Abigail se lembrou do Coronel e resolveram solicitar seu auxilio. Mas antes foram à casa de Teófilo, presidente da Casa Espírita que Abigail frequentava. Este resolveu procurar Santamaria e esclarecê-lo sobre o ocorrido.

O Coronel disse às duas que veio a Salvador pensando em leva-las para o Rio de Janeiro. “Agora percebo que o mundo espiritual nos ajuda, em face da resolução de Josefa...” Assim, providenciaria a viagem para o dia seguinte; informou à esposa que levaria mãe e filha para morarem com eles no Rio de Janeiro.

Chegando ao Rio todos se conheceram e no dia seguinte, na Casa Espírita, D. Abigail confessou que o que lhe afligia eram os perseguidores de Josefa. Esta deveria ser submetida a tratamento médico para reequilibrar o organismo debilitado. Iria se tratar na mesma clínica de Ester. Estariam novamente juntas, uma nova oportunidade para o reequilíbrio com as Leis através da dor!

Na sessão espírita Matias verificou que a promessa foi cumprida e sua família ficaria segura e bem. Ele se redime perdoando e pedindo perdão, solicita ajuda para também ser ÚTIL AO PRÓXIMO.

“A VIDA É O QUE DELA FAZEMOS.”


PRECISAMOS ESTAR SEMPRE EM “CONSTANTE VIGILANCIA.”.


“O AMANHÃ É O NOSSO DIA DE COLHER. SEMEEMOS, HOJE, AS FÉRTEIS MESSES DE ESPERANÇA, EM FLORES DE BONDADE.”


“JESUS FARÁ POR NÓS O QUE NOS NÃO SEJA POSSÍVEL REALIZAR.”

RESUMO FEITO POR MARIA FERNANDA RIBEIRO * FAVOR MANTER OS CRÉDITOS

Após a reunião realizamos nosso encontro fraterno para comemorar os aniversários de Maria Silvia e Naza

POR GENTILEZA, UTILIZEM OS RESUMOS MANTENDO O CRÉDITO DAQUELES QUE SE ESFORÇARAM E FIZERAM O TRABALHO.
"ESPÍRITAS AMAI-VOS E INSTRUI-VOS"

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Nas Fronteiras da Loucura - Clube do Livro - Março 2013


INTRODUÇÃO


*O problema da saúde mental 

É muito diáfana a linha divisória entre a sanidade e o desequilíbrio mental. Transita-se de um lado para outro com relativa facilidade, sem que inicialmente ocorra mudança expressiva no comportamento da criatura. Ligeira excitação, alguma ocorrência depressiva, uma ansiedade, um momento de mágoa, a escassez de recursos financeiros, a ausência de um trabalho digno, entre muitos outros fatores, podem levar o homem para a outra faixa da saúde mental, alienando-se temporariamente e logo retornando à posição anterior. Problemas de ordem emocional e psicológica, com freqüência, conduzem o indivíduo a estados de distonia psíquica, sem produzir maiores danos quando não se deixa que enraízem ou que constituam causa de demorado trauma. Vivemos numa época em que as neuroses e as psicoses campeiam desenfreadas, mas é preciso lembrar que, além dos fatores que predispõem à loucura -- e dentre os quais situamos o carma do Espírito --, existe a obsessão espiritual, que leva o indivíduo a dar o passo adiante, arrojando-o no desfiladeiro da alienação de largo porte e de difícil recuperação... São os sexólatras, os violentos, os exagerados, os dependentes de viciações de qualquer natureza, os pessimistas, os invejosos, os amargurados, os suspeitosos incondicionais, os ciumentos, os obsidiados, que mais facilmente transpõem os limites da saúde mental... (Nas Fronteiras da Loucura, pp. 3 e 4)

 *A obsessão é fronteira perigosa para a loucura 

Manoel P. Miranda irá deter-se, nesta obra, nas psicopatogêneses espirituais, sejam as de natureza emocional, pelas aptidões e impulsos que procedem de reencarnações anteriores, sejam as derivadas de obsessões infelizes, advertindo desde logo que a obsessão é uma fronteira perigosa para a loucura irreversível. Sutil e transparente, a princípio, agrava-se em razão da tendência negativa com que o infrator dos Soberanos Códigos da Vida a agasalha. Dando gênese a enfermidades várias, inicialmente imaginárias, que a pessoa recebe por via telepática, podem transformar-se em males orgânicos de conseqüências não suspeitadas, ao talante do agente perseguidor que induz sua vítima, que o hospeda, a situações lamentáveis. O autor assevera que há muito mais obsessão grassando na Terra do que se imagina e se crê. Aqui, cada ser sintoniza com outro equivalente, mas como por enquanto prevalecem os teores mais pesados de vibrações negativas na Terra, isso perturba gravemente a economia psíquica, social e moral de seus habitantes. (Nas Fronteiras da Loucura, pp. 4 e 5)

*Erradicar a obsessão na Terra é tarefa de todos

Manoel P. de Miranda esclarece que, não obstante esse panorama difícil, a vigilância do amor de Jesus atua positiva, laborando com eficiência para que se modifiquem os dolorosos quadros da atualidade, dando surgimento, assim, a uma fase nova de saúde e paz. Nesse contexto, o Espiritismo -- que o autor considera o mais eficaz e fácil tratado de Higiene Mental -- desempenha um papel relevante, prevenindo o homem dos males que ele gera para si mesmo (e que lhe cumpre evitar), facultando-lhe os recursos para superar a problemática obsessiva, e apoiando e enriquecendo os nobres profissionais e missionários da Psicologia, da Psiquiatria e da Psicanálise... Neste livro, serão examinadas algumas técnicas obsessivas de Entidades perversas, bem como alguns métodos e terapias desobsessivas ministrados pelos Mentores Espirituais. Em suas páginas desfilam criaturas que se encontravam nas fronteiras da loucura e depois, uma vez amparadas, foram reconduzidas ao equilíbrio. André Luiz, em sua mensagem psicografada por Chico Xavier, assevera que a desmontagem da obsessão é trabalho milenar sobre a Terra e não pode, por isso, ser atribuída a um único tarefeiro. Erradicá-la no caminho dos homens é tarefa que compete, portanto, a todos. (Nas Fronteiras da Loucura, pp. 5 e 6. Explicação, pp. 7 e 8)

*A aquisição da paz é resultante de nossos esforços

Allan Kardec examina a patologia das obsessões no cap. 23 d' O Livro dos Médiuns, desdobrando-a em três tipos: obsessão simples, fascinação e subjugação. O fundamento da vida é o Espírito, em torno de cuja realidade tudo gira e se manifesta. O temperamento de toda criatura é uma decorrência natural do somatório dos valores que transitam pelas várias reencarnações, a transferir-se de uma para outra etapa carnal. Destinado à perfeição relativa, o Espírito cresce sob a claridade do amor, estimulado normalmente pelo aguilhão do sofrimento, que a si propicia, em razão da rebeldia ou da insatisfação que lhe são as excrescências do egoísmo. Trazendo em gérmen a divina presença donde se origina, adquire através das experiências os recursos para progredir, estacionar ou retardar o desenvolvimento das funções que lhe são inerentes. Quando os estímulos para o progresso não funcionem, e ele deseje postergá-lo, imposições da Lei jungem-no ao processo de cresci-mento, mediante as expiações lenificadoras que o depuram, cooperando para a eliminação das mazelas que o martirizam. A aquisição da paz é, por isso, uma resultante de lutas e esforços que o disciplinam, condicionando-lhe os hábitos salutares, através dos quais se harmoniza com a vida. Em tal processo, a mente é o espelho a refletir os estados íntimos, as conquistas logradas e as por conseguir. Dínamo gerador de recursos psicofísicos, nas paisagens mentais se expressam, facilmente, os estados múltiplos da personalidade, encadeando sucessos ou fracassos, que se exteriorizam em formas depressivas, ansiosas, traumáticas, neurastênicas e outras, originando enfermidades psíquicas de variada e complexa nomenclatura. Em face desses estados mórbidos -- originados em vidas passadas por desrespeito às Leis da Vida -- abrem-se largas brechas que facultam e estimulam as parasitoses espirituais, que degeneram em síndromas obsessivas e se convertem, não raro, em subjugações de curso irreversível. (Análise das Obsessões, pp. 9 e 10)

*Recepção da idéia perturbadora

Vivendo em permanente intercâmbio, nós Espíritos, encarnados e desencarnados, participamos das vivências no corpo e fora dele. Não apenas por processos de vingança pessoal, em que os desafetos se buscam, como por fatores de variada motivação, assimilam-se idéias e pensamentos pela simples sintonia da onda própria em que se situam as mentes. Assaltada por vibrações negativas, a mente ociosa ou indisciplinada, viciada ou rebelde, logo registra a interferência e -- porque não se ajusta a um programa educativo da vontade -- recebe o impulso da idéia, permitindo-se aceitar a sugestão perturbadora, que agasalha e vitaliza sob a natural acomodação dos complexos e recalques, dos comportamentos pessimistas ou exaltados peculiares a cada um. Aceita a indução, forma-se uma tomada para a ligação com a sombra, em regime de intercâmbio psíquico. (Análise das Obsessões, pp. 10 e 11)

*Intercâmbio mental

Fixada a idéia infeliz, os porões do inconsciente deixam transbordar as impressões angustiosas que dormem armazenadas, confundindo-se, na consciência, com as informações atuais, ao tempo em que se encontra em desordem pela influência da parasitose externa que se vai assenhoreando do campo exposto, sem defesas. Por natural processo seletivo, e considerando as tendências, as preferências emocionais e intelectuais do paciente, a injunção produz melhor aceitação das recordações perniciosas, que servem de veículo e acesso ao pensamento do invasor. Em casos desta natureza, a polivalência mental tende ao monoideísmo, que produz os quadros da fascinação torturante e, por fim, da subjugação de difícil reversibilidade. A obsessão simples é, pois, parasitose comum em quase todas as criaturas, em se considerando o natural intercurso psíquico vigente em todas as partes do Universo. Tendo-se em vista a infinita variedade das posições vibratórias em que se demoram os homens, estes sofrem, quanto influem em tais faixas, sintonizando, por processo normal, com os outros comensais aí situados. Se são portadores de aspirações nobilitantes, haurem, onde se fixem, maior impulso para o crescimento. Permanecendo na construção do bem, dificilmente assimilam as induções perversas ou criminosas procedentes dos estagiários das regiões inferiores, mas não ficam indenes à agressão temporária ou permanente de que se liberam em face dos objetivos morais que perseguem, graças aos quais vibram em mais elevada escala psíquica. Se interessados, porém, na vulgaridade e no prazer, na impiedade ou na preguiça, no vício ou na desordem, recebem maior influxo de ondas mentais equivalentes, resvalando para os despenhadeiros da emoção aturdida e do desequilíbrio. Tais pacientes conduzem ao leito, antes do repouso físico, as apreensões angustiantes, as ambições desenfreadas, as paixões perturbadoras, demorando-se em reflexões que as vitalizam, vivendo-as pela mente, quando não encontram meios de fruí-las fisicamente. Ao se desdobrarem sob a ação do sono, encontram-se com os afins -- encarnados ou não -- com os quais se identificam... Quando despertam, trazem a mente atribulada, tarda, sob incômodo cansaço físico e psíquico, encontrando dificuldade para fixar os compromissos e as lições edificantes da vida. Nessa posição -- a idéia obsidente fixada e a viciação estabelecida -- dá-se o intercâmbio mental. Já não é o pensamento que busca acolhida, mas a atividade que tenta intercâmbio, mantendo diálogo, discutindo, analisando as questões em pauta, do que decorre a predominância do parasita espiritual, que mais se acerca psiquicamente da casa mental e da vontade do seu consorte. (Análise das Obsessões, pp. 11 e 12)

*Reflexos da interferência

Como efeito dessa interferência, surgem as síndromas da inquietação: as desconfianças, os estados de insegurança, as enfermidades de pequena monta, os insucessos em torno do obsidiado, dando campo a incertezas, a mais ampla perturbação interior. Gera uma psicosfera perniciosa à própria volta pela eliminação dos fluidos deletérios de que é vítima e absorve-a mais condensada, por escusar-se a ouvir sadias questões, participar de convívios amenos, ler páginas edificantes, auxiliar o próximo, renovar-se pela oração. Conforme a constituição de seu temperamento, se tende à depressão, faz-se apático, adentrando-se pela melancolia, em razão da mensagem telepática deprimente e os clichês mentais pessimistas que ressumam do arquivo da inconsciência. Em sentido oposto, se é dotado de constituição nervosa excitada, torna-se agressivo, violento, em desarmonia de atitudes -- explode por nonadas, e logo se arrepende --, expondo a aparelhagem psíquica e os nervos a altas cargas de energias que danificam os sensores e condutores nervosos, com singulares prejuízos para a organização físiopsíquica. Nesse período podem-se perceber os estereótipos da obsessão, que facilmente se revelam pelas atitudes inusitadas, pelo comportamento ambivalente -- equilíbrio e distonia, depressão e excitação -- alienando a criatura. Aos hábitos salutares vão-se sucedendo as reações intempestivas, rotuladas como exóticas, a perda dos conceitos de critério e valor, que dão lugar a estranhas quão paradoxais formas de conduta. A linha do equilíbrio psíquico é muito tênue e delicada. As interferências de qualquer natureza sobre a faixa de movimentação da personalidade produzem, quase sempre, distúrbio, por empurrarem o indivíduo a procedimentos irregu-lares a princípio, que depois se fixam em delineamentos neuróticos. A ação fluídica dos desencarnados, pela sua insistência, interfere no mecanismo do hospedeiro, complicando o quadro com a indução inteli-gente, em telepatia espiritual, que facilita a simbiose com o anfitrião. Nessa fase, e antes que o paciente assuma a interferência de que é vítima, a terapia espírita torna-se de resultado positivo, liberador. Ideal, no entanto, é a atitude nobre diante da vida, que funciona como psicoterapia preventiva e que constitui dieta para o otimismo e a paz. (Análise das Obsessões, pp. 12 e 13)

*Obsessão por fascinação

Estabelecidos os liames da comunicação, o processo continua, no sentido de se firmarem os "plugs" do canal obsessivo no recipiendário, que a partir daí comparte as suas idéias com as que lhe são insufladas. Na medida em que o campo mental da vítima cede área, esta assimila não apenas a indução telepática, mas também as atitudes e formas de ser do seu hóspede. A pessoa perde a noção do ridículo e das medidas habituais que caracterizam o discernimento, acatando sugestões que incorpora, aceitando inspirações como diretrizes que todos consideram disparatadas, mas que a ela são perfeitamente lógicas. Conhecendo as imperfeições morais, o caráter e a conduta daqueles a quem perturbam, os Espíritos inspiram e impõem idéias absurdas, com que objetivam isolar o paciente das pessoas que o podem auxiliar. Enquanto se barafustam na fascinação, de que se tornam fácil presa, desconectam-se as últimas defesas e arriam-se as comportas dos diques da lógica, dando oportunidade à incidência mais complexa da turbação mental. As dificuldades de tratamento se ampliam, por não se poder contar com o auxílio do obsidiado. Como em toda obsessão, como em qualquer sofrimento, estão em pauta os recursos débito-crédito do indivíduo, a disposição deste contribui muito, e decisivamente, para os resultados do tentame. Os esforços que a pessoa empreende, a par das ações que executa, constituem-lhe couraça contra o mal, conquistas capazes de alçá-lo às faixas vibratórias próprias que a defendem e liberam. Como a fascinação decorre da indolência moral e mental do paciente, os tentames para a sua libertação tornam-se mais complexos, exigindo abnegação, esforço, assistência contínua. (Análise das Obsessões, pp. 14 e 15)

*Obsessão por subjugação

Em cada caso de alienação obsessiva encontram-se razões propelentes que caracterizam o processo. Por isso, apesar de a gênese serem as faltas morais do enfermo, sendo agente a Entidade desencarnada, os móveis predisponentes e preponderantes variam de acordo com cada pessoa. A terapêutica é genericamente a mesma, contudo seus resultados variam segundo os pacientes, suas fichas cármicas e os esforços que empreendem para destrinçarem a trama em que se envolvem. Na obsessão, à medida que se agrava o quadro de interferência, a vontade do hospedeiro perde os contatos de comando pessoal, na razão direta em que o invasor assume a governança, e isso é mais grave quando se trata de Espírito mais lúcido, técnica e intelectualmente, que se assenhoreia dos centros cerebrais com a imposição de uma deliberação bem concentrada nos móveis que persegue, manipulando com habilidade os dispositivos mentais e físicos do alienado. A subjugação pode ser então física, psíquica ou, simultaneamente, físio-psíquica. A primeira não implica a perda da lucidez intelectual, porquanto a ação se dá diretamente sobre os centros motores, obrigando o indivíduo a ceder à violência que o oprime, ainda que se negue a obedecer. Neste caso, podem irromper enfermidades orgânicas, por se criarem condições celulares próprias para a contaminação por vírus e bactérias, ou mesmo sob a vigorosa e contínua ação fluídica dilacerarem-se os tecidos fisiológicos ou perturbar-se o metabolismo geral, com singulares prejuízos físicos... No segundo caso, o paciente, dominado mentalmente, tomba em estado de passividade, não raro sob tortura emocional, chegando a perder por completo a lucidez, visto que perde temporária ou definitivamente, durante sua atual reencarnação, a área da consciência, não podendo livremente expressar-se. O Espírito encarnado movimenta-se, então, num labirinto que o atemoriza, algemado a um adversário que lhe é impenitente, maltratando-o, aterrando-o com ameaças cruéis, em parasitose firme na desconsertada casa mental. No terceiro caso, o Espírito assenhoreia-se, simultaneamente, dos centros do comando motor e domina fisicamente a vítima, que lhe fica inerte, subjugada, cometendo atrocidades sem nome. Nos processos obsessivos estão incursas na Lei as pessoas que constituem o grupo familiar e o grupo social do paciente, situado aí por necessidade evolutiva e de resgate para todos. Não se podem evadir à responsabilidade os que foram cúmplices ou co-autores dos delitos, quando os infratores mais comprometidos são alcançados pela justiça. A cruz da obsessão é peso que tomba sempre sobre os ombros das consciências comprometidas. (Análise das Obsessões, pp. 15 a 17)

*Terapia desobsessiva

De acordo com o quadro da alienação, variam os recursos terapêuticos. Em primeiro lugar, é preciso compreender que o agente (o obsessor) é um ser que pensa e age movido por uma razão que lhe parece justa. O principal mister deve ser, pois, concentrar no desencarnado as atenções, tratando-o com bondade e respeito. Conquistar para a íntima renovação o agente infeliz, eis o primeiro definitivo passo. Devemos evitar a discussão inoperante, mostrando, ao contrário, nosso interesse amoroso pelo bem-estar do outro, que terminar por envolver-se em ondas de confiança e harmonia, de que se beneficiará, mudando de atitude em relação aos propósitos mantidos até então. Simultaneamente, educar à luz do Evangelho o paciente, insistindo junto a ele, com afabilidade, pela transformação moral, com o que se criarão condições psíquicas harmônicas com que se refará emocionalmente. E' importante atraí-lo também a ações dignificantes e de beneficência, com que granjeará simpatias e vibrações positivas, que o fortalecerão, mudando o seu campo psíquico. Outra providência é estimular-lhe o hábito da oração e da leitura edificante, trabalhando-lhe, ao mesmo tempo, o caráter, que se deve tornar maleável ao bem e refratário ao vício. Ao lado dessa psicoterapia, é necessária a aplicação dos recursos fluídicos, seja através do passe ou da água magnetizada, e da oração intercessória, com que se vitalizam os núcleos geradores de forças, com o poder de desconectar os "plugs" das respectivas matrizes, de modo a que o endividado se reabilite perante a Consciência Cósmica pela aplicação dos valores e serviços dignificadores. Não ocorrem milagres em misteres como esse. O acontecimento tido por miraculoso, quando parece suceder, é o resultado de uma ação muito bem programada, cujas causas não são necessariamente conhecidas. Toda pessoa que deseje contribuir na esfera do socorro desobsessivo, não deve descurar-se da conduta íntima, nem das suas ligações com o Plano Espiritual Superior, donde fluem os recursos lenificadores, salutares, para os cometimentos do amor. Recordando Jesus, diante dos obsidiados e dos obsessores, busquemos a sua ajuda e inspiração na condição elevada que Ele ocupa como "Senhor dos Espíritos". (Análise das Obsessões, pp. 17 e 18)

*Fonte: "CENTRO ESPÍRITA NOSSO LAR - GRUPO DE ESTUDO DAS OBRAS DE ANDRÉ LUIZ E MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA" - Londrina, 22-4-1996, Astolfo O. de Oliveira Filho


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1. Respostas à oração

Manoel P. de Miranda descreve uma segunda-feira de carnaval, no Rio de Janeiro do ano de 1982. Mostra as loucuras e as imprevidências das pessoas. Ele conta que as mentes produziram no ambiente uma psicosfera pestilenta, onde se nutriam vibriões (bactérias) psíquicos.

Os pensamentos dos foliões encarnados sintonizavam com entidades perversas (desencarnados), viciadas e dependentes. Era um espetáculo deprimente. Os encarnados e desencarnados em perfeita harmonia, sintonizados em sentimentos inferiores.
Mas como Deus nunca desampara, equipes de trabalhadores espirituais revezavam-se buscando diminuir o número de suicídios e loucuras. Os trabalhos haviam começado na véspera, foram instalados postos de socorro, no plano espiritual, para recolher os desencarnados daqueles dias e os que vagavam a muito tempo na crosta.
Miranda relata que parecia estar num campo de guerra onde Espíritos menos esclarecidos queriam ferir e destruir.
Toda a psicosfera pestilenta do carnaval pesava sobre a cidade, pois a invigilância tornava as pessoas enlouquecidas. Dr. Bezerra, que era o Mentor desse atendimento durante o carnaval, recebe  a solicitação de socorro dirigida à ele.
A prece nunca fica sem resposta, verificando o endereço da solicitante, Dr. Bezerra dirigiu-se até lá com Manoel P. de Miranda. Chegando ao local, percebia-se que era uma residência agradável e com irradiações mentais equilibradas.

Eles logo identificaram uma senhora com pouco mais de 50 anos de idade, que ajoelhada orava pela filha. Desta senhora irradiava uma luz opalina que variava ao azul-violáceo, ela era uma pessoa virtuosa, que tinha consciência espiritual da prece.

A mulher solicitava a Deus que fosse concedida permissão ao Dr. Bezerra de Menezes para socorrer sua filha, que estava internada num sanatório daquela cidade (Rio de Janeiro). O Mentor envolveu aquela mãe numa vibração de afeto e disse: "A tua oração foi ouvida. Confia e espera. Agora, deita-te e repousa. O Magnânimo Pai nunca deixa sem resposta o pedido de um filho obediente."

Dr. Bezerra informou que aquela senhora era portadora de vários méritos e sua solicitação seria verificada. "O bem possui uma linguagem universal, nos dicionários de Deus, produzindo valores que se podem utilizar em toda parte, mercê dos câmbios divinos." "A oração, a seu turno, é taxa de luz e força que permite o intercâmbio dos valores a benefício de quem a utiliza comproibidade e elevação."

2. A visita à enferma

A caminho do sanatório, Miranda verifica às tristes e penosas vibrações do ambiente, causando-lhe mal – estar. Era noite de carnaval e a população do plano invisível era enorme, os espíritos disputavam como chacais a vampirização das vítimas encarnadas, entregues aos desvarios da folia. Estimulavam o consumo de drogas e álcool. Era difícil distinguir o obsessor do obsediado devido tamanha sintonia e intercâmbio de ambos.

Dr. Bezerra esclareceu a Miranda: “... onde a criatura coloque suas aspirações, aí encontra intercâmbio. O homem é o somatório dos seus anelos e realizações. Enquanto não elabore mais altas necessidades íntimas, demorar-se-á nas permutas grosseiras da faixa dos instintos primários. Em razão disso, a Humanidade padece de carências urgentes nas áreas rudimentares da vida... Deixando-se martirizar pelos desejos inconfessáveis, ainda não se resolveu por uma conduta, realmente emocional, que lhe permita o trabalho íntimo de desembaraçar-se das sensações que respondem pelos interesses grosseiros, geradores das lutas pela posse com a predominância do egoísmo".

Dr. Bezerra informa que toda ascensão exige a colaboração do sacrifício, ao lado das renúncias. "A visão dos amplos horizontes coloridos somente é lograda após a vitória sobre as baixadas sombrias e as veredas tortuosas. O fatalismo da vida é para o bem e a destinação é para a felicidade. Consegui-los ao impulso do amor ou conquistá-los apenas de sofrimentos são as escolhas únicas que se terão para fazer." O generoso instrutor informou que até agora a conquista do belo e a liberação dos vícios têm sido desafios para os Espíritos fortes, que marcham à frente, despertando os da retaguarda, anestesiados na ilusão e agrilhoados aos prazeres aliciantes, venenosos, mas advertiu: "Não nos cabe, todavia, duvidar da vitória do amor e do êxito que todos conseguirão hoje ou mais tarde. Auxiliá-los a desvencilhar-se das fortes amarras que os infelicitam e convidá-los à experiência da renovação constituem os nossos deveres de agora.

O equilibrio das Leis estava sendo feito. Nenhuma descrição conseguiria retratar a tormentosa realidade... Ao lado deles, vítimas e algozes de ontem e hoje,estavam as Entidades Benfeitoras, que se especializaram no socorro aos alienados de ambos os planos da vida, participando dos misteres da caridade fraternal, ungidos de amor e profundo respeito às vítimas dos próprios engodos.

O Nosocômio não se destinava apenas ao tratamento dos pacientes encarnados. A população que ali se agitava formava uma espécie de comunidade viva, onde as soberanas leis haviam estabelecido um programa de lapidação íntima para a quase generalidade de seus membros. Para uns, encarnados ou não, fazia-se um purgatório, no qual as aflições selecionavam os mais aptos ao progresso, em razão da humildade, da resignação ante os imperiosos resgates de que se faziam devedores pela intemperança e desequilíbrio em que delinqüíram. Outros defrontavam a oportunidade de aprender-servindo e de amar o próximo, na contingência das amargas e rudes reparações. Número expressivo deles tornava-se, inconscientemente, instrumento da Vida, fomentando o próprio crescimento e daqueles a quem afligia. Aquilo parecia uma estranha cidade, com suas regras, suas características, sua população e governança, dentro de outra cidade... Uma Entidade muito perversa atribuía-se o direito e o dever de administrar os corretivos aplicados na comunidade, inteirando-se das ocorrências que ali sucediam e tentando combater a interferência do Bem.

Os desencarnados, igualmente alienados, sofriam por sua vez subjugações cruéis sob tormentos inenarráveis, nas mãos dos seus sicários, dos quais a morte não os libertara. A ação do bem, contudo, se fazia presente, auxiliando uns e outros, ao mesmo tempo que clarificava as mentes e apontava rumos para os futuros lidadores das desobsessões e terapias psiquiátricas. Foi assim que o Dr. Artur Figueiredo recebeu-os afetuosamente, prontificando-se a auxiliá-los no ministério da caridade, tão logo se inteirou do motivo da visita. A enferma estava em um apartamento especial, adormecida sob a alta dose de um antidepressivo. O ambiente, em razão da psicosfera geral, era irrespirável. Espíritos perturbados e irresponsáveis tomavam o recinto, embora não fossem necessariamente vinculados à paciente.

O diretor informou tratar-se de jovem senhora de 25 anos, vitimada pela irresponsabilidade moral. E ajuntou: "Apesar de haver renascido por intermédio de abne-gada genitora, que se comprometeu ampará-la no cometimento atual, quando deveria elevar-se pelo amor e pela abnegação, ela preferiu derrapar, invigilante, assumindo mais graves compromissos negativos". O dirigente ressalvou que não fazia qualquer censura, apenas uma constatação, para mostrar que a falta de visão a respeito da vida como um todo responde por muitas insânias a que se entregam os homens. "Quando se compreenda que o corpo é efeito e não causa da vida, no qual se estabelecem as bases da elevação; quando se conscientizem os seres de que o berço é porta que se descerra para o corpo quanto o túmulo é a que se fecha, sem que ninguém entre ou saia da vida; quando se estabeleçam metas que transponham os limites de uma breve existência corporal, ser - acentuou o diretor - diversa a atitude a assumir-se ante as ocorrências e circunstâncias do dia-a-dia." Na seqüência, o antigo discípulo de Freud asseverou: "Somente a visão reencarnacionista responde pela forma de uma perfeita integração do Espírito no processo da ascensão. Nossa irmã Julinda é uma prova disso. O seu drama atual tem raízes muito profundas, que se encontram fixadas nas existências passadas..." A moça apresentava um quadro de psicose maníaco-depressiva, com gravidade crescente. Da euforia inicial passara à depressão angustiante, armando um esquema de autodestruição. Nenhum tratamento, sejam as duchas, os opiáceos, os barbitúricos ou o eletrochoque, produziu resultados expressivos

"Embora alguns desses fatores estejam presentes no quadro da nossa Julinda, como estudaremos, são eles conseqüências de causas remotas que os produziram ao império da atual reencarnação".

3. Delito oculto

Na alienação mental, defrontaremos sempre um Espírito falido em si mesmo, sob a injunção reparadora, de que não se pode apartar, senão mediante o cumprimento da justa pena a que se submete pelo processo da evolução. As Leis de Deus não podem sofrer defraudações, sem que se estabeleçam critérios automáticos de recomposição, em cujo mister se envolvem os que agem com desregramento ou imprevidência. Toda criatura traz em si o gérmen, a noção do bem e do mal, em cuja vivência programa o céu ou o inferno a que se vincula, gerando as matrizes das alegrias ou dores que passam a constituir-lhe o modus vivendi do futuro, atividade pela qual ascende ou recupera os prejuízos que se impôs. Quem elege a paisagem pestilencial, nela encontra motivos de êxtase, tanto quanto aquele que ama a estesia penetra-se de beleza na contemplação de um raio de sol ou de uma flor... Não existe, pois, uma dor única, na alma humana, que não proceda do próprio comportamento, sendo mais grave o deslize que se apoia na razão, capaz de distinguir as balizas demarcatórias da responsabilidade que elege a ação edificante ou a comprometedora. A única exceção é a de Jesus, o Justo por excelência, que viveu a problemática da aflição imerecida, para lecionar coragem, resignação, humildade e valor ante o sofrimento, de modo que ninguém se exacerbe ou desvarie ao expungir as penas a que faz jus.

"Confrange-nos acompanhar o padecimento dos nossos irmãos em desalinho, no entanto, a nenhum deles tem faltado a bênção do socorro de maneira direta ou não, da mesma forma que lhes não foram escassas a inspiração divina, as diretrizes para uma vida reta, nem os exemplos de comportamento digno, nos quais pautassem a própria conduta. Havendo a opção com a qual cada um afina, derrapando na ação em que se compraz, a presença da justiça torna-se irrefragável para hoje ou mais tarde". Dr. Bezerra referiu ainda que antes mesmo de Jesus os romanos haviam estabelecido no seu código de Direito as bases da felicidade humana, condensando o Decálogo, inconscientemente, em três princípios fundamentais: "Viver honestamente. Dar a cada um o que é seu. Não lesar ninguém". Mais tarde, Jesus resumiria toda as leis e os profetas na máxima: "Amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo", reunindo os conceitos romanos e o Decálogo no amor, mediante o desdobramento do não "fazer ao próximo o que não desejar que este lhe faça". "Aqueles que se atribuem direitos e privilégios especiais, na má usança a que se permitem - acentuou Dr. Bezerra -, aliciam os verdugos que os submeterão, como conseqüência do comportamento ingrato e pernicioso de que se utilizam, vindo a experimentar o corretivo que os despertar para o respeito ao seu irmão e aos quadros educadores da escola terrena."

"Mantenhamos a nossa solidariedade e partici¬pemos das suas emoções, sem nos deixarmos con¬taminar pelos miasmas do desânimo, do medo, ou as ideoplastias fantas-magóricas, vitalizadas pela rebeldia e ingratidão ao Pai Criador e ao Cristo-Amor". Dr. Fi-gueiredo aproveitou o ensejo para dizer que ali aprendera que nosso maior inimigo está dentro de nós mesmos: "é o egoísmo, que se credita somente méritos sem conceder ao próximo uma quota, mínima sequer, de direito equivalente". E acrescentou: "O Espírito é o responsável por si mesmo, embora mergulhado no contexto da Excelsa Misericórdia de Deus...”

 Miranda, a convite do Benfeitor, fixou a atenção na sede da consciência da enferma, na região dos folículos cerebrais, no córtex encefálico, sintonizando o pensamento na sua faixa psíquica. Imediatamente passou a ver e a ouvir confusos quadros e ruídos que se misturavam em verdadeira miscelânea de perturbação. A pouco e pouco foram-se definindo as cenas e ele pôde contemplar uma altercação entre a enferma e Roberto, seu esposo. Este tentava convencê-la da necessidade de terem um filho, mas ela retrucava: "Não aquiescerei a esta exigência descabida. Não é justo que nos amarremos em plena juventude a compromissos com filhos, malbaratando as nossas oportunidades de prazer e gozo. Não me permitirei deformar, mediante uma gestação ingrata e não desejada, para atulhar o meu ambiente doméstico com a algazarra infantil que, convenhamos, eu detesto". O marido argumentou: "O melhor período para a construção da família é a juventude dos cônjuges, que se encontram no apogeu das forças e das faculdades, propiciando uma educação em bases de paciência e disciplina à prole em formação.

A mulher respondeu-lhe, porém, encolerizada, asseverando não aceitar a maternidade, em hipótese alguma. Minutos depois, outra cena mostrava um sonho no qual um Espírito requeria a ela oportunidade para renascer, prometendo-lhe carinho e ajuda. "Eu te perdoarei -suplicava o candidato, em lágrimas -todo o mal que me fizeste, recebendo-me nos teus braços, como parte de ti, a fim de que eu recomece ao teu lado. Ajuda-me, hoje, a fim de que eu te socorra mais tarde..." Julinda repelira, contudo, aquele apelo, julgando-se vítima de um pesadelo que a arrojara aos infernos...

Entidade Benfeitora pediu-lhe que se acalmasse, explicando que a pessoa que lhe implorava uma oportunidade era alguém vinculado ao seu passado: "És devedora, em relação a ela. Todavia, te desculpará o deslize pretérito, desde que lhe concedas a ensancha futura. A vida física é breve, demorando o curto prazo de uma experiência... Aproveita-a, a benefício da tua imortalidade. Não recalcitres ao aguilhão beneficente... Juventude e aparência são de muito curta duração. Ouve-a e aquiesce". A moça, horrorizada, bradava: "Estou no inferno; os satanases me perseguem. Sou inocente! Deixem-me em paz. Odeio filhos! Não os quero, não os aceitarei!" As cenas se apagaram e surgiram outras, não menos graves. Numa delas, a paciente aparecia desesperada após haver constatado estar grávida.

Sem avisar o esposo, concertou o aborto numa clínica. Na véspera, sonhou que alguém a segurava, fortemente, suplicando-lhe amparo. "Não me mates o corpo, minha mãe - rogava o reencarnante. Necessito volver, precisamos estar juntos. Ajuda-me... Se não me atenderes..." A infeliz lhe respondeu: "Prefiro a morte a ser mãe. Odeio-te. Nunca te receberei, nunca!" O Espírito que animava o feto apresentou-lhe, então, um semblante tão terrificante que ela despertou, aos gritos.

No dia seguinte, apesar do apelo daquele que seria seu filho, compareceu à Clínica e, duas horas depois, indisposta e livre, retornou ao lar. Nos minutos precedentes ao aborto, por pouco não recuou, em razão de sentir-se louca, tal o desespero que dela se apossou em face do que escutava: "Se me matares, eu te desgraçarei. Salva-me, infame! E' tempo, ou, do contrário, rolarão os séculos na fúria da minha vingança, sem que tenhas paz..."

4. Programática reencarnacionista

O aborto foi consumado, daí em diante começa o sofrimento e loucura de Julinda. O Espírito expulso do ventre materno não se desligara da matriz uterina, influenciando com a mente vigorosa e revoltada o organismo que se negara a sustentá-lo.

Apesar de suas reiteradas súplicas, sentindo-se injustamente repudiado,apoderando-se lentamente da criminosa, pela incidência telepática, conseguindo desarticular-lhe o equilíbrio da razão.

Atada ao Espírito nos parciais desprendimentos pelo sono, Julinda passou a defrontá-lo em metamorfoses dolorosas e apavorantes. Via-o deformado, agressivo, subitamente diluindo-se, como se acionado por estranho mecanismo oculto, para logo ressurgir na aparência fetal, despedaçando-se e rebolcando-se em sangue. Essas cenas passaram a afligi-la cruelmente, impossibilitando-lhe o necessário repouso.

O desejo de vingança do adversário obrigava-o a ficar ao lado dela, para levá-la ao suicídio... Poderia a Providência Divina interromper o lamentável processo? Claro que sim! No entanto, a negação de Julinda ao amor e à oportunidade de ajudar tornava-se o epílogo de uma larga história... Era justo, portanto, que experimentasse o resultado da invigilância, aprendendo pelo sofrimento o que se negara conseguir pelo bem, através do serviço do amor a si mesma e ao próximo.

 Dr. Bezerra chamou-lhe a atenção de Miranda para um processo psiquiátrico decorrente de problemas posteriores ao parto, denominado de psicose puerperal. "Tecnicamente - elucidou o mentor - a produção dos hormônios, que se faz normalmente, torna-se fator do desequilíbrio, em razão de os mesmos se transformarem em toxinas que, atuando no complexo cerebral, terminam por desarranjar a estabilidade psíquica. Mesmo em fenômeno de tal ordem, meramente fisiológico, defrontamos o Espírito devedor, que volve à forma feminina sob a injunção do distúrbio para recuperar-se do mau uso passado das funções genésicas. Observa-se, igualmente, que o desarranjo hormonal sucede em jovens e senhoras durante o período catamênico, alterando o comportamento, que tende à excitação psíquica para posterior queda depressiva. O Espírito é sempre o responsável pelo corpo de que se utiliza, suas funções físicas e psíquicas, que decorrem das realizações pretéritas e do uso nobre ou vulgar, elevado ou pervertido que lhe atribuiu."

O Mentor informou que, nacondição de devedor, mais facilmente a pessoa sintoniza com outros Espíritos, situados na mesma faixa evolutiva, ou em condição inferior, perante os quais se encontra em débito, facilitando o quadro genérico das obsessões. Esse erao caso de Julinda, que somou às antigas uma nova e grave ação infeliz.

"Quando os homens compreenderem que o amor é sempre mais benéfico para quem ama, muitos males desaparecerão da Terra e a etiopatogenia de inúmeras enfermidades diluir-se-á , sustando-se a erupção das mesmas. Enquanto, porém, o egoísmo governar o comportamento, a dor se atrelar às criaturas, realizando o mister de conduzi-las para o equilíbrio, a ordem, o bem que são as fatalidades da evolução."

A mãe de Julinda, foi visitá-la à noite,  desdobrada pelo sono fisiológico, e  orou ao lado da filha. Odiretor espiritual informou que Angélica procedia de abençoadas experiências pretéritas, havendo-se reencarnado com a finalidade precípua e imediata de auxiliar a filha, Espírito rebelde que se ligara, havia muito tempo, a um grupo de Entidades irresponsáveis que lhe vampirizavam as forças. "Nossa Julinda provém de região infeliz da vida espiritual inferior, onde estagiou por largos anos... Ali se precipitou, em razão de abusos da sexualidade equivocada, mediante a qual cometeu graves delitos que a emaranharam numa rede de ódio e vinditas. O nosso Ricardo (o filho abortado), a quem parece detestar, assoma do mundo de sombras como personagem viva da sua existência passada, debatendo-se num naufrágio emocional para o qual lhe solicitava salvação, mas de cujo desfecho temos conhecimento..." Angélica, graças a seus méritos, intercedera a favor da moça equivocada, com o que a recambiara dos sítios expiatórios para uma Colônia socorrista, onde foi preparada para a nova existência.Assegurada a reencarnação da protegida, mergulhara no corpo físico, seguindo seu amado companheiro Juvêncio, que lhe deveria compartir a existência. O irmão Juvêncio também granjeara muita simpatia no plano espiritual, por ser portador de excelente folha de serviços aos enfermos na Terra, em existências passadas, ao lado de Angélica. Aqueles que se consideram e se afirmam abandonados pelo Senhor, invariavelmente refletem a ignorância ou a ingratidão que os intumesce com o vapor venenoso do orgulho".

São as paixões inferiores muito arraigadas nos Espíritos que põem a perder todo esse grande esforço, complicando-lhes a situação e levando-os, mais tarde, a reclamar, lamentando a própria sorte. Juvêncio renascera em família abastada com a qual mantinha vínculos de afetividade, para que pudesse fruir de comodidades financeiras que o liberassem dos compromissos com o corpo, deixando esposa e filha amparadas, sem maiores preocupações na esfera econômica. Assim é que, não devendo interromper seus deveres na esfera espiritual por muito tempo, ele retornou à pátria espiritual aos 39 anos, vitimado por uma parada cardíaca. Julinda renascera em seu lar quando o matrimônio com Angélica contava dois anos. A menina, não obstante o tratamento a que fora submetida, mantinha profundas marcas que se lhe incorporariam à vida nova e fez-se, apesar de todo o carinho recebido dos pais, um instrumento de dor para ambos. Sua adaptação ao corpo foi penosa e, por isso, a primeira infância passou entre insônias, pesadelos e distúrbios de comportamento, acentuados. A partir dos três anos foram-lhe detectadas disritmias cerebrais, resultado dos seus graves deslizes, impressos pelo perispírito ao corpo, passando a receber cuidadoso tratamento neurológico desde então.

Não lhe faltaram testemunhos de amor e de dignificação humana, orientação religiosa enobrecida e assistência educacional correta.

5. Primeiras providências

Miranda  lembra que o aborto provocado sem justa causa ‚ é crime grave. Enfermidades de largo porte encarregam-se de corrigir a atitude mental do delinqüente que aborta, a fim de que os tecidos sutis do perispírito se recomponham para porvindouros cometimentos na área da maternidade. Frigidez, infecundidade e outros problemas femininos decorrem da usança irregular da sexualidade em encarnação passada, bem como de abortos irresponsáveis, que se tornam causas de neoplasias malignas, logo depois, ou em processos próximos de renascimentos, que exigirão ablação dos órgãos genésicos, quando não acarretem a morte física. O homem, não sendo o autor da vida, não pode dela dispor ao talante de suas paixões, sem rude comprometimento para si próprio.

A sexualidade somente deveria ser exercida quando responsável, sob as bênçãos do amor e o amparo das leis em vigor, representativas do grau evolutivo de cada povo. Há em todo renascimento razões propelentes que conduzem um a outro Espírito, seja pelos automatismos vigentes no Cosmo, seja pelas programações cuidadosamente elaboradas. Assim, cada qual renasce, nem sempre onde merece, mas onde os fatores e as condições são-lhe mais propícias para o avanço. As ingerências precipitadas nas programáticas da vida redundam, portanto, quase sempre, em decepções, desastres ou perturbações que poderiam ser evitados. Esse era o caso de Julinda que, por temer, inconscientemente, a presença de Ricardo na condição de filho, não titubeou em expulsá-lo. Sentindo-se frustrado e envolvido pelo ódio, Ricardo vingava-se e seu objetivo era eliminar o corpo da jovem, para aguardá-la depois do túmulo, onde os desforços prosseguiriam. Com o sonífero que tomava, Julinda-Espírito deixava-se arrebatar por seu algoz e, uma vez semidesprendida do corpo, era conduzida à presença de Entidades perversas residentes no Hospital, que lhe impunham grande sofrimento.

Elvídio, antigo sexólatra, desencarnado havia mais de meio século, era o encarregado da administração negativa naquele Hospital. Logo que Julinda foi internada, apresentaram-lhe a sua ficha com o delito perpetrado. O cruel dirigente visitou a paciente e convocou Ricardo à sua presença, inteirando-se do plano do abortado e prometendo-lhe cooperação. Essas entidades, padecendo de auto-hipnose por muito tempo, acabam deformando as matrizes perispirituais, motivo por que assomam diante dos que lhes tombam, nos círculos de aflição, em formas horripilantes e temerosas, com as quais aparvalham as futuras vítimas... Julinda fora levada, então, em sucessivas oportunidades, a simulacros de julgamento por seu crime, quando se tornava ameaçada por aqueles Espíritos impiedosos, retornando ao corpo com os tecidos sutis da mente em contínuo comprometimento. No momento da visita feita a seu quarto, ela e seu algoz estavam ausentes. O Benfeitor Espiritual aplicou, então, no seu organismo físico recursos magnéticos, fazendo a dispersão dos fluidos tóxicos que a asfixiavam e insuflando-lhe, logo após, energias restauradoras de forças. O corpo da enferma relaxou os músculos retesados e viu-se, repentinamente, Julinda-Espírito ser atraída e tombar, adormecida, no casulo carnal. "Os fluidos salutares decorrentes da oração e do amor fraterno de todos nós - explicou Dr. Bezerra - anestesiar-lhe-ão os centros psíquicos, de alguma forma atenuando a aflição que a golpeia, contínua." O Amigo Espiritual disse então que o Senhor não deseja a punição do infrator, mas a sua reeducação: "Como os impositivos da vida são o amor e a justiça, a misericórdia e a caridade jamais se afastam dos que necessitam de renovação e paz, sem que as suas vítimas fiquem em esquecimento. Surge o auxílio ao delinqüente com concomitante socorro ao defraudado". "Logo mais, Ricardo será também auxiliado, quando se iniciem os labores em favor de ambos", acrescentou Dr. Bezerra que, voltando-se para a genitora de Julinda, falou-lhe: "Agora, tranqüilize-se, irmã Angélica, aguardando o futuro e prosseguindo, confiante, nas suas orações e atividades de amor ao próximo. O bem nunca falha".

6. Lições proveitosas

Prosseguia o Carnaval e a cidade era uma confusão. A multidão de Espíritos se misturava aos encarnados, em excitação dos sentidos físicos, dominavam a paisagem sombria das avenidas, ruas e praças, cuja iluminação, embora feérica, não conseguia vencer a psicosfera carregada de vibrações de baixo teor.

Blocos de mascarados eram acompanhados por frenéticas massas de Espíritos zombeteiros, que se entregavam a desmandos e orgias lamentáveis. Outras buscavam as vítimas em potencial para alijá-las do equilíbrio, dando início a processos nefandos de obsessões demoradas. Muitas pessoas fantasiadas haviam obtido inspiração para as suas expressões grotescas em visitas a regiões inferiores do Além. Aliás, as incursões aos sítios de desespero e loucura são muito comuns aos homens que se vinculam aos ali residentes pelos fios invisíveis do pensamento, em razão das preferências que acolhem e dos prazeres que se facultam no mundo íntimo. A sucessão de cenas, deprimentes umas, selvagens outras, era constrangedora, o que mereceu de Dr. Bezerra o seguinte comentário: "Grande, expressiva faixa da humanidade terrena transita entre os limites do instinto e os pródromos da razão, mais sequiosos de sensações do que ansiosos pelas emoções superiores. Natural que se permitam, nestes dias, os excessos que reprimem por todo o ano, sintonizados com Entidades que lhes são afins. E' de lamentar, porém, que muitos se apresentam, nos dias normais, como discípulos de Jesus, preferindo, agora, Baco e os seus assessores de orgia ao Amigo Afetuoso..." O Mentor referiu, então, que as origens do Carnaval se encontram na bacanalia, da Grécia, quando era homenageado o deus Dionísio. Mais tarde, essas festas apresentavam-se em Roma, como saturnalia, quando se imolava uma vítima humana, adredemente escolhida. Depois, já na Idade Média, aceitava-se a tese de que "Uma vez por ano é lícito enlouquecer", o que tomou corpo, modernamente, no Carnaval de nossos dias. "Há estudiosos do comportamento e da psique - asseverou Dr. Bezerra -, sinceramente convencidos da necessidade de descarregarem-se as tensões e recalques nesses dias em que a carne nada vale, cuja primeira sílaba de cada palavra compôs o verbete carnaval. Sem dúvida, porém, a festa é vestígio da barbárie e do primitivismo ainda reinantes, e que um dia desaparecerão da Terra, quando a alegria pura, a jovialidade, a satisfação, o júbilo real substituírem as paixões do prazer violento e o homem houver despertado para a beleza, a arte, sem agressão nem promiscuidade."

O Posto de Socorro Central localizava-se em Praça arborizada, no coração da grande metrópole, com diversos sobpostos espalhados em pontos diferentes, estrategicamente mais próximos dos lugares reservados aos grandes desfiles e às mais expressivas aglomerações de carnavalescos. A equipe espiritual fora preparada e se estabelecera que o socorro somente seria concedido a quem o solicitasse, ampliando-o a todas as vítimas que padecessem ultrajes e agressões, violências e tragédias. "De nossa parte , nenhuma insistência ou interferência indébita deveria ser assumida."


Próximo do Posto Central a movimentação fazia-se maior, Benfeitores Espirituais atendiam pessoas encarnadas que, em parcial desprendimento pelo sono, rogavam ajuda para seus familiares inexperientes arrojados à folia enlouquecedora, assim como aos que se preocupavam com a alucinação de pessoas queridas que se desvincularam dos compromissos assumidos a fim de mais se atirarem no dédalo das paixões.

Eram atendidos também Espíritos que pretendiam volver à carne e pediam oportunidade, nos lances dos encontros irresponsáveis; desencarnados que rogavam apoio para pessoas amadas com problemas de saúde, e recém-desencarnados em pugnas decorrentes da ingestão de alcoólicos, de desvarios sexuais e das interferências subjugadoras de seres obsidentes...

Parecia uma praça de guerra, em que o ridículo e a dor se ajustavam em pantomina de aflição.

Dr. Bezerra disse : "Não se creia que todos quantos desfilam nos carros do prazer, se encontrem em festa. Incontáveis têm a mente subjugada por problemas de que procuram fugir, usando o corredor enganoso que leva à loucura; diversos suicidam-se, propositalmente, pensando escapar às frustrações que os atormentam em longo curso; numerosos anseiam por alianças de felicidade que os momentos de sonho parecem prometer, despertando, depois, cansados e desiludidos..." "Raros divertem-se, descontraem-se sadiamente, desde que os apelos fortes se dirigem à consunção de todas as reservas de dignidade e respeito nas fornalhas dos vícios e embriaguez dos sentidos."

O Mentor comentou que é por isto que os imortais informaram a Kardec que "a Terra é um planeta de provas e expiações", onde programamos o crescimento para Deus. "Saturado pelo sofrimento e cansado das experiências inditosas - asseverou o Benfeitor Espiritual - o homem, por fim, regenerar-se-á ao influxo da própria dor e sôfrego para fruir o amor que lhe lenificará as íntimas aspirações da alma."

Philomeno pôde ver,  que entre os cooperadores do Posto Central se encontrava um célebre poeta e compositor, cujas músicas populares foram-lhe familiares quando na Terra. (Trata-se do notável compositor Noel Rosa.).

O compositor, confessou-lhe haver buscado, em sua última existência na Terra, o alcoól e outras drogas, para compensar suas tristezas e tormentos... A desencarnação colheu-lhe a vida física ainda jovem. "Despertei sob maior soma de amarguras, com fortes vinculações aos ambientes sórdidos, pelos quais transitara em largas aflições", contou ele, que se declarou mais um fracassado do que um infelicitador. "Embora eu não fosse um herói, nem mesmo um homem que se desincumbira corretamente do dever, a minha memória - disse o poeta da Vila - gerou simpatias e a mensagem das músicas provocou amizades, graças a cujo recurso fui alcançado pela Misericórdia Divina, que me recambiou para outros sítios de tratamento e renovação, onde despertei para rea¬lidades novas." Daí iniciou uma nova vida para ele, que passou a compor outros sambas ao compasso do bem, com as melodias da esperança e os ritmos da paz, "numa Vila de amor infinito". "O Carnaval, para mim, é passado de dor e a caridade, hoje, é-me festa de todo dia, qual primavera que surge após inverno demorado, sombrio", asseverou o compositor, acrescentando: "Apesar da noite vitoriosa, o dia de luz sempre triunfa e o bem soberano tudo conquista..."

RESUMO FEITO POR MARIA FERNANDA RIBEIRO* FAVOR MANTER OS CRÉDITOS
7. Posto Central de Atendimento

É uma área de socorro, preparada pelos engenheiros das esferas superiores, para a proteção dos trabalhadores.

A construção do núcleo transitório é feita com substancias ectoplásmicas, retiradas da natureza e das pessoas residentes nas cercanias.

Voluntários adestrados, premunidos de recursos magnéticos mantinham-se em vigília nos portões do posto socorrista. Eram amplos barracões com diversas camas, colocadas em filas duplas, para receberem os enfermos desencarnados que eram arrebatados nos dias de carnaval.

Pela imprevidência, as pessoas tornavam-se vítimas de si mesmas, eram homicídios tresvariados, suicídios alucinados, paradas cardíacas por excessos de movimentos, exaustão de forças e desencarnação por abuso de drogas.

Diversos encarnados em transe demorado recebiam socorro de urgência antes de retornarem aos seus corpos em hospitais ou lares, sob a carinhosa e vigilante assistência do Bem desconhecido.

Dr. Bezerra reflexionava sobre o amor e a sabedoria do Pai, que nas ações destinadas ao amparo das criaturas, sem que estas pudessem, ao menos ter ideia dos recursos que eram disponibilizados a favor da paz e do equilíbrio delas.

Entidades levianas e vingadoras ameaçavam os vigilantes do bem e atiravam petardos que, infelizmente não ultrapassavam as ondas repelentes que se elevaram acima dos muros do posto.

Traziam espíritos, que se estavam padecendo, blasfemavam, zombavam e agrediam verbalmente os trabalhadores diligentes. Misturavam o sarcasmo e o sofrimento maquinado pela própria leviandade, produzindo mal-estar e compaixão.

Miranda percebeu que os atendentes da vigilância já estavam acostumados àquelas cenas, portanto, não se deixavam sensibilizar.

Genésio Duarte explicou a Miranda, que são grupos de desordeiros desencarnados, perigosos e que alguns são técnicos nos processos de chacota e ironia, sabem como provocar desequilíbrio, a fim de colherem sintonia mental.

Miranda observou um grupo de criaturas que se arrastavam em correntes e cordas. Estes eram acompanhados de cães que ladravam em perturbadora agressividade.

Genésio esclareceu que eram espíritos profundamente sofridos, que caíram nas mãos destes desordeiros ainda quando estavam encarnados. Eram vítimas e comensais da súcia, que quando encarnados triunfaram sobre os fracassos dos outros. Controlavam destinos, manipulando recursos alheios, que subtraiam documentos que falsificavam para atender a interesses inconfessáveis, de modo a atenderem às suas paixões inferiores.

A morte os alcançou e os trouxe para a submissão de mentes mais impiedosas do que as deles.

Miranda pergunta a Genésio se o auxílio divino não os alcança. Genésio responde que sim, porém é necessário que se predisponham a recebê-lo. E que por enquanto, expurgam na dor, mais vitimados pela revolta do que sob a ação do arrependimento honesto, pelo desespero do que através da sincera aceitação do que lhes ocorre.

8. O Caso Ermance

Genésio Duarte era encarregado da vigilância do portão central, participava da equipe de Bezerra, a quem se vinculava, afetuosamente desde os dias da última encarnação.

Ele chegara ao mundo espiritual macerado pelos conceitos materiais. Afeiçou-se ao incansável Mentor, cuja vida modelar sensibilizava-o, mergulhando a mente no estudo da codificação Espírita.

Enriqueceu-se de discernimento e conhecimento, passando a militância no Movimento doutrinário e à sua vivência, quanto lhe permitiam as circunstâncias.

Tão habitual se lhe tornou o comportamento espírita, que granjeou amigos devotados, atraindo simpatizantes e estudiosos para a Causa.

Neste período, experimentou a prova da viuvez, que soube suportar com elevada resignação e coragem.

Genésio Duarte passou pela experiência correta, investigando, conscientemente, as bases da Doutrina, não obstante o motivo que o levou à Casa Espírita. Constatada a legitimidade da sobrevivência da alma, adentrou-se pelo estudo, enquanto prosseguiram as experiências no campo da mediunidade para incorporar à vivência pessoal o comportamento ético-religioso de que se reveste.

Pediu e obteve do Instrutor, permissão para engajar-se na ação profícua do bem, sendo convidado a assessorá-lo, seu amigo e benfeitor que era.

A sua função no Posto Central, é de relevância considerando-se a significação de que a mesma se reveste.

Chegando ao pavilhão onde se encontrava o dinâmico Mentor, fui convidado a acompanha-lo no atendimento de urgência a uma jovem mulher, em estado de coma.

Ao lado da mulher encontrava-se uma senhora que parecia ser a avó da jovem, que apresentava grande ansiedade na face, embora resignada.

A jovem desencarnara há pouco mais de quatro horas, auxiliada pela avó, na liberação dos vínculos e liames carnais.

A jovem se chamava Ermance e, era portadora de deficiência cardíaca, resultantes de fatores cármicos, quando em vida pregressa, acionara uma arma de fogo, contra o peito, suicidando-se, método de fuga impensado, numa conjuntura afetiva afligente. Educada em rígidos princípios religiosos, soubera manter-se com dignidade.

Por insistência dos amigos, veio observar o Carnaval e passear, sem se dar conta dos perigos a que se exponha. Seu grupo jovial e comunicativo não passou despercebido de rapazes de conduta viciosa.

Bezerra explica que em razão do débito para com a Vida, quando subtraiu vários anos, não seria longa a sua atual reencarnação. Ermance poderia ter logrado alguma moratória, caso estivesse engajada em qualquer atividade de elevado teor, que a necessitasse por mais tempo.

Convencida por astuto gozador a ouvir-lhe as propostas sedutoras, permitiu-se caminhar um pouco em animada conversa, quando o jovem a convidou para descanso em casa de pessoa amiga. Embora relutasse, foi convencida por argumentos doces do conquistador. O local era frequentado por atormentados, não despertando nenhuma suspeita.

Chegando a casa, Ermance se deu conta da cilada em que caíra. O medo aterrou-a, a respiração fez-se difícil e a alta carga de tensão produziu um choque fatal.

O jovem criminoso, aliciador de jovens para o comércio carnal, de trato com a encarregada do bordel, aplicou-lhe um lenço com clorofórmio, cuja dose forte provocou uma parada cardíaca.

Melide, sua avó, que já a acompanhava e prevendo o desenlace, em razão das intenções que detectara no jovem de conduta perniciosa e conhecendo o breve trâmite da neta, manteve-se em vigilância.

Os infelizes corruptores verificando a desencarnação da moça planejaram jogar o corpo num matagal, ocultando o crime que lhes passaria a pesar na consciência culpada.

Bezerra fala da angústia dos amigos que não a levarão de volta ao lar, e dos pais que foram surpreendidos com tal tragédia.

9. O problema das drogas

Naquela madrugada o Dr. Bezerra proferiria uma palestra abordando o problema das drogas, que afetava a economia social e moral da comunidade brasileira.

Um dos módulos do Posto fora destinado aos trabalhadores em fase de adestramento para o socorro às vítimas da toxicomania, bem como estudiosos do comportamento, que se interessavam pelo assunto, tentando auxiliar, na condição de encarnados, com base nas informações e técnicas espíritas.

Manuel P Miranda identificou alguns espiritistas que se dedicavam a psiquiatria e a terapia psicológica, pregadores e médiuns, assim como terapeutas não vinculados ao espiritismo, sociólogos e religiosos.

O benfeitor iniciou a palestra, às 3 horas, dissertando sobre as causas básicas das evasões humanas à responsabilidade que jazem nos conflitos espirituais do ser, que ainda transitam pelas expressões do primarismo da razão.

“Espiritualmente atrasado, sem as fixações do valores morais que dão resistência para a luta, o homem moderno, que conquistou a lua e avança no estudo das origens dos Sistema solar que lhe serve de berço, incursionando pelos outros planetas, não conseguiu conquistar a si mesmo. Logrou expressivas vitorias, sem alcançar a paz íntima padecendo os efeitos dos tentames tecnológicos sem os correspondestes valores de suporte moral. Cresceu na horizontal sem desenvolver a vertical do sentimento elevado. Como efeito, não resiste às pressões, desequilibra-se com facilidade e foge, na busca de alcoolicos, de tabacos, de drogas alucinógenas de natureza tóxica...”

“Atado à retaguarda donde procede, se mantém psiquicamente em sintonia com os sítios, nem sempre felizes, onde estagiou no Além-túmulo, antes de ser recambiado à reencarnação compulsória.”

O Dr. Bezerra, explicou que diante da necessidade de se promover o progresso moral do planeta, milhões de Espíritos foram transferidos das regiões pungitivas onde se demoravam, para a inadiável investidura carnal, por cujo recurso podem recompor-se e mudar a paisagem mental, aprendendo, na convivência social, os processos que os promovam a situações menos torpes.

Fala que “dependências viciosas, decorrentes da situação em que viviam, dão-lhes a estereotipia que assumem, tombando nas urdiduras da toxicomania”.

“O uso das drogas é muito antigo, variando as justificativa de acordo com o estágio da evolução de cada povo....”

“No mundo ocidental de hoje é indiscriminado o uso de substancias e vegetais tóxicos, em caráter generalizado, ora para fins terapêuticos sobcontrole competente, ora para misteres injustificáveis sobdireção dos infelizes manipuladores mafiosos da conduta de massas”.

“Em razão da franquia de informações que a todos alcançam, encontrem-se preparados ou não, a mídia tem esteoretipado às linhas de conduta moral e social de que todos tomam conhecimento e seguem com precipitação.”

Com o fim da Segunda Guerra e o advento das lutas no sudeste asiático, o consumo de drogas tomou conta do ocidente, em particular, da imatura juventude...

“O desprezo pela vida, a busca do aniquilamento resultante de filosofias apressadas, sem estruturação lógica nem ética respondem pelo progressivo consumo de tóxicos de toda natureza”

“...o egoísmo responde pelo inconformismo e pela prepotência, pela volúpia dos sentidos e pela indiferença em relação ao próximo. O home sofre perplexidades que o atemorizam, desconfiando de tudo e de todos, entregando-se a excessos, fugindo à responsabilidade através das drogas.”

“Contestam-se os valores da anterior para a atual geração, o trabalho, a ética, a vida exigindo elevadas doses de tolerância e compreensão, a fim de evitarem radicalismos de parte a parte”.

Dr. Bezerra observa que “em realidade, foge-se de um estado ou situação, inconscientemente buscando algo, alguma coisa, segurança, apoio, amizade que os tóxicos não podem dar”.

Dr. Bezerra indica que como terapia para o grave problema das drogas, deve se apresentar uma educação em liberdade com responsabilidade; a valorização do trabalho como método digno de afirmação da criatura; orientação moral segura, no lar e na escola, mediante exemplos dos educadores e pais.

Concluindo, o Mentor fala que “o espiritismo possui recursos psicoterapêuticos valiosos como profilaxia e tratamento no uso de drogas e de outras viciações. Estruturada a sua filosofia na realidade do Espírito, a educação tem a primazia em todos os tentames e as técnicas do conhecimentos das causas da vida oferecem resistências e dão força para uma conduta sadia...” E, que nas panorâmicas da toxicomania, da sexolatria, dos vícios em geral, defrontamos, invariavelmente, a sutil presença de obsessões, como causa remota ou como efeito do comportamento que o homem se permite. Faz se preciso, pois que em todo e qualquer cometimento de socorro, a dependentes de vícios, recordemo-nos do respeito que devemos a esses enfermos, atendendo-os com carinho e dignificando-os.

10. Morrer e Libertar-se

A movimentação no Posto Central prosseguia imensa à medida que a madrugada avançava.

Os desfiles das Escolas de Samba continuavam pelo amanhecer e os foliões permaneciam excitados.

Próximo ao posto de socorro espiritual havia uma agitação do aglomerado espiritual de características inferiores. A psicosfera estava densa, desordenada, com odores carregados e desagradáveis.

Os espíritos menos esclarecidos discutiam calorosamente, e alguns marginais truculentos desencarnados disputavam o direito sobre as pessoas que tombaram no lutuoso acontecimento.

Sr. Agenor, responsável pelo atendimento naquela área com um grupo de servidores, relatou a tragédia. Cinco jovens que pareciam embriagados, trafegavam em alta velocidade, quando outro veiculo fez uma ultrapassagem rápida. O carro dos jovens caiu nas águas lodosas do mangue.

Nas imediações Dr. Bezerra foi saudado por veneranda mulher, desencarnada, que descreveu a tragédia.

Um dos jovens era seu neto Fábio, de 17 anos. A avó atraída pelos vínculos afetivos, tentou induzir o neto a interferir com o amigo que diminuísse a velocidade, mas não conseguiu, pois a mente do rapaz se encontrava entorpecida pelas drogas.

A senhora acompanhou a tragédia sem nada poder fazer. Receando que o neto e os outros rapazes caíssem nas mãos dos irmãos infelizes, vampirizadores das últimas energias orgânicas.

Os agressores formavam uma horda ruidosa e expressiva. O amigo benfeitor induziu, mentalmente, à harmonia íntima e à confiança integral, evitando qualquer sintonia com os rebeldes.

Um coro de blasfêmias estrugiu no ar. – “Formemos uma muralha”, exclamou o verdugo, denotando as suas intenções maléficas, ordenando que os demais impedissem o Dr. Bezerra e sua equipe de se aproximassem dos corpos, que consideravam sendo propriedades deles.

Em oração, o benfeitor amigo se transfigou. Uma luz irradiante dele se exteriorizou.

Os agressores afastaram-se assustados. Alguns fugiram e outros pediram socorro.

Forte cena impressionou Miranda, pois aqueles espíritos apresentavam-se animalescos, lupinos e siamescos, enquanto os que preservaram, com anomalias, embora as formas, estivessem andrajosas e sujas.

O amigo percebeu a perplexidade de Miranda e disse que não estranhasse a atitude de silencio e nem que interpretasse como indiferença à dor do próximo. O auxilio do alto nunca falta e que a tarefa naquele momento tinha outra finalidade.

Dr. Bezerra acrescenta que “o apelo de ajuda resulta-lhes, no momento, do medo e não de um sincero desejo de renovação”. “Logo que os necessitados se voltem na direção da misericórdia, a terão.”

Os cooperadores que vieram do Posto central, atraídos pela prece, estavam munidos de uma rede especial. Eram espíritos adestrados em diversos tipos de salvamento. Os benfeitores desceram ao fundo do mangue, onde jaziam os corpos dos cinco rapazes. Quatro cooperadores distenderam uma rede que se fez luminosa, à medida em que descia suavemente, sobre os despojos, superando a escuridão compacta.

Miranda observou o Mentor acercar-se dos corpos, alguns deles lacerados, com fraturas internas e externas. Fortemente imantados aos corpos, os Espíritos lutavam, em desespero frenético, em tentativas inúteis de sobrevivência.

“Morriam e ressuscitavam remorrendo em contínua agonia.”

A equipe de salvamento prosseguiu liberando os condutos que mantiveram os corpos vivos sob a energia vital do Espírito. Interrompida a comunicação física, permaneciam poderosos liames que se desfaziam somente à medida que iniciasse o processo de decomposição cadavérica.

Não há mortes iguais. O que vale são as conquistas morais de cada pessoa, os requisitos espirituais que, a cada qual tipificam, os apegos ou não à matéria.

Morrer nem sempre significa libertar-se. A morte é orgânica, mas a libertação é de natureza espiritual. É por isso que a turbação espiritual pode demorar breves minutos, nos Espíritos nobres, e até séculos, nos mais embrutecidos.

Nas desencarnações violentas, o período e intensidade de desajuste espiritual correspondem à responsabilidade que envolveu o processo fatal. O mesmo sucede nos casos de homicídio, em que a culpa ou não de quem tomba responde pelos efeitos. Já os suicidas, pela gravidade do gesto de rebeldia contra os divinos códigos, carpem, sofrem por anos a fio a desdita, enfrentando em estado lastimável e complicado o problema de que pretendem fugir.

11. Efeitos das drogas

Os cinco jovens foram colocados em recinto especial para o atendimento sonoterápico de algumas horas, cujo objetivo era conceder-lhes a oportunidade de repouso, o que dificilmente se consegue, devido aos apelos exagerados dos familiares.

Chamados e cenas de desesperos por parte dos familiares, geram no Espirito recém-liberto, maior soma de desconforto, ainda, atravessando momentos de alta sensibilidade psíquica.

Nominalmente chamados, desejam atender, sem poder fazê-lo, experimentando as dores que os vergastam, adicionadas pelos desesperos morais que os dominam. E, mesmo adormecidos, não raro, debatem-se em pesadelos afligentes, que são a liberação de imagens perturbadoras das zonas profundas do inconsciente.

A morte violenta mata apenas os despojos físicos, mas não significa libertação do ser espiritual. As enfermidades de longo prazo, suportadas com resignação, liberam da matéria, porque o espírito tem tempo para pensar nas verdadeiras realidades da vida e desapegar-se das pessoas, paixões e coisas, movimentando o pensamento em círculos superiores de aspirações.

As dores morais bem aceitas facultam aspirações e anseios de paz noutras dimensões diluindo as forças constritoras que o ata ao mundo das formas.

O tempo, no corpo, tem a finalidade educativa, expurgadora de mazelas. O Espírito é, no Além, o somatório das suas experiências vividas.

D. Ruth, avó de Fabio (um dos jovens envolvidos no acidente), explicou a Miranda qual foi o mecanismo pelo qual o Dr. Bezerra havia sido cientificado da ocorrência. Como se sabe, ela tentou desviar o curso do desastre e não obtendo sucesso, pôs-se em oração, recorrendo à ajuda do Posto Central.

Para que Miranda entendesse os vínculos que a ligavam a Fábio, D. Ruth. Explicou que em outra encarnação foi mãe de Fabio, este desencarnara aos 40 anos, após muitos abusos e irresponsabilidades, razão pela qual foi levado a estagiar em redutos de sombra e dor na “erraticidade inferior” por quase 30 anos.

Quando D. Ruth retornou a pátria espiritual, conseguiu que Fábio fosse preparado e recambiado à vida corpórea para que tivesse atenuada suas faltas e suavizar as impressões mais duradouras dos anos sofridos. Foi assim que Fábio renasceu, agora na condição de neto de sua antiga mãe e benfeitora.

Dr. Bezerra, ao examinar o motorista, não teve dúvidas em afirmar que aquele jovem buscara o acidente em razão de estar sobre os efeitos de drogas.

O rapaz que dirigia o veículo já se habituara ao uso de drogas fortes, que lhe danificaram o períspirito. Fábio ainda estava começando a fazer uso destas. Já tinha passado pelo uso da maconha e naquele momento já estava experimentando anfetaminas perigosas, o que lhe produziu inicialmente estimulo e logo depois o entorpecimentos dos sentidos e por isso D. Ruth não conseguiu ter sintonia com o neto, para que este fosse avisado.

RESUMO FEITO POR FRANCISCA PASSOS * FAVOR MANTER OS CRÉDITOS 

12. Despertamento em outra realidade  

Recomendando que o recurso do passe anestesiante fosse repetido de hora em hora, com o objetivo de vitalizar os cinco pacientes desencarnados, fortalecendo-os para os próximos embates, Dr. Bezerra convidou a todos para a oração coletiva no Posto Central, quando o relógio assinalava 6h da manhã de terça-feira de Carnaval. Enquanto orava, diamantina claridade envolvente se irradiava do Dr. Bezerra, restaurando as forças e vitalizando a todos para os cometimentos porvindouros. Algumas horas depois, ele foi procurado pela irmã Melide, que retornava do lar de Ermance, onde a angústia se instalara. Como os amigos da jovem não a haviam encontrado, volveram à casa dela e cientificaram seus pais do ocorrido. A inquietação tomou conta do casal, que não sabia o que fazer. Já era dia quando o pai da jovem foi à Delegacia Central. às 9h o cadáver foi encontrado. Informado do fato, o genitor foi ao Necrotério, onde fez, em estado de grande aflição, o reconhecimento da filha. Melide contou então que sua filha (a mãe de Ermance) foi acometida de pânico, deixando-se abater em terrível desespero, logo que recebeu do marido a notícia. Havendo desmaiado, providenciou-se um médico que velava à sua cabeceira, ministrando assistência especializada. Após ouvi-la, Dr. Bezerra propôs fossem ver Ermance. Ao pé do leito, um enfermeiro in¬formou que a paciente, subitamente, começou a dar sinais de inquietação, como se experimentasse forte pesadelo. Dr. Bezerra aplicou-lhe recursos fluídicos e recomendou à irmã Melide ser de todo conveniente despertá-la para o primeiro encontro com a realidade, de modo a interromper a comunicação com o lar, donde chegavam pungentes apelos, quais dardos que a alcançavam, dilacerando-lhe as fibras íntimas e fazendo-a reviver as cenas que culminaram com a desencarnação.

Após terem sido ministrados recursos que dispersaram os fluidos soníferos, Ermance despertou, um tanto aturdida, com sinais de disritmia cardíaca, muito pálida e com a respiração ofegante. Ao ver a avó, a surpresa se lhe estampou na face e, sem qualquer receio, distendeu os braços e falou: "Deus meu!... Es-tou sonhando... Vovó querida, ajude-me!..." Melide a abraçou com indescritível ternura. Ermance queixou-se, súplice: "Fui raptada e querem matar-me. Tenho muito medo. Quero voltar para casa..." E prorrompeu em dorido pranto. A avó, sem se perturbar, falou-lhe: "O rapto não se consumou, meu bem. Tudo está bem. Estamos juntas. Você voltará para casa logo mais. Agora acalme-se e lembre-se da oração". Denotando menos pavor sob a indução magnética da palavra e da irradiação calmante que recebia, Ermance imaginou que sonhava: "Estou sonhando com você, vovó. Que bom!" A avó redargüiu: "De certo modo, você está despertando de um sonho demorado no corpo, a fim de adentrar-se na realidade maior da vida..." Assustada, a jovem retrucou: "Digo sonho, porque você já morreu..." E o diálogo prosseguiu assim, nesse diapasão, em que a generosa avó iniciava a neta querida nas realidades da vida espiritual, com todo o tato, para não chocá-la. Depois de afirmar-lhe que o corpo é frágil veste que se rompe, libertando o ser espiritual, que é indestrutível, Melide informou: "Você agora, filhinha, ficará comigo respirando novo ar, longe da doença, do medo, da aflição que logo baterão em retirada. Você está viva, não esqueça, e lúcida, sob o carinhoso amparo de Deus..." Denotando receio, a jovem suplicou: "Não quero morrer, vovó!". "Não morrer , minha querida. Você está livre, viva... Já venceu a morte", respondeu-lhe a avó. Ermance pareceu então desmaiar, mas ainda assim balbuciou que queria ir para casa, o que fez com que Melide, acarinhando sua cabeça, lhe dissesse com imensa do-çura: "Irá, sim. Iremos juntas. Tudo está bem. Encontramo-nos mergulhadas no amor de Deus, que nunca nos desampara. Durma, esquecendo as aflições do mundo, para sonhar com as alegrias do Céu. Descanse, meu amor". A jovem então adormeceu. Ermance dormia, mas seu sono era entrecortado de soluços. Dr. Bezerra começou então a aplicar-lhe energias sedativas, que anestesiaram o Espírito, precatando-o dos sofri¬mentos e apelos vigorosos que por algum tempo chegariam dos pais, duramente vergastados pela tragédia. Posteriormente, o Mentor dirigiu-se à capela onde o cadáver da moça era velado, ocasião em que auxiliou os pais atoleimados, infundindo-lhes ânimo e robustecendo-os com forças que lhes propiciassem alento para os testemunhos purificadores. Graças à vigilância de Melide e outros cooperadores do grupo, o corpo da jovem escapou à vampirização de suas últimas energias por Espíritos inditosos. De volta ao Posto Central, Philomeno pôde acompanhar o processo de adaptação dos jovens acidentados e observou então que os Espíritos, mesmo distanciados dos corpos, retratavam as ocorrências que os afetavam durante a autópsia. O motorista, por ser incurso em maior responsabilidade, manteve-se em sono agitado por todo o tempo e experimentou as dores que lhe advinham da autópsia. Embora contido por enfermeiros diligentes, sofreu os cortes, os golpes nos tecidos e as costuras... Ninguém há que se encontre isento à responsabilidade pelos erros cometidos! Há autópsias em que Espíritos que se deixaram dominar pelos apetites grosseiros enlouquecem de dor, demorando-se sob os efeitos lentos do processo a que o cadáver é submetido -- quando não fazem jus a assistência especializada. Desse modo, cada um dos jovens, embora houvessem desencarnado juntos, experimentava sensações de acordo com os títulos que conduziam, de beneficência e amor, de extra¬vagância e truculência.

As autópsias demoraram mais de uma hora, durante a qual a assistência dos Benfeitores procurou dimi-nuir o sofrimento dos recém-chegados. Fábio, por ser menos comprometido, recebeu mais alta dose de anestésico, algo liberado das dores carnais que os outros, em maior ou menor escala, haviam sofrido. Finda essa fase, volveram ao sono, embora em agitação. Na hora do traslado dos corpos para as providências do sepultamento, Philomeno pôde acompanhar o despertar de quase todos, sob os duros apelos de pais e irmãos, partindo semi-hebetados, para os atender... Dr. Bezerra explicou: "As nossas providências de socorro não geram clima de privilégio, nem protecionismo injustificável. Cada um respira a psicosfera que gera no campo mental. Todos somos as aspirações que cultivamos, os labores que produzimos. O Senhor recomendou-nos dar a quem pede, abrir a quem bate, facultar a quem busca, dentro das possibilidades de merecimento dos que recorrem ao auxílio". E ajuntou: "Quando albergamos os nossos jovens, na condição de humildes cireneus, objetivamos ampará-los da agressão perniciosa das Entidades vulgares, portadoras de sentimentos impermeáveis à compaixão e à misericórdia... Mercê de Deus, conseguimos o tentame. A cruz, porém, é intransferível, de cada qual. Podemos ajudar a diminuir-lhe o peso, não a transferi-la de ombros". A agitação entre os pacientes era geral. Rápidas flechadas de forte teor vibratório alcançavam os rapazes, fazendo-os estremecer. O motorista subitamente apresentou uma fácies de loucura e, trêmulo, saiu dizendo coisas desconexas: fora atender aos que o chamavam sob chuvas de blasfêmias e acusações impróprias. Tendo sabido, pela Polícia, que ele havia ingerido alta dose de drogas, seus pais ficaram magoados e revoltados. De todos, apenas Fábio e outro amigo foram poupados à presença do cadáver e às cenas fortes que se desenrolaram antes e durante o sepultamento. Desperta-se, cada dia, com os recursos morais com que se repousa à noite. Além do corpo, cada Espírito acorda conforme o amanhecer que preparou para si mesmo.
13. Experiências novas

No último dia do Carnaval carioca, o movimento no Posto foi contínuo. Pôde-se recolher grande número de desencarnados em lastimável estado que, no fragor das festas, se dava conta da inutilidade dos caprichos que sustentavam, chorando copiosamente em arrependimentos sinceros, inesperados. Cansados da busca do fútil, despertavam para outros valores, recebendo imediato auxílio, desde que, onde se encontram as necessidades reais, logo surge o amparo próprio distendido em atitude socorrista. O homem é o artífice do seu destino, sendo feliz ou desventurado conforme eleja o procedimento que se deve impor. Obviamente, a opção se faz de difícil vivência, quando escolhe a dignidade e o sacrifício dos interesses inferiores. Contudo, os júbilos que se fruem e as bênçãos que se colhem são maiores e mais compensadores do que quaisquer outras satisfações que experimentamos no mundo. às 15h, Dr. Bezerra e Philomeno foram atender a mais um socorro de emergência, solicitado por um companheiro do plano espiritual -- o irmão Artur, eficiente médico na equipe de Benfeitores, desencarnado há pouco mais de um lustro, e que aportara no Mundo Espiritual caracterizado por incontáveis ações de dignidade humana e filantropia. Com menos de quarenta anos realizara uma obra relevante junto aos enfermos, como missionário da Medicina, em Clínica Geral. Artur não amealhara fortuna, em razão da bondade inata. Muito estimado, vivia com dignidade, sem ultrapassar os limites do equilíbrio social. Ao desencarnar, deixou no campo de lutas a viúva, igualmente jovem, e uma filha adolescente por quem nutria entranhada afeição. A esposa fora-lhe uma provação bem suportada. Exigente e ambiciosa, rebelava-se por não alçar mais amplos, venturosos e infelizes vôos morais. Artur a ajudara com toda a franqueza do seu caráter diamantino, sem resultados expressivos, e continuava a ajudá-la, não conseguindo, porém, o quanto desejava. Nas crises de revolta que a assenhoreavam periodicamente, a viúva o inculpava, amaldiçoando-lhe as lembranças e não perdoando a própria filha por cultuar a memória paterna.

Sofrendo a incompreensão da genitora, a jovem sensibilizou-se com a afeição sem profundidade de um colega de faculdade e consorciou-se, estimulada pela mãe, aos dezoito anos. Como o rapaz não dispusesse de recursos, a sogra ofereceu a casa para que nela ficassem, até que as circunstâncias melhorassem. A convivência ali, no entanto, perigava a olhos vistos. Ao pedir a ajuda do Dr. Bezerra, Artur informou que sua filha tentara o suicídio, pouco antes, e fora levada de urgência ao Hospital Souza Aguiar. "Rogo providencial socorro para ela -- adiu, emocionado -- conforme a vontade de Deus. Será um desastre, se ela retornar nesta condição..." Dr. Bezerra concentrou-se, como se recolhesse informações e diretrizes, e em seguida partiu em direção ao referido Nosocômio. Noemi, a filha, havia tentado cortar os pulsos, mas recebia ali a devida assistência. Sua respiração era débil, quase imperceptível pela brutal hemorragia que fora contida parcialmente com torniquetes providenciais. Subitamente, porém, um dos médicos que olhava o Osciloscópio exclamou: "Parada cardíaca! Massagem, depressa..." Naquele exato momento, a jovem, quase totalmente desprendida do corpo, agitava-se freneticamente, sob domínio de impenitente obsessor, que lhe gritava: "Quiseste morrer e assim será . Não escaparás. Não volverás ao corpo infame que desdenhaste. Agora é conosco". Enquanto prosseguiam as massagens sem resultado, o cirurgião solicitou o cárdio-inversor elétrico para aplicação de choques, na esperança de reavivar o músculo cardíaco. Dr. Bezerra aproximou-se então do algoz e deixou-se perceber. O Espírito cruel, defrontando-o, blasonou: "Ela é minha. Ninguém a tomará de mim. Veio às minhas mãos por livre e espontânea vontade. Não a deixarei!" O Mentor replicou: "Não sou eu quem te tomará o ser que amesquinhas, senão o Nosso Pai, Senhor de todos nós. A hora não é chegada para que ela retorne. Desse modo, se a reténs, serás o responsável pelo crime de homicídio consciente... Além do mais, o acontecimento será como quer o Criador e não como desejemos nós. Esta é a tua vez de ceder..." A voz do Dr. Bezerra era gentil, mas decidida, suave, porém segura... O carrasco, contudo, estremeceu e retrucou: "Não a cederei. Só à força. Venha tomá-la". O desafio chocou os que assistiam à cena e atraiu entidades perversas e vagabundas que por ali passavam e começaram a chacotear. O Mentor, sem ressentimento ou desprezo pelo malfeitor, silenciou, em prece de profundo recolhimento, enquanto o irmão Artur semi-incorporava o médico terreno, que aplicou a primeira descarga elétrica na área do coração. O corpo da jovem foi sacudido com violência, após o que recebeu a segunda dose. Dr. Bezerra começou a irradiar poderosa luz que, saindo do seu plexo solar, inundava a sala de forte claridade espiritual. "Em nome de Deus -- ordenou, então, -- devolva esta jovem ao seu corpo!" A Entidade da treva ficou paralisada sem compreender a ocorrência e soltou o Espírito da enferma, que sentiu o impacto das descargas elétricas e o forte apelo da matéria debilitada, parecendo, à visão de Philomeno, que era violentamente sugado pelo invólucro carnal. O coração voltou então a pulsar, fraco a princípio, mais regular depois, permitindo a conclusão do atendimento cirúrgico. Um pranto de júbilo tomou conta de Artur, e Dr. Bezerra, sem demonstrar vitória alguma, disse ao malfeitor desencarnado: "A vida é patrimônio de Deus e todos nos encontramos situados nela com propósitos superiores que nos estão reservados. Todos conduzimos enganos lastimáveis, que são frutos da nossa ignorância, igualando-nos, de certo modo, nos erros e diferenciando-nos nos acertos. A sua anuência, meu amigo, é abençoado acerto, que lhe descerra oportunidade nova, de que todos podemos gozar. O bem é inexaurível nascente, que flui sem cessar, sempre melhor para quem o distende aos outros. Observe, agora, em nome de Deus". Grande silêncio se abateu sobre a sala; as Entidades ruidosas calaram-se; a luminosidade permanecia. Eis que, então, uma menina que desencarnara com a idade de oito anos, aproximadamente, penetrou o recinto, acompanhada de veneranda Entidade. A pequenina ergueu os braços e dirigiu-se ao Espírito surpreso: "Papai! Paizinho, meu paizinho!..." Ele, aconchegando-a ao peito, respondeu: "Filhinha! Alma da minha alma! Mamãe!..." E afogou-se em pranto de emoção superior, desde há muito represado. A anciã era sua mãe que lhe trazia a filhinha inesquecível. Os três afetos recobravam o tempo da longa separação e saudade em demorado abraço, enquanto Noemi, anestesiada, era removida para a UTI... A mãe beijava o filho, a "ovelha que se extraviou" e agora "fora encontrada", enquanto ele, sem conter as lágrimas, não conseguia falar.

A genitora pediu ao Mentor fosse seu filho tratado no Posto de Socorro, antes de ser transferido para outra estância. Dr. Bezerra aquiesceu e o irmão Artur, valendo-se de um pequeno walkie-talkie, solicitou ao Acampamento enviasse veículo e padioleiros para o transporte de novo paciente. Ali mesmo, sob o carinho dos familiares, ele foi socorrido com passes que o amolentaram, auxiliando-o na desintoxicação psíquica de que necessitava, com o que adormeceu. Mais tarde, Philomeno soube que no instante da reflexão profunda do Dr. Bezerra, ao ser avisado da tentativa de suicídio de Noemi, o Mentor fizera uma consulta aos Centros de Informação da esfera espiritual, a respeito do conteúdo obsessivo do problema, simultaneamente quem se encontrava envolvido e como alcançá-lo. Enquanto se dirigiam ao Hospital, Mensageiros providenciaram a vinda dos familiares do perseguidor, que também aguardavam oportunidade como aquela, a fim de atingi-lo para a sua redenção. Logo que pôde, Philomeno indagou: "Se o nosso irmão persistisse no erro, no propósito nefasto, que recursos seriam utilizados?" Dr. Bezerra respondeu: "Não h força que suplante o amor. Recorrendo à fonte sublime do Amor Sem Limite, através da oração, fomos visitados pela resposta superior do Céu, que o dulcificou, num átimo, fazendo-o recordar-se da própria filhinha, que um dia fora raptada da sua companhia. O amor que nele estava enfermo, escravo da revolta, rompeu as amarras e ele cedeu, o que lhe facultou sintonizar com os afetos familiares, convidados para aquele momento". E acrescentou: "Não nos esqueçamos do ensino sempre atual de Jesus: -- Pedi e dar-se-vos-á ... E' necessário pedir, saber fazê-lo e esperar com receptividade".

14. O drama de Noemi

Ao saírem do Hospital, o Mentor e Philomeno ficaram conhecendo Enalda (a viúva de Artur) e Cândido, o esposo de Noemi, que lhe havia ministrado os primeiros socorros em seguida à tentativa de suicídio. Artur contou que sua filha renascera naquele lar, sob o impositivo de grave provação, com raízes no passado. Enalda sofrera oportunamente penosa injunção em relação a ela, o que a circunstância maternal deveria anular, através do amor e do perdão. Portadora, no entanto, de caráter débil e voluntariosa nos caprichos femininos, a mãe agravou a situação com sérios deslizes morais. Imatura, no que tange aos compromissos nobres, a viúva não aprendera a valorizar o tempo, em favor da própria ascensão, e sonhava com os prazeres extenuantes, a que gostaria de se entregar, pouco lhe importando as conseqüências perniciosas que adviessem. A viuvez um tanto súbita pareceu liberá-la... Artur prosseguiu dizendo que a formação religiosa do casal não fora das melhores. "Vinculamo-nos -- disse ele -- a uma doutrina ortodoxa, mais por praxe do que por convicção e sentimento, praticando o culto sem aprofundamento nas lições que ouvíamos. De minha parte, encontrava dificuldades para uma aceitação racional e profunda dos seus postulados, que me não pareciam responder às questões atormentantes que defrontamos no dia-a-dia. A filosofia do dogma, em caráter de fé cega, repugnava-me." Ele resolveu então, sem se afligir com o que não concordava na religião, adotar um comporta-mento coerente com o mandamento maior, que recomenda "O amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo", por compreender que ele sintetizava a Lei e os seus profetas, constituindo a base dos ensinos morais de Jesus. A esposa, por sua vez, aceitava o comportamento religioso, sem compromisso moral com a fé... "Agora compreendo porque -- disse ele --, ao considerar que ela reencarnou sob macerações íntimas resultantes da existência anterior que não pôde superar."

Artur explicou, na seqüência de sua narrativa, que o casamento de Noemi com Cândido não estava nos planos do seu processo regenerador... Sentindo-se desamada, no lar, um tanto só e carente, ela transferiu a afetividade que deveria ser educada para vivência no momento próprio, para o jovem, igualmente irresponsável. Sob o apoio de Enalda, que se encantou com o rapaz, precipitou acontecimentos que o livre-arbítrio atraiu para complicação deles mesmos. Passados os primeiros meses de convivência, surgiram as desinteligências por coisa nenhuma. Pequenos arrufos, discordâncias de opinião, remoques de parte a parte tornaram-se habituais, e Enalda, deixando-se fascinar pelo genro, sustentava-lhe as falsas razões, dando-lhe injustificável apoio, em detrimento da orientação e cuidados que lhe competia distender à filha. Para culminar, a contínua aproximação entre sogra e genro, apesar da imensa diferença de idade, degenerou em relacionamento delituoso dentro do próprio lar... Enalda e Cândido, entregues à licenciosidade, não se davam conta de que Noemi percebia o comportamento de exagerada amizade entre ela e o esposo. Agasalhando as farpas do ciúme, pôs-se de guarda a relacionar pequenos fatos que lhe consubstanciavam a suspeita. Nessa tormentosa situação mental e moral, todos atraíram seus inimigos desencarnados, abrindo campo aos processos de cruel indução obsessiva que passaram a corporificar-se. O Espírito perturbador, que acabara de ser resgatado da alucinação de que padecia, fora antiga vítima de Noemi -- envolvida no rapto de sua filhinha na anterior existência... "Como sabemos -- comentou Artur --, somente sucedem obsessões, porque existem endividados. Todo obsessor, por mais insensível e cruel, é somente alguém doente, que se viu traído e não tem sabido ou querido superar a condição de dor a que foi arrojado." "Enquanto não luz o perdão na antiga vítima e a transformação moral do infrator, a problemática aflitiva prossegue, mudando apenas de forma ou de atitude de quem persegue e de quem é perseguido." Foi isso que fez com que ele passasse a inspirar Noemi, de maneira a surpreender Enalda e Cândido. Magoada, era-lhe mais fácil aceitar a idéia infeliz do que o pensamento de coragem de Artur, seu pai, que tentava ajudá-la a superar esse momento difícil, como ocorrera na se-mana anterior, quando pôde falar-lhe, na esfera dos sonhos, demonstrando-lhe que as vítimas são sempre mais felizes, senão hoje, mais tarde... Artur contou que incentivara a filha a ter paciência, porque em breve Cândido mudaria de atitude em relação a Enalda, que somente estava a despencar em abismo de difícil saída. "Assim lhe expliquei -- relatou o amigo --, após ouvi-la relatar o drama que a dilacerava intimamente. Retrucou-me, informando que só uma atitude de dura vingança poderia lavar-lhe a honra ultrajada pelo esposo e pela genitora. Aquiesci, e apresentei-lhe a vingança em termos de perdão e prosseguimento no reto dever, sugerindo que instasse com o marido para realizarem uma viagem e, na volta, assumirem a responsabilidade de ter a casa em que fossem viver as próprias experiências, com mais simplicidade, o que lhes era possível, sem outra, senão a tutela de Deus." Noemi -- informou Artur -- chorou muito e despertou sob a impressão de haver estado realmente com o pai. Falou então ao marido, sem deixar transparecer as suspeitas, a respeito da necessidade de fazerem uma pequena viagem, aproveitando os dias do Carnaval, quando conversariam com calma sobre o futuro. Ele, porém, opôs-se a sair do Rio no período momesco, desgostando-a e predispondo-a à ação maléfica que lhe era induzida pelo adversário desencarnado. "Na manhã de hoje Noemi, duramente hipnotizada pelo inimigo, foi inspirada a armar uma cilada, na qual tombaria, como vimos", prosseguiu o amigo. "Planejou visitar amigos, prometendo retornar após o almoço e deixando os doentes morais desimpedidos, para que dessem curso às paixões dissolventes." O plano fora bem urdido, porque, logo a jovem se afastou, os le-vianos entregaram-se à desordem moral, sem qualquer escrúpulo... Retornando quinze minutos depois, sob a alegação de haver esquecido algo, entrou no lar e surpreendeu a ambos. Tresvairada, discutiu com os infelizes traidores e, porque Cândido a esbofeteasse, correu na direção do banheiro, onde tentou seccionar as veias, agora sem a imposição mental do perseguidor, que desejava deixar sobre ela a responsabilidade do gesto louco. "A minha carência de valores não pôde impedir os acontecimentos, demorando-me em prece até o momento em que vos vim rogar auxílio", concluiu Artur.

15. Recordando vidas passadas

O drama de Noemi possuía as tintas fortes das tragédias... Com efeito, não é difícil imaginar a dor e as dificuldades que a jovem decepcionada teria de enfrentar doravante, sem o arrimo do pai querido e traída pelos seus entes mais chegados: a mãe e o marido. O quase seccionamento do nervo do braço esquerdo deixaria alguma seqüela, tornando mais difícil ainda a sua atual experiência no mundo das formas. Aqueles dias de Carnaval mostravam mais uma vez quantas dores poderiam ser evitadas, caso as criaturas preferissem atitudes e comportamentos diversos. Tudo em a Natureza convida à paz e ao amor, mas o atavismo das paixões primitivas se interpõe entre o homem e a felicidade. Manoel P. de Miranda recordou, então, que ele estivera com Dr. Bezerra, na segunda-feira de Carnaval, num suntuoso Teatro, onde se daria um conhecido desfile de fantasias. Razões importantes os levaram ali, no desempenho do ministério do auxílio a que se dedicavam. Nos bastidores do teatro, era inocultável a luta, em que as intrigas e diatribes confundiam-se com as promessas de agressões físicas e escândalos, entre palavras ásperas e vulgares. As paixões afloravam, extravasando em torrentes de desequilíbrio, e Espíritos de aspecto bestial e lupino, verdugos e técnicos de vampirização do tônus sexual, em promiscuidade alarmante com inúmeros encarnados, ali se misturavam, comprazendo-se uns e outros, como autênticos parasitas, em osmoses psíquicas de avançado grau. Inobstante o brilho das sedas e das pedrarias, dos paetês e dos bordados fulgurantes, o ambiente dava mostras do baixíssimo teor de vibrações viciosas que ali tresandava. Muitos foliões haviam-se afadigado por longos meses na confecção das fantasias, praticamente vivendo a psicosfera da ilusão, e diversos deles estavam exaustos, tendo consumido tempo e dinheiro que poderiam ter sido mais bem aplicados no sentido da manutenção da vida e salvação de muita gente...

Vendo ali indivíduos vestidos como reis e rainhas, nobres e conquistadores, clérigos e personagens diversos, cujas fantasias fariam inveja àqueles a quem copiavam, Dr. Bezerra informou: "Muitos estudiosos apressados da reencarnação mantêm veleidades e idéias fantasiosas que os agradam, em torno do passado espiritual. Identificam-se nas roupagens físicas de antigos nobres e generais, reis e conquistadores, prelados ilustres e de alta categoria hierárquica nas ordens eclesiásticas, de artistas famosos, perdendo tempo precioso em pesquisas e comparações de valor secundário, levantando o passado, para se satisfazerem no presente sem a necessária consideração pela oportunidade nova... Diversos desses precipitados e descuidados adeptos do reencarnacionismo não se querem dar conta de que, se viveram personificações célebres e ainda permanecem na Terra, é porque faliram dolorosamente nos empreendimentos com que a Vida os convidou a exercer para crescimento moral e deslustraram por orgulho, desmedida ambição, desrespeito à bênção que não mereciam, mas a receberam como misericórdia de acréscimo". E acrescentou: "Em se confirmando alguns casos como verdadeiros, isso tem a finalidade reeducativa, exigindo reparação urgente e não motivo de disfarçada vaidade pelo que foram com total olvido do que são". Dr. Bezerra lembrou que as desincumbências dos compromissos de elevação fazem-se mais difíceis nas altas esferas sociais do mundo, em cujas faixas enxameiam perturbações e convites à queda, tentações sem nome, fraudes, tormentos e traições, explicando, logo em seguida, que alguns dos fantasiados ali presentes, que imitavam trajes antigos, eram as próprias personagens que retornavam ao proscênio do mundo, falidos lamentavelmente, imitando com carinho e paixão a situação que indignificaram quando a exerciam.

Dr. Bezerra referiu-se então aos indivíduos da nobreza que enlouqueceram na ociosidade e, agora, meditam em profundas frustrações que os tornam insatisfeitos; aos monarcas que vulgarizaram a investidura com que mergulharam no mundo para servir e, hoje, repetem os textos do drama da vida, em situações ridículas; aos religiosos que corromperam os altos compromissos e ora estão crucificados nos madeiros invisíveis de problemas íntimos que os amarguram; aos vencedores do mundo que não venceram a si mesmos e revestem-se, então, de não esquecidas indumentárias, servindo de bufos para as multidões que os aplaudem ou criticam, invejam ou perseguem; aos burgueses frívolos que expiam nesta oportunidade, sob duras injunções morais, o tempo perdido... Todos eles merecem não somente nosso respeito e consideração, mas também compreensão, afeto e piedade de todos nós, acentuou Dr. Bezerra, que arrematou nestes termos suas observações: "As marcas de determinadas reencarnações não desaparecem, de um para outro momento, das tecelagens sutis do Espírito, que renasce no corpo, sofrendo-lhes os efeitos. Jesus escolheu os andrajos modestos, os convívios da dor e do sofrimento humano, as situações do proletariado sem esperança para dignificar a ascensão das almas que se retemperam nos testemunhos da pobreza e da simplicidade. Não desconsiderou os bens do mundo, nem os seus transitórios detentores, oferecendo-lhes, várias vezes, oportunidade de privarem com Ele e Suas lições, mas não se deteve ao lado das suas transitórias posições e mandos..." Nesse ponto o desfile começou e logo foi chamado o primeiro candidato da noite, cuja fantasia lembrava conhecido monarca que se celebrizou pela vulgaridade, sensualidade e vandalismo. Quando ele avançou para a passarela, debaixo dos remoques ácidos dos Espíritos que pululavam no recinto, Dr. Bezerra asseverou: "Guarde-o Jesus, bem assim a todos que aqui estão, na sua passeata de ilusão. Por mais que se demore o sonho, será inevitável o acordar. Da sala nobre e bela do palácio, em que fracassou e comprometeu-se, o irmão ressurge em travestimento brilhante, num palco de mentira, recebendo a homenagem de uma glória ligeira, com serpentinas, confetes e lágrimas de dor, numa triste e enganosa noite de Carnaval..." "Aprendamos, desse modo, a escolher “a boa parte, aquela que nos não será tirada” , conforme o ensino do Mestre no diálogo mantido com Marta, no abençoado lar de Betânia..."

16. Considerações sobre sessões mediúnicas

Ao cair da tarde, Philomeno visitou Fábio e seu amigo, que se recuperavam na Enfermaria através da terapia do sono. Eles se apresentavam agitados, demonstrando experimentar as dores acerbas que os faziam despertar, com fácies alucinada. Dr. Bezerra esclareceu: "E' chegado o momento da inumação cadavérica. As famílias, em dor superlativa, lamentam o infausto acontecimento que as dilacera e chama-os, nominalmente, com exclamações de inconformismo, que se transformam em agentes mentais dilaceradores, que os alcançam. Eles ouvem e não entendem o que se passa. Não têm idéia do que lhes sucedeu, nem sequer possuem qualquer preparo para o retorno, nesta circunstância..." Dito isto, aplicou em ambos expressiva carga de energia anestesiante, que os acalmou. Em seguida informou: "Este é um dos instantes mais difíceis para o recém-desencarnado que perdeu o corpo, sem dele libertar-se. Há, como é natural, em casos desta e de ordem semelhante, um apego aos despojos físicos muito acentuado. Demais, os vínculos familiares são fortes cadeias que amarram as criaturas umas às outras, nestas horas mais poderosos, quando se percebe a nulidade de qualquer recurso que atenue a angústia de uma separação, que muitos ainda supõem eterna". "A morte, em tais situações, transforma-se em fator preponderante de neuroses e psicoses mais profundas, que conduzem a loucuras, ao suicídio...", porque até hoje, lamentavelmente, as religiões tradicionais não souberam preparar a criatura humana para a problemática da morte, tarefa grandiosa que compete ao Espiritismo, diluindo das mentes o pavor da morte e educando os homens sobre a maneira de encará-la. Dr. Bezerra mencionou, então, nesse sentido, a importância das sessões práticas ou mediúnicas do Espiritismo e sua função consoladora que, além de servirem de medicação para os Espíritos dos dois lados da vida, constituem prova cabal da sobrevivência...

Havia no Dr. Bezerra um entusiasmo sadio e grande respeito pelo ministério mediúnico, que lhe transparecia na face e ressaltava nas palavras. Mas ele advertiu: "De tempos em tempos, amiudadas vezes, surgem movimentos antimediunistas entre respeitáveis estudiosos e obreiros da Doutrina Espírita, que então sofrem inspiração negativa. As Entidades perversas, que se vêem desmascaradas, desmanchadas suas tramas e conluios nefastos, através da mediunidade digna, combatem, sistematicamente, esta porta de serviços, tentando cerrá-la, ora pela suspeita contumaz, ora pela desmoralização e vezes outras pela indiferença geral, desfrutando, então, esses inditosos, de área livre para o comércio infeliz que estabelecem e o prosseguimento das ardilosas quão inclementes perseguições que promovem". Dr. Bezerra reportou-se então à memorável sessão mediúnica realizada no Tabor, quando o Mestre se transfigurou e parlamentou com Moisés e Eliás materializados e, logo depois, ao descer do monte, repreendeu um obsessor que atormentava um jovem, expulsando a Entidade infeliz e liberando o paciente... "Ali -- acentuou o Mentor -- se realizara uma perfeita fluidoterapia com o obsesso, socorro ao obsessor e um intercâmbio superior com os líderes israelitas desencarnados, qual ocorre nos trabalhos espíritas práticos, sob os rígidos códigos da moral evangélica." "Inspirados, portanto, por mentes perturbadoras, ociosas, vingativas de diversas gamas, surgem companheiros ciosos da preservação do patrimônio doutrinário, investindo contra as reuniões mediúnicas. Alguns alegam excesso de animismo, outros exageros no mediunismo, mais outros afirmam que esse período está superado e não falta quem diga serem tais serviços prejudiciais ao equilíbrio mental e emocional de pessoas nervosas, de personalidades psicopatas." O Mentor, afirmando que tais críticos não têm razão em sua postura, analisou, na seqüência, todos os argumentos levantados, indicando para cada um deles a orientação necessária. Assim é que, na questão do animismo, ao invés de coibi-lo, devemos educar o sujet, fazendo-o liberar-se das impressões profundas que lhe afloram do inconsciente, nos momentos de transe, qual oportuna catarse que o auxiliará a recobrar a harmonia íntima. E' essencial doutrinemos -- diz ele -- os portadores de mediunidade em fase atormentada.

A tese exposta por Dr. Bezerra é muito clara: os chamados excessos mediúnicos não são da responsabilidade das sessões, mas da desinformação dos experimentadores e das pessoas que se aventuram nas suas realizações, desarmadas do conhecimento doutrinário e da vivência de suas execuções. "Nunca -- asseverou Dr. Bezerra -- estarão ultrapassadas as realizações mediúnicas de proveito incontestável, além do poder que exercem para fazer novos adeptos que então passam a interessar-se pelo estudo da Doutrina e seu aprofundamento." O Mentor examinou, por fim, o argumento de que as sessões afetam pessoas portadoras de desequilíbrios nas áreas mental e emocional, o que, para ele, não tem qualquer fundamento. Em primeiro lugar, porque tais pessoas não devem ter participação direta na reunião; e de-pois, porque essas criaturas podem ser beneficiadas a distância, sem participarem fisicamente das sessões. Em seguida, após afirmar que o conhecimento, a preparação doutrinária e as condições morais dos participantes da sessão são os fatores predominantes para a obtenção dos resultados, o Mentor concluiu: "Respeitamos todas as criaturas nos degraus em que estagiam, no seu processo de evolução espiritual. Entretanto, valorizamos os trabalhadores anônimos da mediunidade, os que formam os círculos espirituais de assistência aos desencarnados e de intercâmbio conosco pelo sacrifício, abnegação e fidelidade com que se dedicam ao fanal da consolação e da caridade que flui e reflui nas sessões mediúnicas de todas as expressões sérias: de “curas” ou fluidoterapia, de desobsessão, de desenvolvimento ou de educação da mediunidade, de materialização com objetivos sérios e superiores, favorecendo o exercício das várias faculdades mediúnicas para a edificação e vivência do bem. Esses trabalhadores incompreendidos, muitas vezes afadigados, estão cooperando eficazmente, no esquecimento a que muitos os relegam, com os Benfeitores da Humanidade, na construção do Mundo Novo de amanhã pelo qual todos anelamos".

Fonte do Resumo dos capítulos 12 ao 16:"CENTRO ESPÍRITA NOSSO LAR - GRUPO DE ESTUDO DAS OBRAS DE ANDRÉ LUIZ E MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA" - Londrina, 22-4-1996, Astolfo O. de Oliveira Filho


17. Apontamentos necessários

O ultimo dia de carnaval foi marcado pelo auge de todos os excessos. A psicosfera era tóxica e alucinada. Os amigos espirituais mais do que nunca continuavam seus trabalhos.

Manuel Philomeno de Miranda, foi convidado pelo irmão Genésio, para participar de uma reunião mediúnica na casa espírita em que ele ajudou quando encarnado. Seria uma reunião de socorro aos desencarnados como também aos encarnados aflitos pela perda de entes queridos.

Genézio, esclareceu ainda, que alguns irmãos encarnados preferem fechar as portas da casa espírita nos primeiros meses do ano, sob a alegação de férias coletivas. O que não faz sentido. Ele, então, cita a afirmação feita por Jesus: “Meu Pai até hoje trabalha e eu também.” Genézio, reconhece a necessidade do repouso, porém, aqueles que não sintam vontade de descansar por tanto tempo, devem prosseguir com a ajuda. Há também, uma outra corrente que diz ser imprescindível a casa espírita não abrir nos dia de carnaval. Os motivos, são as vibrações negativas e as más intenções de pessoas que se aproveitam desses momentos para tumultuar. Ele lembra, que a instituição espírita que se baseia e se sustenta na doutrina, tem estruturas de defesa. Além disso, acautelar-se, em demasia, do mal, é duvidar do bem. Para encerrar esse assunto, Genézio contou o caso de um abnegado irmao que se queixou ao seu Mentor sobre as dificuldades que o sentia, através de familiares exigentes, amigos ingratos, etc.. O Mentor respondeu-lhe narrando uma história segundo a qual um anjo, ao preparar um pupilo para vir à Terra, deu a este, durante o treinamento, um guarda-chuva; tempos depois, galochas, e por último uma capa . Um dia começou a chover e o pupilo gritou: "Anjo bom, chove! Que faço?" O orientador respondeu-lhe: "Use o material que lhe dei, você tem recebido a luz, o discernimento do Evangelho e o apoio do Mundo Espiritual, não como prêmio à inutilidade, mas como recurso para os momentos difíceis. Use esses tesouros ocultos que vem guardando e não tema.

Em seguida, seguiram à Casa Espírita. Na sala, Espíritos amigos já tinham preparado o ambiente. Todos se dedicavam, a vigilância e defesa da Casa. Philomeno, percebeu que ali já se encontravam dois jovens recém- desencarnados e um cavalheiro ansioso que desejavam uma comunicação com a família. Genézio, explicou que os dois jovens tinham sido vitimados em acidentes; o cavalheiro tivera morte natural. Os 3 estavam ansiosos pelo encontro , a fim de poderem descansar. O amigo explicou, que a mente da família, fixada neles, reavivavam as lembranças que gostariam de esquecer. A recordação do instante da morte, que os afligia, era sustentada pela família. Com esse intercambio, a família se acalmaria e os desencarnados iriam remorrer. ( remorrer, um neologismo usado por Genézio que significa morrer de novo) O amigo explicou que, a morte do corpo não desobriga o Espírito de permanecer preso ao mesmo. As impressões que se demoram, como no caso das partidas , mais violentas, aturdem o ser espiritual que oscilam entre as duas situações vibratórias, a anterior e a atual.

Chamados pela família, acabam condensando fluidos que deveriam diluir-se. E assim, que o atendimento aos familiares termina, os elos se rompem e eles conseguem, enfim, repousar num sono de morte com fins terapêuticos.

Em relação as mensagens, Philomeno aprendeu, que o importante são as notícias tranqüilizadoras e o conteúdo imortalista.

18. Correspondências do além

Os resultados numa reunião mediúnica séria são sempre positivos. Nesse capítulo, os desencarnados que tinham dificuldades de se comunicar, eram ajudados através de imantações magnéticas e fluídicas aplicadas neles próprios e nos médiuns. Os orientadores usavam da terapia da bondade, sempre com palavras serenas e vibrações de amor. Algumas entidades mais rebeldes, eram hipnotizadas pelos esclarecedores encarnados e auxiliados pelos hábeis técnicos da espiritualidade. Philomeno, percebeu que as induções hipnóticas do orientador, por serem cheias de energias emanadas do cérebro físico, faziam-se portadoras do mais alto teor vibratório que atingia os Espíritos. Com isso, cediam imediatamente ao sono reparador.

.Jonas, era um médium psicógrafo, que se movimentava com facilidade no desdobramento lúcido, enquanto o corpo, em transe profundo, era manipulado pelos Mensageiros Superiores.

O jovem acidentado na moto tinha o seu estado psíquico muito abalado, isso se dava, por conta das cargas vibratórias enfermiças que carregava. Sua tia desencarnada também já havia lhe ministrado as primeiras informações sobre sua nova condição. Mesmo assim, não conseguia não conseguia se harmonizar. O Diretor recomendou-lhe serenidade e confiança em Deus. Aplicou-lhe, em seguida, recursos calmantes e, to-mando-lhe do braço, colocou-o sobre o do médium em perfeita sincronia para o ditado. O Espírito amigo, o orientava para que escrevesse somente o necessário, em linguagem edificante, diminuindo o impacto da morte e ofertando aos familiares, conforto. A assinatura foi conseguida com êxito.

O outro jovem, também vitima de um acidente, ditava o que desejava informar. Porém, Philomeno constatou que o espírito do médium Jonas era quem escrevia com independência mental. O motivo, era a sensibilidade do médium. Dotado de uma aparelhagem psíquica delicada, a indução fluídica do desencarnado que se encontrava em perturbação, poderia causar sérios danos a saúde e a organização mediúnica de Jonas. Fica claro, que as forças medianímicas era bem conduzidas pelo médium, tendo como resultado uma comunicação fiel.

Já a mensagem deixada pelo cavalheiro ansioso, teve outro mecanismo diferente. As energias mais grosseiras se encontravam diluídas, o que facilitou o intercambio.

Philomeno, registrou também, que nas comunicações psicofônicas dos mais sofredores, a orientação dada, alcançava outros doentes, que se encontravam na mesma faixa espiritual. Já os médiuns passistas, revitalizavam com suas energias os portadores da psicofonia. E os algozes de alguns presentes, eram auxiliados, sem que suas vítimas soubessem.

Às 21:30 hs os trabalhos foram encerrados com orações e agradecimentos ao Pai.

19. Convite ao otimismo

Manuel Philomeno, conta que logo depois que desencarnou, já na vida espiritual, percebeu que a em torno da Terra existia, faixas vibratórias concêntricas, desde a mais condensada ( perto da crosta)até as mais sutis. Elas são alimentadas pelas ondas mentais dos habitantes do planeta. E pela sintonia, os desencarnados se imantam aos que lhe são afins, de acordo com os valores morais.


As aflições e as dores mais primitivas se encontram nas regiões mais povoadas e de condensações mais pesadas. E são, justamente nas áreas metropolitanas, que encontramos os hábitos humanos mais vis. Centenas de milhões desses seres, são levados para lugares ermos, cavernas e pantanais do planeta, onde serão governados momentaneamente pelos gênios do mal. A vida mental nessas esferas e coloniais chegam a inimagináveis expressões de maldade. E em muito desses lugares, programam-se atentados macabros contra os homens.

Os emissários da luz que entram nessas regiões lutam pela libertação dos equivocados. São os operários da caridade, em nome e pelo amor de Jesus que ajudam os que têm condição de serem levados a outros planos. São verdadeiros cireneus que se sacrificam pelo próximo.

E é na última noite de carnaval, que fica claro, essa densa e grande faixa de vibrações fortes sobre a cidade. A concentração mental de milhões de pessoas, na loucura carnavalesca, aumenta mais ainda a imensa área de trevas.

Em contra partida, o Mentor e amigo espiritual, lembrou que o bem está sempre vencendo. Mesmo que muitas pessoas ainda se entreguem de maneira exagerada ao carnaval, existe um numero muito superior de irmãos que não têm qualquer interesse nessa folia. Muitos, aproveitam esse período para viajar à lugares tranqüilos, meditar, estudar e ao lazer saudável. Há um grande avanço moral e um interesse maior dos homens pelos seus semelhantes. As minorias de uma forma geral, recebem mais respeito; os preconceitos vão sendo extintos; a ecologia arrebata militantes afervorados, etc...

Philomeno, aprendeu que estes momentos são importantes para a transição moral da Terra. Legiões que se encontravam presas nestas faixas vibratórias, vêm sendo trazidas a reencarnação em massa para a grande oportunidade de fazer escolhas melhores. E, é através do estudo sistemático do evangelho no lar, que os homens encontram um entrosamento maior com os apóstolos do bem.

20. causas anteriores dos sofrimentos

Já na UTI do hospital, onde a jovem estava internada, Artur ficou observando a filha acordar. Pouco a pouco, ela foi refazendo as lembranças. Passou a experimentar as sensações dos pulsos feridos. Apesar do mal-estar do pós-operatório, Noemi, sem a influência do seu algoz e amparada pelas energias fluídicas do pai, sentiu-se melhor.

No recordar da situação vivida, permitiu que a mágoa entrasse no coração. Foi o suficiente para ter idéias negativas, como a de lamentar por não ter morrido.

Artur, inspirou o médico, e este ao chegar aplicou um sedativo para que a menina descansasse. O Mentor, esclareceu que essa reação era esperada, já que Noemi não possuía ainda maturidade para reagir de forma positiva. A precipitação e a mágoa são causadores de muitos males. Eles desarticulam o sistema nervoso central, que sofrem a ação de diluentes de ordem mental, como por exemplo, os enfermos psicossomáticos.

O Guia espiritual, diante da situação passou a aplicar energias na área cerebral, liberando a consciência espiritual, agindo do mesmo modo na esfera psíquica da jovem que estava parcialmente desprendida. Como se estivesse em outra dimensão, Noemi despertou com o seu pai ao lado. Depois de se abraçarem, a jovem questionou o porquê de tanto sofrimento. Com serenidade e amor, seu genitor explicou que a dor não deve ser motivo para questionar a Bondade de Deus. E que neste caso, o gesto de fugir pelo suicídio, é uma das piores atitudes de rebeldia. Artur, esclareceu que Deus se manifesta ao homem, pela consciência de cada um, onde estão escritas as Suas leis. Mas, muitas vezes, por invigilância temos que repetir as mesmas experiências até superá-las. E Deus, com Sua misericórdia, permite contínuas oportunidades através das reencarnações. Por isso, é importante a fé religiosa racional e clara, mesmo que sob as mazelas da incompreensão, das dores físicas ou morais.

O Mentor Bezerra de Menezes, nesse capítulo, ajuda Noemi através do sono a se lembrar do passado.

A jovem então se recorda estar numa aldeia, em um casarão, onde vários cavaleiros discutiam uma vingança política. Uma dama de menos de 40 anos, sugere que o grupo seqüestre a filha de 8 anos do inimigo político, para que ele possa sofrer com a perda. A mulher é Noemi e a vítima seu obsessor. O homem odiado era Manuel Trindade, correligionário do Príncipe D. Miguel, do partido absolutista. No lamentável combate, Sr. Trindade morreu e a criança ao ser raptada também desencarnou em condições suspeitas. Já Noemi era uma dama de prestígio, que enviuvara, herdando uma grande propriedade. Soberba e egoísta, seduziu seu capataz e o estimulou a se livrar da esposa, mediante crime de que ninguém soube.

Só que a sabedoria das Leis, reúne todos os envolvidos do velho drama, afim de que se elevem, e pelo amor resgatem seus débitos.

Na vida atual, Candido foi o capataz e Enalda, a esposa assassinada.

Como a Providencia Divina não falha, Noemi receberá a visita do tio Agnaldo, que tomando conhecimento da tentativa de suicídio e desconhecendo os motivos, vai convidá-la para se recuperar em sua casa. A jovem é orientada pelo Mentor, a não detalhar os motivos para o ato cometido e a se desligar do marido, sem escândalos. A partir daí, cada um responderá pelas suas atitudes.

21. Rogativa e socorro

Neste capítulo, Dr. Bezerra de Menezes, explica que o Espírito de Manuel trindade também perseguiu os cinco adversários que lhe invadiram o lar, levando a filhinha. Porém, quando a viúva desencarnou, não foi obssidiada por ele, mas pela esposa de seu capataz, vítima de sua traição. O irmão Artur, que lhe fora pai em várias oportunidades, recebeu ela de novo como filha e também, prometeu amparo, à esposa assassinada, que reencarnou na condição de esposa e mãe de Noemi, a fim de que o amor maternal vencesse o ódio passado.

O mentor espiritual, encerrou esse assunto, assim que recebeu um pedido de emergência, feito por uma jovem que estava sendo encurralada por um grupo de doentes sexuais. Com o pensamento em Jesus e enviando uma alta carga vibratória sobre os agressores, o grupo atormentado não conseguiu mais conter a vítima. A jovem, por todo tempo em que ficou presa, suplicava ajuda de Deus. Em seguida, Dr. Bezerra, sintonizou com policiais que faziam ronda perto dali e em questão de minutos o carro policial chegou e todos foram detidos. Nesse episódio, Manuel Philomeno revelou, que o motorista da patrulha fez um comentário interessante. Ele informou que nunca entrava nessa rua, mas que de repente, escutou uma voz dizendo-lhe para que entrasse lá. A jovem depois de medicada e “inspirada”, garantiu aos policiais que tudo estava bem, e não havia a necessidade de prestar queixa, para q o grupo ficasse preso por mais tempo. Os prisioneiros ficariam apenas no cárcere, até o fim do carnaval.

O Guia espiritual da jovem, contou que ela retornava da visita a uma doente velhinha e solitária. Philomeno, então indagou, por que ela não foi livrada da agressão, já que estava em trabalho de caridade e envolvida pela força da oração? Sempre sereno, Dr.Bezerra explicou, que a prece nos imuniza contra o mal e dá forças para suportá-lo, mas não muda os nossos necessários processos de evolução. No caso em questão, a Irmã do bem, recebeu a resposta ao seu apelo, de forma positiva. Se livrou dos perturbadores e graças a aflição que viveu, anulou grandes sofrimentos que estavam porvir nas sua grade de evolução. Nesse momento de provação bem suportada, ela se liberou de largos testemunhos de dor.

Dr. Bezerra, afirmou que o “Amor anula os erros e pecados”. A jovem, venceu e não complicou a situação dos irmãos invigilantes, que não estavam no pleno uso da razão. E agora, o grupo poderá refletir sobre o ocorrido e ficar atento para não mais incutir no mesmo erro.

Manuel Philomeno, aprendeu também, que nenhuma rogativa honesta ao Senhor, fica sem resposta. Mesmo que não venha da maneira como se desejou, com certeza, será da forma melhor para o necessitado. O importante é pedir ajuda, sem orientar de como tem que ser a maneira do auxílio.

Quando o grupo socorrista já se encaminhava para retornar, uma senhora desencarnada pediu para que Dr. Bezerra auxiliasse a filha que acabava de desmaiar na rua. Depois de examina-la, o Mentor espiritual esclareceu que se tratava de uma forma bem suave de epilepsia. Ela necessita de cuidados neurológicos e de atendimento espiritual. O médico que atendeu a ocorrência foi inspirado pelo Mentor, para que o diagnóstico fosse aclarado sem maiores problemas. Ao liberá-la, o médico recomendou repouso e alguns exames para identificar o tratamento mais apropriado. Ele sugeriu também, que a paciente buscasse ajuda num Centro Espírita bem orga-nizado. Porém, o médico, fez questão de esclarecer que não possuia nenhuma religião, apenas tinha pacientes com o mesmo problema, que conseguiram ótimos resultados com a ajuda espiritual. Dr. Bezerra, encerrou com o seguinte comentário: "E' melhor, às vezes, lidar com quem diz não ter religião e ama o próximo, servindo-o, do que com aqueles que se dizem religiosos, não amando o próximo e explorando-o".

RESUMO FEITO POR ANA PAULA ROCHA * FAVOR MANTER OS CRÉDITOS

22. Atendimento coletivo

O capítulo aborda a Misericórdia Divina acolhendo e ajudando os encarnados, apesar de muitos desperdiçarem a oportunidade.

O socorro espiritual se dava através de mensagens de paz enviadas aos postos de emergência via centro de comunicação.

A leitura do texto reforça a visão da vida como um conjunto de experiências e fatos para o enobrecimento em plenitude.

Apresentam-se como características dos períodos carnavalescos: a comprovação que muitos preferindo fruir agora sem pensar no depois, desperdiçam os melhores recursos da vida, imprevidentes, esquecem os investimentos morais que propiciam resultados permanentes. Os gozos indevidos, apressados, acabam representando prévias das frustrações que virão mais tarde, inevitáveis; os atos de loucura que muitas vezes terminam em homicídios ou suicídios.

Eram atendidos muitos desencarnados nas enfermarias do posto, alguns eram daqueles dias de carnaval, e outros ali trazidos para socorro, após largo tempo de sofrimento sem entender o que lhes ocorrera. Manoel Philomeno examinava com o Dr. Bezerra os en-fermos ali albergados, e percebeu que um sentimento de amor espontâneo e gratidão sem alarde. Chamou-lhe a atenção, numa ala, um homem que, embora medicado, gritava muito, tentando segurar o próprio ventre, onde havia sinais de enorme hemorragia. Era uma vítima de homicídio cruel. Estava passeando com a esposa e a filha, observando os desfiles de blocos, quando dois mascarados passaram da brincadeira sem consequências à sistemática perseguição à moça e à senhora, sem nenhum respeito pela família. A princípio ele tolerou a intromissão dos foliões, mas como se os excessos tomassem seu corpo, reagiu verbalmente, gerando o atrito, tendo como consequência o seu assassinato.

Um dos mascarados esfaqueou-lhe o ventre, quase estripando-o. Após o crime covarde, os bandidos fugiram. Alguns trabalhadores do Posto pressentiram a tragédia, mas nada puderam fazer, por falta de resposta mental à suas induções, que sugeriam se afastassem dos desordeiros ou recorressem à Polícia. Dr. Bezerra examinou o paciente e transmitiu-lhe recursos pacificadores.

O Benfeitor informou que: "O irmão, que ora visitamos e aqui se hospitaliza, poderia ter evitado o acontecimento, que fazia parte do seu programa cármico, não em tais ou quais circunstâncias. Os seus compromissos negativos propunham-lhe o retorno ao Mundo Espiritual sob acerbas aflições... Isto, porém, poderia ocorrer mediante acidente, enfermidade longa, homicídio, de acordo com a forma como aplicasse a vida, gerando dividendos de paz ou de sombra..." E acrescentou: "Não pretendendo fazer um balanço dos atos do próximo, consideramos que a impetuosidade, que gera violência, quando mal canalizada, responde por muitos males. Evitar-se discussão e não passar recibos a desaforos, agressões de qualquer natureza, não revidar males, são receitas de felicidade, às vezes, oferecendo medicação de sabor amargo, quase intragável, no entanto, de resultados excepcionais".

O autor apresenta nosso planeta como um educandário e a trajetória dependerá de cada um de nós. Salienta que ganha na vida quem apresenta comportamento de servir, ceder e perder.

Dando continuidade aos trabalhos, Dr. Bezerra convida Manoel P. de Miranda a participar de nova tarefa. Levariam atendimento a grande número de sofredores fixados em região de punições, em área próxima do Posto. O grupo de socorro seria expressivo, levando consigo redes especiais, padiolas e maletas com produtos farmacêuticos e instrumentais para emergências médicas. Eles adentraram-se numa região que o autor do livro chama de "reduto do horror". Com psicosfera difícil, via-se um local sombrio e pantanoso onde o único som eram gritos e gemidos. Muitos solicitavam socorro aos benfeitores.

Os socorro se dava com lançamento de redes que são feitas de substâncias retiradas do fluido cósmico, são fortes, mas também delicadas. Elas registram as irradiações mentais daqueles que as tocam. Se o peso específico da sua exteriorização psíquica é negativo, elas se diluem, caso contrário, enrijam-se." E o Mentor disse: "Ninguém ludibria as Leis. Em todo lugar, nem todos que requerem amparo desejam-no, realmente. Às vezes querem-se liberar de situações que lhes desagradam, sem que mudem de comportamento. Choram e sofrem, mas não pretendem a transformação interior, necessitando de aprendizado penoso para que se modifiquem as estruturas íntimas do ser, quando se capacitarão para o renascimento em si mesmos".

O resgate foi longo, a extensão desta área abrangia uma penitenciária e região de crimes hediondos.

23. Trama na treva

O capítulo relata que espíritos liberados ficaram nas densas faixas dos círculos vibratórios da crosta terrestre. Alguns sofredores recolhidos das faixas de desespero foram acolhidos no Posto de Socorro para o início de um novo recomeço.

Manoel P. de Miranda lembra-nos que a mente plasma no fluido cósmico que servirá de suporte para queda ou evolução espiritual.

A nossa sintonia é a lei da vida – intercâmbio vibratório – e que através do tônus psíquicos superiores teremos comunicações elevadas: construção da paz e comunicação de espíritos elevados com almas afins. “Em lugares onde o comportamento mental é pernicioso, idêntico em muitas pessoas pela gama de interesses vividos, surgem redutos de incúria e sofrimento espiritual, que se ampliam de acordo com a continuidade das exteriorizações psíquicas, o volume e o teor delas. E a recíproca é também verdadeira: onde se concentram tônus psíquicos superiores, abrem-se vias de comunicação com as Esferas elevadas, surgem construções de paz e Espíritos benignos convivem com as almas que se lhes afinam. E' que a sintonia, no Universo, como a gravitação, é lei da vida. Vive-se no lugar e com quem se deseja psiquicamente, mesmo que não o fruamos fisicamente. Há um intercâmbio vibratório em todos e em tudo, respondendo pela harmonia universal.”

Na manhã de quarta-feira, o carnaval chegava a seu clímax. Dr. Bezerra sinaliza a cilada de Espíritos menos esclarecidos para prejudicar encarnados invigilantes, dois casais de foliões, adeptos do Espiritismo, quando retornassem a seus lares. O objetivo do líder do grupo trevoso era levá-los à morte num acidente que eles criariam. Os dois casais, iniciantes na Doutrina Espírita, não eram pessoas viciadas, eram apenas invigilantes. Brincavam conforme os padrões da época, sem perceberem os riscos desnecessários que se expunham.

Otávio era médico dedicado e Júlia, sua esposa, iniciava-se no campo da mediunidade. Marcondes era engenheiro civil e sonhava em realizar uma obra social de amparo ao menor, idéia que fascinava também sua esposa, Raulinda, recém-formada em Serviço Social.

Ocorria com Júlia o que normalmente acontece com os médiuns iniciantes, que podem servir de instrumento das Entidades esclarecidas,como dos portadores de perturbação, os quais é mais fácil a sintonia mental.

Iniciando-se a educação mediúnica ocorrem sempre ações tormentosas. O espírito que se endivida possui muitos compromissos a resgatar.

“Cobradores invisíveis sitiam-lhe a casa mental, criam-lhe armadilhas e situações difíceis, predispõem mal aquele que os sofrem e cercam-no de incompreensões... E' um calvário abençoado”,assevera Philomeno.

Na fase inicial do exercício da mediunidade devemos exercer um período de testemunhos silenciosos, em que a oração, o estudo e a meditação fazem-se indispensáveis para resguardar o iniciante.

O exercício da mediunidade requeratenção e disciplina íntima, perseverança e assiduidade, estudo cuidadoso da Doutrina, da faculdade e de si mesmo. Espírito responsável faz conexão com médiuns levianos, indisciplinados e vulgares.

Concluindo suas considerações em torno da responsabilidade dos médiuns, Manoel P. de Miranda é incisivo: "Qualquer médium que fuja do estudo e do exercício correto das suas faculdades medianímicas, por mais empáfia com que se apresente, encontra-se em período de obsessão, sob comando equívoco... Permanece-lhe, quiçá, a mediunidade para o seu e o escarmento dos que afinem com tal disposição, no entanto, sob comando maléfico ou simplesmente alienado..." Júlia, que ainda não se firmara na gravidade da adoção do comportamento espírita, embora fosse pessoa de excelentes dons morais e culturais, havia pressentido que muito na sua vida, a partir de então, iria mudar, como de fato ocorre. Quem se acostuma com a beleza das paisagens ridentes e elevadas já não se adapta aos antigos sítios donde procede... Por isso, sob indução dos Espíritos que tramavam o ataque aos dois casais, ela havia sugerido aos amigos: "Divirtamo-nos a valer. Será nossa despedida do Carnaval, já que nos encontramos no pórtico de uma vida nova, a fim de não ficarmos, no futuro, frustrados. Teremos recordações agradáveis, que nos darão alegrias..." E foram ao Carnaval, tal como os perturbadores queriam e esperavam, porque no ambiente convulsionado da orgia a médium terminaria por assimilar altas cargas de fluidos perniciosos que lhe perturbariam o equilíbrio, tornando-se fácil presa de situações e influências nefastas. Os desafetos, em número de seis, reuniam-se em reduto próprio  a ruína de uma casa dedicada à jogatina e ao comércio carnal. Faziam-se dirigir por cruel ser, de terrível catadura, como os demais, que vociferava contra seus adversários. Ele expôs seu plano: "E' do meu desejo alcançar um casal, deixando o outro, que cair junto, por conta de vocês". "Irei utilizar-me de Júlia, que vocês conhecerão, atirando sobre ela um maníaco sexual, embriagado, para gerar confusão... Antes, inspirá-la-ei à bebida, a absorver o agradável odor do lança-perfume, para aturdi-la. Enquanto ela se entrega à libação, atuarei sobre Otávio, que relutará , cedendo aos apelos da mulher amada. O amor dessa gente é ótimo veículo para os nossos planos." Sorrindo sarcasticamente, acrescentou que, ao ser atacada pelo maníaco (que não seria difícil encontrar no ambiente), seria instalada a confusão, a degenerar-se em discussão e agressividade. Ele faria, então, com que os quatro saíssem precipitados, quando então se daria o acidente que lhes tiraria a vida... "Com a mente desarvorada sob a ação do ódio tomá-lo-ei, arrojando o automóvel contra qualquer outro veículo, ou edifício, árvore ou abismo, o que me parecer melhor. Então os teremos..."

Os adversários estavam eufóricos e prontos para dar continuidade aos plano, quando Dr. Bezerra, tornou-se visível, o que lhes causou desagrado e revolta, e disse: "Irmãos já é tempo de cuidardes da vossa paz..." O chefe da turba protestou: "Não o escutem. Ele é conhecido como perturbador dos nossos planos e serve do outro lado da linha..." (A Entidade referia-se à "linha do bem", que distingue os propósitos de cada qual.) Dr. Bezerracontinuou: "Não desejo interferir nos vossos planos, que vos pertencem. Ocorre que soa o momento de encontrardes a vossa paz. O desequilíbrio é ácido a queimar quem o transporta..." (O sicário, querendo livrar-se, convocou os demais a saírem, mas estes , graças à irradiação de bondade do Mentor, pareciam imobilizados, ouvindo-o.) "Examinai", continuou Dr. Bezerra. "Tendes sofrido muito até hoje, sem qualquer resultado; assim ocorre, porque o desejais. Revoltai-vos contra quem vos magoou e repetis o mesmo erro deles, que se rebelarão e volverão à cobrança. Até quando?... Só o amor ao próximo como a vós mesmos solucionar a dificuldade. Tende amor a vós mesmos, pensando em vosso progresso, na libertação do mal que teima por dominar-vos e, superada essa fase, o amor se dilatar na direção do vosso próximo. Não amanhã, porém, agora, neste momento. Jesus espera por nós, amoroso, sem qualquer exigência."

"Veneno com veneno mata mais. Só o antídoto da vingança, que é o perdão, liberta a vítima e felicita o cobrador. Aproveitai. Estamos convosco. Vinde à paz. Amigos nossos estão às vossas ordens". Nesse momento, um cooperador do Dr. Bezerra que fora sacerdote naquela cidade, atendendo ao convite mental do Amigo, aproximou-se e estendeu as mãos aos sofredores que o contemplavam, sem saber o que dizer ou fazer. "Frei Arnaldo!" E, subitamente dominado por emoções há muito represadas, tombou de joelhos, a suplicar: "Confessai-me, que sou um desventurado, a fim de que possa alcançar o perdão de Deus e consiga rever minha mãe..." O sacerdote lhe recomendou confessasse ao Senhor e se arrependesse sinceramente, quando Dr. Bezerra trouxe amorosa anciã que o abraçou comovida, dizendo: "O Senhor ouviu as nossas preces, meu filho..." Sem delongas, ele se atirou em seus braços como se fora uma criança indefesa, a chorar, e os demais cederam ao apelo e pediram ajuda, sendo todos conduzidos ao Posto do Socorro. O grupo de espiritistas estava salvo da trama infeliz.

24. Os serviços prosseguem


Os serviços seguiram orientados pelo Mentor que determinava o lugar. A construção principal seria o núcleo de emergência e o centro de treinamento.

A ação do amor era constante, mesmo com a psicosfera densa. A cidade em recuperação da exaustão agradecia a Jesus a etapa concluída através de orações coletivas.

Dr. Bezerra ressaltava: lições salutares e o cumprimento do dever fraternal (muito por fazer) além da libertação provocada pela iluminação inteira através dos recursos do amor.

Ressalta que a transformação do mundo e reforma intima se darão através da transformação moral e espiritual do homem. Não haverá resistência! Todos oravam e agradeciam ao Benfeitor.

A equipe ficou reduzida para os próximos atendimentos especiais com as visitas às enfermarias.

Foram fazer o atendimento a Ermance que necessitava de repouso profundo e para serenar. O desespero dos familiares ocasiona ruídos, mandando a moça vibrações ruins.

Lembraram a importância da meditação e os malefícios das palavras levianas. .

Providencias foram tomadas para a visita especial a Julinda.

25. Técnica de libertação

Nesta etapa a equipe teve ajuda do Dr.Figueiredo no caso Julinda (dopada/alta dose de antidepressivos). Ela é observada por Elvidio. Teve Ricardo como obsessor em razão do remorso, e a ideia de loucura que a afligia pelo aborto.

Julinda contava com a prece (vibração poderosa) de sua mãe e passes do Dr. Bezerra, protegendo-a da ação do perseguidor.

A percepção dos agressores era possível, dado a nossa faixa vibratória.

Elvidio mantinha-se afastado observando Ricardo, olhando a presa com cólera.

Ricardo foi conduzido psiquicamente a Casa Espírita e atendido por Genésio Duarte para uma sessão mediúnica.

Na Casa Espírita, com médium Jonas e Irmão Arnaldo, Ricardo passa por explicações quanto à felicidade, paixões infelizes e exercício da vontade. Este se colocou de maneira agressiva quanto a Jonas, porém os atos de violência e vulgaridade não tiveram prosseguimento, visto que Jonas era um médium disciplinado.

Ressaltaram a importância de o grupo ter estrutura e suporte doutrinário e através da moral evangélica.

Dr. Bezerra manteve controle e Ricardo liberou-se sob a força da imantação. A etapa inicial teve êxito.

26. Considerações e preparativos

Ricardo apresenta outra vibração e psicosfera; surge a possibilidade de ser amado na condição de filho de Julinda, que era protegida pela sua genitora e tinha a afeição do esposo Roberto.

Ricardo caíra em sono profundo previsto pelo Mentor, o que ocasionou catarse inconsciente.

A Instituição possuía atendimento de ambos os lados da vida.

O Irmão Genésio esclareceu que o médium Jonas tinha questões quanto a sua sexualidade, e nesta encarnação, rogou a oportunidade de vir eunuco, para não falhar novamente na missão estipulada no plano espiritual.

Julinda e Ricardo seriam esclarecidos quanto as suas dívidas passadas e o porquê de não se suportarem.

Ocorreu preparação psíquica e consolidação do ambiente. Ressaltaram (no texto) a importância da preparação dos médiuns devido ao natural desgaste de suas forças.

Mencionam o uso de meios de comunicação (TV) trazendo mensagens que não são captadas com facilidade e prejudicam os encarnados.

Terminam o capitulo focando a importância dos participantes da reunião permaneceram no clima de paz e oração.

RESUMO FEITO POR MARIA SILVIA BORESTEIN * FAVOR MANTER OS CRÉDITOS

27. Mergulho no Passado

"Em qualquer observação, guardemos a postura intima da piedade cristã, em relação ao próximo".

"Todos somos necessitados do auxilio do Senhor, seja qual for à faixa evolutiva, em que transitemos".

Hora da reunião:

Estavam reunidos a mãe (Angélica), o pai desencarnado (Juvêncio), o marido (Roberto) e Julinda. Julinda despertara atônita, devido ao seu grau de perturbação, e via Dr. Bezerra como um juiz e pedia perdão.

Ricardo percebia que estava sendo controlado e desta forma estava agressivo e revoltado, querendo vingança.

Dr. Bezerra falou que aquela reunião era para ajudar Ricardo e não para condená-lo.

Sentado em uma cadeira a frente do semicírculo estava o médium Jonas, que se concentrava, enquanto entrava uma maca contendo um espírito com o periespírito bem afetado, com características semelhantes a um chimpanzé (zoantropia).

O espírito se acoplou ao médium e este passou a ter os seus caracteres.

Apenas Ricardo conseguia identificar o estado desse espírito, Julinda e os demais não percebiam totalmente o seu estado.

Então, Dr. Bezerra começa a falar com o espírito, diz que chegou ao fim o seu sofrimento, que a misericórdia Divina sempre ampara a todos, que uma nova etapa em sua vida irá re começar, que o perdão e o amor devem sobrepor o ódio e a vingança.

O espírito, em sua forma animal, fica descontrolado e o seu ódio acentua quando Ricardo é colocado frente a ele, e este não entende o que aquele “animal” tem contra ele.

Dr. Bezerra esclarece que esse espírito foi um irmão que Ricardo havia levado ao ódio e desespero, e que Ricardo não devia se sentir injustiçado por Julinda. Ele havia deixado esse irmão tombar no caminho, impondo-lhe a dor, e que agora não poderia prosseguir sem ajuda-lo a sair dessa situção.

Ricardo não queria ajudar, até que Dr. Bezerra o fez relembrar da sua existência com esse espírito.

Ano de 1722, Goiás, Antonio um fazendeiro resolve levar em sua viagem um casal de escravos jovens , Manoel e Joana (resgate adquirido na Inglaterra preconceituosa). Manoel suplica que a sua esposa fique para que ela possa cuidar de seus três filhos, porém Antonio além de não se comover, manda chicoteá-lo e o coloca de castigo.

Antonio além de humilhar, tenta seduzir Joana, quando esta vem implorar pela vida de Manoel. Porém, Antonio não consegue concluir seu plano devido a presença de sua esposa, Maria Joaquina, sempre magoada e sofredora com as humilhações impostas pelo marido.

Manoel morre depois de muito tempo exposto e Joana acaba enlouquecendo em uma semana. Maria Joaquina por compaixão cuida de Joana.

Cento o cinquenta anos depois, renasce Manoel (Alfredo - o espírito transfigurado) como irmão de Antonio (Ricardo) e Maria Joaquina (Julinda) vem como esposa de Manoel e sua mãe como Joana (D.Angelica). Manoel reencarnara com Maria Joaquina como uma forma de agradecer a protetora de sua esposa.

Os dois irmãos se detestavam. Antonio ao rever Maria Joaquina, apaixona-se e mata o irmão, que jura vingança. Durante o processo de desencarnação vem a lembrança das suas mortes terem sido causadas por Antonio e, todo esse ódio fez com que ele se transfigurasse nessa forma de animal.

Após a morte de Manoel, Antonio mesmo sem amar Joana e tendo sua mãe contra, se casa. O casamento acaba fracassando, principalmente quando Antonio durante um momento de embriaguez confessa o crime. Joana não consegue perdoá-lo e magoada, sobre a influência de Manoel desencarnado, o asfixia durante a noite.

Neste momento, Julinda transtornada, começa a gritar, dizendo que odeia Ricardo, que o mataria mil vezes e que não iria permitir que ele nascesse como seu filho.

Dr. Bezerra diz: “É necessário que alguém perdoe, a fim de que se recomece na marcha do progresso, na busca da paz”. Todos estão se esforçando por você, Julinda. “Não malbarates o esforço de tantos, por capricho da mágoa que não se justifica, arruinando todas as esperanças de paz, num momento que poderá alongar-se por séculos de sofrimento sem limite, caso persistas negativa”. Julinda chora e diz que tem medo, porque não suporta a presença de Ricardo. “Concede-lhe a oportunidade de redenção, a fim de que ele te faculte a benção da paz. O teu gesto socorrerá Alfredo, que te inspirou ternura e agora encontra dominado por terrível deformação. O amor é luz que suplante toda sombra, e medicamento para os males. Serás mais feliz se facultares socorro, amparando-te no amor gentil que liberta”.

As palavras de Dr. Bezerra e sua irradiação ajudam Julinda ceder. Além disso, sua mãe D. Angelica, relembra que ela teve piedade com Joana, que não poderia recusar de ter por Ricardo (Antonio), o algoz, nem a Alfredo (Manoel), que tinha sido seu companheiro.

Julinda com a ajuda de seu marido Roberto e de sua mãe D.Angelica, iria receber Ricardo como filho e em seguida Alfredo para ser seu irmão. E a paz estabeleceu com os três.

28. Os trabalhos de recuperação

Dr. Bezerra explica a Ricardo sobre a Lei de Causa e Efeito “o olho por olho e dente por dente, antiga lei de Talião, foi substituída pelo amor que cobre a multidão de pecados, com que Jesus nos mostrou a vitória sobre o mal pela ação contínua do bem”.

Revelou a Ricardo que o seu sentimento de raiva e magoa, durante a sua reencarnação, foi sentido por Julinda, que preferiu abortar a conviver com ele. Caso Ricardo continuasse a ferir Julinda, maltrataria Roberto, que não tinha culpa nenhuma, assim como D. Angélica, que mesmo perseguida por ele, perdoou e queria ajudá-lo. E Alfredo que foi perseguido por ele duas vezes e que caiu por sua culpa.

Desta forma, Alfredo virá como seu irmão, mais tarde, apresentando graves limitações orgânicas, solicitando o seu amparo e compreensão, assim como Lucinda, que recuperará o mal que te fez, sofrendo por amor ao filho frágil e dependente.

“o ódio é o amor enfermo e a vingança é a loucura do amor”.

O amor de D. Angélica e de Roberto fará que sejam menores as suas dores, ressarcindo, no afeto, diferenças antigas do equilíbrio comportamental.

Pela ação do passe magnético do Dr. Bezerra e dos efeitos do intercâmbio com Jonas, Alfredo começou eliminar substâncias secundárias, as ideias pessimistas e deprimentes, que gerou essa forma-pensamento que lhe era imposta, uma forma de obsessão por subjugação deformadora.

Dr. Bezerra pediu que Alfredo esquecesse o mal, desligando do ódio e pensando na energia da gratidão. “Não sofreste o golpe da escravidão sem a presença da culpa; não passaste pela traição familiar, sem que estivesse incurso no processo do sofrimento. Houvesses procurado entender e seria diferente a situação. Serias tu a quem agora auxiliaria”. Alfredo compreendeu, recebeu o abraço de Joana (D.Angélica) e adormeceu.

Após uma oração, todos retornaram aos seus lares.

“o amor deixa de ser a escravidão pelo desejo, a fim de transformar-se na libertação pela felicidade”.

29. Mecanismos de recuperação

D. Angélica acorda com algumas lembranças do sonho que teve e ao falar com Roberto, descobre que ele havia tido um sonho parecido. Ao comentar com sua amiga espírita, Cibele, esta explica que esse sonho foi real, foi um desdobramento.

“a dor tem uma função especial na vida de todos nós, e tudo quanto nos acontece é sempre para o nosso progresso e crescimento espiritual”.

Durante aquele dias todos estavam bem. Ao se encontrarem, Roberto disse que havia sonhado com a sogra, Julinda, um médico, e outras pessoas que falavam de um aborto que a moça havia sofrido, o que ambos não acreditavam. Assim como, havia um ser animalesco, que foi indicado que seria seu filho.

Enquanto isso, Dr.Bezerra foi visitar Julinda, sendo recebido por Dr. Figueiredo, que aguardava o médico psiquiatra, Dr. Alberto, que veio ver Julinda,

Dr. Alberto tinha como objetivo nessa reencarnação, desenvolver programa com outros estudiosos do Espiritismo e da Psiquiatria, em favor das pessoas enfermas da mente, com problemas obsessivos e outros.

Ao examinar Julinda verificou, que apesar da tristeza, havia sinais de recuperação.

Dr. Bezerra colocou a ação da obsessão que coloca o indivíduo nas fronteiras da loucura.

A pessoa por entrar na quebra das leis do equilíbrio, padece, simultaneamente, da ação de seus desafetos, desequilibrando, mais ainda, a mente.

“Na medida em que o homem avance em conquistas morais, diminuirá as provações e expiações...porém carente de amor e de equilíbrio emocional”.

Ao poucos, Dr. Bezerra foi dissolvendo as energias negativas condensadas no quarto de Julinda. Depois, Juvencio convidou os dois vigilantes a irem embora, que agora outro comando estaria ali. Imediatamente, surgiram vários delinqüentes, em atitude ameaçadora.

Dr. Bezerra amorosamente, falou que Ricardo mudara de planos e comportamento, estava em recuperação moral e espiritual. Apesar de irritados, todos foram embora.

Nos processos da desobsessão passam despercebidas as atividades no mundo espiritual. É preciso muita oração, vigilância e caridade. A contínua sintonia ente os encarnados e os Bons espíritos, mentalmente e moralmente, decorrem os resultados favoráveis a terapia anti-obsessiva.

“Dessa foram, a prece é o mais eficiente recurso, auxiliando na liberação de fluidos que são impostos ao doente pela força telepática e pela ação contínua do adversário. Gerando vibrações de alto teor, a prece modifica a paisagem psicofísica, não somente de quem padece a alienação obsessiva, quanto ao agente causador, ao longo prazo, despertando-os para realidades novas, a que recusam a se submeter, caso as transformações não lhes ocorra antes. E mesmo assim , ela é um mecanismo de libertação por diminuir as cargas tóxicas que são geradas pela mente em desequilíbrio”.

“Orai uns pelos outros, afim de que sareis, porque a prece da alma justa muito pode em seus efeitos”. (Tiago cap.V ver.16.)

30. Reencontro feliz 

Dr. Alberto permite a visita da mãe e do marido de Julinda, que sem a presença de Ricardo, renovara-se mentalmente. Roberto consolou e acalmou a esposa.

"A lamentação e portadora de miasmas que deprimem a pessoa e intoxicam o paciente, mantendo-o em área de pessimismo”.

A confiança e a coragem, o perdão e a fé, a humildade e paciência, são técnicas de ação moral, que soa excelentes processos de preservação do equilíbrio emocional.

A boa palavra dita com entusiasmo faz com que seja liberada a endromina, que bloqueia a dor. No entanto, a carranca na face e o amargor, denotam desconforto interior, desajuste emocional. O pensamento é força que estrutura e modela formas, interferindo em áreas muito mais amplas.

Dr. Bezerra aplicou uma indução mental em Julinda e esta inspirada, relatou a falta que cometera - o aborto. A mãe e o marido após o susto acolheram e perdoaram Julinda. Esta, falou que a mudança de atitude ocorreu após um sonho que tivera.

"O crime oculto e cruel, enquanto fica em silêncio, soterrado na consciência".

"A grande parte do êxito nos processos obsessivos, depende do próprio doente, após receber a ajuda superior, que o predispõe ao entendimento da problemática e ao discernimento das responsabilidades".

Julinda era de um temperamento difícil e por passar por obsessões periódicas, adaptou-se a situação rebelde. Após o encontro espiritual e os seus benefícios, passou a avaliar a vida de outra forma, desejando alcançar a saúde, facilitando, assim, a ação da fluidoterapia aplicada pelo Dr. Bezerra.

Cibele (amiga espírita da D. Angélica) foi visitar a amiga e levou o presidente da Casa Espírita que frequentava, Armando, inspirada pelo D. Bezerra.

Todos estavam reunidos, quando Roberto contou para Armando tudo o que aconteceu com a sua esposa e pediu a sua opinião. Ele disse que “todos os problemas que afligem a criatura, dela própria procedem". Durante o desenvolvimento espiritual, nos comprometemos com o mal, gerando dívidas, que só serão aliviadas pelo sofrimento e testemunho de arrependimento. Surge, dessa forma, o caso da obsessão, devido à inferioridade moral.

As obsessões decorrem de faltas cometidas pela vitima atual, em outras oportunidades, que não foram reparadas. A culpa instala uma tomada psíquica no devedor, que lhe permite receber o plug do seu desafeto, consciente ou inconscientemente, dando inicio ao intercambio entre os envolvidos. Nos casos mais graves, a ação do pensamento malévolo do obsessor sobre a mente do obsedado, desgasta o perispirito, levando a loucura ou alienação, deformidades mentais, enfermidades.

“O homem é o autor do seu destino e que, em qualquer processo de evolução, pelo trabalho e redenção na dor, há sempre interferência dos adversários desencarnados, que aumentam a prova do incurso no resgate, quanto à inspiração e a ajuda dos Bons Espíritos, que a todos nos amparam, auxiliando-nos na ascensão, quando permitimos sintonia com eles, atendendo-lhes as inspirações e diretrizes".

A ação dos Bons Espíritos não ocorre apenas nas reuniões espíritas, mas também por uma prece com amor, um pensamento de piedade ou de real interesse por alguém, uma atitude socorrista, um gesto de bondade, ou seja, ações dignas.

O sonho é uma forma de morte breve permite o contato continuo com o mundo espiritual, porém nem sempre guardamos a lembrança do que sonhamos, ou porque não convém lembrar ou pela condição material grosseira.

Durante o sono, o espírito se desprende parcialmente da matéria, suas percepções e faculdades se ampliam, e parte para encontrar com pessoas ou lugares onde gostaria de estar. Tem a oportunidade de trabalhar ao lado dos benfeitores, nem sempre lembra do que ocorreu e do sucesso de que participou.

Por que Deus permite a obsessão?
Quando alguém desrespeita as Leis Divinas, tomba, assim, irá reequilibrar-se através de ações edificantes ou através do sofrimento. Tudo isso, seria desnecessário, tendo em vista os recursos naturais de que a vida dispõe para disciplinar e reeducar. Precisamos apenas aprender a perdoar, não existem vítimas nem algozes, se hoje somos feridos é porque ontem ferimos outra pessoa. O caminho é o PERDÃO.
Os crimes passam ignorados pela lei humana, porém jamais são esquecidos pela CONSCIÊNCIA pessoal e cósmica daquele que cometeu.

Ao termino dos esclarecimentos da noite, Arnaldo recomendou que D.Angelica tivesse para leitura O Livro dos Espíritos e utilizasse o Evangelho Segundo o Espiritismo para reflexão sobre a vida.

31. Retorno ao lar

Durante a internação, Julinda continuava a receber a fluidoterapia e devido ao afastamento de Ricardo, a sua paisagem mental foi modificando, foi tornando mais otimista. Porém, o efeito duradouro de todo esse tratamento dependeria de seu esforço, de suas atividades mentais e de sua conduta moral.

A caridade do caminho da paz e ao lado do conhecimento faz-se a fonte abençoada da auto-iluminação.

Já em casa, após 40 dias de tratamento, a moça, disse que quando estava grávida, o ficou desesperada, se sentia ameaçada por um homem, e que sentia que era algo do passado. Um sentimento de revolta contra a criança a fez abortar e tudo só piorou, levando-a a loucura.

Só depois que sonhou com um ser angelical, arrependeu-se do aborto e predispôs-se a maternidade.

Inspirada por Dr. Bezerra, D. Angélica, disse que após iniciar a leitura do Livro dos Espíritos e o Evangelho Segundo o Espiritismo, ela e Roberto adquiriram uma compreensão melhor, sobre o ocorrido em sua família. E nesse momento, leu o capítulo "Amais os vossos inimigos", do Evangelho.

Os irmãos inimigos são apenas ignorantes, cegos no seu ódio e vingança. Nós devemos ter CARIDADE para com eles, que esta não só impedira deles praticarem o mal, mas também os conduzira ao caminho do Bem, contribuindo para a salvação deles.

E a reunião terminou com uma oração.

No domingo seguinte todos estavam reunidos, Julinda, Roberto, D. Angélica, Arnaldo, Cibele e o esposo e os Benfeitores espirituais. Depois de vários assuntos discutidos dos ensinamentos espíritas, Arnaldo fez uma prece.

Todos agora tinham a Doutrina Espírita como PORTO SEGURO para condução no caminho do bem e de evoluição.

RESUMO FEITO POR DEBORA LOURES * FAVOR MANTER OS CRÉDITOS




ESTAMOS DE VOLTA!

Olá amigo de ideal espírita, depois de um período, retornamos com nosso estudo de livros espíritas. Agora em novo formato e muito mais inter...