sábado, 28 de abril de 2012

EM PLENA PROVA

Aguardas a melhora que parece tardia...


Suspiras em vão pelo amigo ideal...

Anseias inutilmente pela concórdia doméstica...

Clamas debalde pelo socorro em serviço...

Todavia, mesmo nos transes mais duros, espera com paciência.

Ontem devastamos lares alheios.

Hoje é preciso reconstruí-los.

Ontem traçamos caminhos de lodo e sombra aos pés dos outros.

Hoje é preciso purificá-los.

Ontem retínhamos sem proveito a fortuna de todos.

Hoje é preciso devolvê-la em trabalho, acrescida de juros.

Ontem cultivamos aversões.

Hoje é preciso desfazê-la em trabalho, acrescida de juros.

Ontem cultivamos aversões.

Hoje é preciso desfazê-las, a preço de sacrifício.

Ontem abraçamos o crime, supondo preservar-nos e defender-nos.

Hoje é preciso reparar e solver.

Ontem cravamos no próximo o espinho do sofrimento.

Hoje é preciso experimentá-lo por nossa vez.

Se sobes calvário agreste, irriga em suor e pranto a senda para o futuro.

Qual ocorre ao enfermo que solicita assistência adequada antes da consulta, imploraste, antes do berço, a prova que te agracia.

Aspirando a sanar as chagas do pretérito, comissionaste o próprio destino para que te entregasse à existência o problema inquietante e a frustração temporária, o embaraço imprevisto e a trama da obsessão, o parente amargoso e a doença difícil.

Não atraiçoes a ti mesmo, fugindo ao merecimento da concessão.

Milhares de companheiros desenleados da carne suplicam o ensejo que já desfrutas.

Mergulhados na dor maior, tudo dariam para obter a dor menor em que te refazes.

Desse modo, quando estiveres em oração, sorvendo a taça da angústia, na sentença que indicaste a ti próprio diante das Leis Divinas, roga a bênção da saúde e a riqueza da paz, a luz da consolação e o favor da alegria, mas pede a Deus, acima de tudo, o apoio da humanidade e a força da paciência.

Emmanuel

(Do livro: Religião dos Espíritos – Página. 211 – Francisco C. Xavier - FEB)

DEMONSTRAÇÕES DO CÉU

"Disseram-lhe, pois: que sinal fazes tu para que o vejamos, e creiamos em ti?" –(João, 6:30.)

Em todos os tempos, quando alguém na Terra se refere às coisas do Céu, verdadeira multidão de indagadores se adianta pedindo demonstrações objetivas das verdades anunciadas.

Assim é que os médiuns modernos são constantemente assediados pelas exigências de quantos se colocam à procura da vida espiritual.

Esse é vidente e deve dar provas daquilo que identifica.

Aquele escreve em condições supranormais e é constrangido a fornecer testemunho das fontes de sua inspiração.

Aquele outro materializa os desencarnados e, por isso, é convocado ao teste público.

Todavia, muita gente se esquece de que todas as criaturas do Senhor exteriorizam os sinais que lhes dizem respeito.

O mineral é reconhecido pela utilidade.

A árvore é selecionada pelos frutos.

O firmamento espalha mensagens de luz.

A água dá notícias do seu trabalho incessante.

O ar esparge informações, sem palavras, do seu poder na manutenção da vida.

E entre os homens prevalecem os mesmos imperativos.

Cada irmão de luta é examinado pelas suas características.

O tolo dá-se a conhecer pelas puerilidades.

O entendido revela mostras de prudência.

O melhor demonstra as virtudes que lhe são peculiares.

Desse modo, o aprendiz do Evangelho, ao solicitar revelações do Céu para a jornada da Terra, não deve olvidar as necessidades de revelar-se firmemente disposto a caminhar para o Céu.

Houve dia em que a turba vulgar dirigiu-se ao próprio Salvador que a beneficiava, perguntando: – “que sinal fazes tu para que o vejamos, e creiamos em ti?”

Imagina, pois, que se ao Senhor da Vida foi dirigida semelhante interrogativa, que indagação não se fará do Alto a nós outros, toda vez que rogarmos sinais do Céu, a fim de atendermos ao nosso simples dever?

Emmanuel

(Do livro: Fonte Viva - Francisco C. Xavier - Capítulo 92)

NEM CASTIGO, NEM PERDÃO

O espírita encontra na própria fé – o Cristianismo Redivivo – estímulos novos para viver com alegria, pois, com ele, os conceitos fundamentais da existência recebem sopros poderosos de renovação.


A Terra não é prisão de sofrimento eterno.

É escola abençoada das almas.

A felicidade não é miragem do porvir.

É realidade de hoje.

A dor não é forjada por outrem.

É criação do próprio espírito.

A virtude não é contentamento futuro.

É júbilo que já existe.

A morte não é santificação automática.

É mudança de trabalho e de clima.

O futuro não é surpresa atordoante.

É consequência dos atos presentes.

O bem não é o conforto do próximo, apenas.

É ajuda a nós mesmos.

Deus é Equidade Soberana, não castiga nem perdoa, mas o ser consciente profere para si mesmo as sentenças de absolvição ou culpa ante as Leis Divinas.

Nossa conduta é o processo, nossa consciência o tribunal.

Não nos esqueçamos, portanto, de que, se a Doutrina Espírita dilata o entendimento da vida, amplia a responsabilidade da criatura.

As raízes das grandes provas irrompem do passado – subsolo da nossa existência –, e, na estrada da evolução, quem sai de uma vida entra em outra, porque berço e túmulo são, simultaneamente, entradas e saídas em planos de Vida Eterna.

André Luiz

(Do livro: O Espírito da Verdade - Francisco C. Xavier/Waldo Vieira - FEB)

VIGIEMOS E OREMOS

“Vigiai e orai, para não cairdes em tentação!” - Jesus (Mateus, 26:41.)


As mais terríveis tentações decorrem do fundo sombrio de nossa individualidade, assim como lodo mais intenso, capaz de tisnar o lago, procede do seu próprio seio.

Renascemos na Terra com as forças desequilibradas do nosso pretérito para as tarefas do reajuste.

Nas raízes de nossas tendências, encontramos as mais vivas sugestões de inferioridade. Nas íntimas relações com os nossos parentes, somos surpreendidos pelos mais fortes motivos de discórdia e luta.

Em nós mesmos podemos exercitar o bom ânimo e a paciência, a fé e a humildade. Em contato com os afetos mais próximos, temos copioso material de aprendizado para fixar em nossa vida os valores da boa-vontade e do perdão, da fraternidade pura e do bem incessante.

Não te proponhas, desse modo, atravessar o mundo, sem tentações. Elas nascem contigo, assomam de ti mesmo e alimentam-se de ti, quando não as combates, dedicadamente, qual o lavrador sempre disposto a cooperar com a terra da qual precisa extrair as boas sementes.

Caminhar do berço ao túmulo, sob as marteladas da tentação, é natural. Afrontar obstáculos, sofrer provações, tolerar antipatias gratuitas e atravessar tormentas de lágrimas são vicissitudes lógicas da experiência humana.

Entretanto, lembremo-nos do ensinamento do Mestre, vigiando e orando, para não sucumbirmos às tentações, de vez que mais vale chorar sob os aguilhões da resistência que sorrir sob os narcóticos da queda.

EMMANUEL

(Do livro: FONTE VIVA – 110 – Francisco Cândido Xavier – FEB)

TÍTULOS

Os títulos que exornam a personalidade terrestre decorrem de concessões do Senhor, sem que lhes possamos menoscabar a respeitabilidade inconteste.

Não fosse a hierarquia natural que lhes preside os valores a governança dos povos não teria ultrapassado a barbárie; a ciência não se erigiria em tutora da civilização; o trabalho não poderia dignificar-se nos quadros do mérito e a universidade não surgiria entre as nações, orientando-lhes o passo, na direção da Vida Maior, tanto quanto a justiça terrena, ainda que incompleta ou fragmentária, não asseguraria o socorro da ordem nos caminhos do mundo, que não passaria, então, de pousada inóspita de selvageria no caos.

Todos os títulos que enobrecem o homem e a coletividade são oportunidades de serviço que devemos honrar na faixa de ação a que fomos chamados para aprender e servir.

Não é pois, a fortuna que deslustra o seu detentor, mas sim a desmedida ambição com que as mãos cobiçosas se apropriam do ouro.

Não é o poder público que desfigura aquele que o mantém, muitas vezes, com sacrifício. É a crueldade, com que, em certos casos, vem a ser exercido pela inteligência insensata que o maneja à distância da verdadeira equidade.

Recordemos que em todas as circunstâncias da vida, constituam-se elas de abastança ou de carência, de comando ou subalternidade, compete-nos a obrigação de usar os empréstimos do Senhor com respeitosa humildade, empregando-os no bem de todos que é o bem de nós mesmos, enobrecendo o caminho humano e iluminando-o onde estivermos na certeza de que o título é matrícula no trabalho da Humanidade e do próprio Deus, porquanto, no painel mais simples da senda cotidiana, recebe, o espírito encarnado, o título de homem como degrau primário de introdução à Cidadania Celeste.

EMMANUEL

(Do livro: Linha Duzentos – Capítulo 17 – Francisco Cândido Xavier)



GUARDAI-VOS DOS CÃES

“Guardai-vos dos cães.” - Paulo (FILIPENSES, 3:2)

Somos imensa caravana de seres, na estrada evolutiva, a movimentar-se, sob o olhar do Divino Pastor, em demanda de esferas mais altas.

Em verdade, se prosseguimos caminho a fora, magnetizados pelo devotamento do Condutor Divino, inegavelmente somos também assediados pelos cães da ignorância, da perversidade, da má-fé.

Referindo-se a cães, Paulo de Tarso não mentalizava o animal amigo, símbolo de ternura e fidelidade, após a domesticação. Reportava-se aos cães selvagens, impulsivos e ferozes. No rebanho humano, encontraremos sempre criaturas que os personificam. São os adversários sistemáticos do bem.

Atassalham reputações dignas.

Estimam a maledicência.

Exercitam a crueldade.

Sentem prazer com a imposição tirânica que lhes é própria.

Desfazem a conceituação elevada e santificante da vida.

Desarticulam o serviço dos corações bem intencionados.

Atiram-se, desvairadamente, à substância das obras construtivas, procurando consumi-las ou perverte-las.

Vomitam impropérios e calúnias.

Gritam, levianos, que o mal permanece vitorioso, que a sombra venceu, que a miséria consolidou o seu domínio na Terra, perturbando a paz dos servos operosos e fiéis.

E, quando o micróbio do ódio ou da cólera lhes excita a desesperação, ai daqueles que se aproximam, generosos e confiantes.

É para esse gênero de irmãos que Paulo solicita de nós outros a conjugação do verbo guardar. Para eles, pobres prisioneiros da incompreensão e da ignorância, resta somente o processo educativo, no qual podemos cooperar com amor, competindo-nos reconhecer, contudo, que esse recurso de domesticação procede originariamente de Deus.

EMMANUEL

(Do livro “Fonte Viva” - Capítulo 145 – Francisco Cândido Xavier, FEB)

PROFESSORES DIFERENTES

Entre familiares e amigos, encontras, na Terra, a oficina do teu burilamento.


Com raras exceções, todos apresentam problemas a resolver.

Problemas na emoção e no pensamento.

Problemas na palavra e na ação.

Problemas no lar e no trabalho.

Problemas no caminho e nas relações.

Prossegues, assim, junto deles, como quem respira ao pé de múltiplos instrutores num instituto de ensino.

Muitos reclamam trabalho, lecionando-te paciência, enquanto outros te ferem a sensibilidade, diplomando-te em sacrifício. Há os que te escandalizam incessantemen¬te, adestrando-te em piedade, e aqueles que te golpeiam a alma, com as lâminas invisíveis da ingratidão, para que aprendas a perdoar.

E as lições vão surgindo, à maneira de testes inevitáveis.

Agora, é o esposo que deserta, dobrando-te a carga de obrigações, ou, noutras circunstâncias, é a esposa que se rebela aos compromissos, agoniando-te as horas... Hoje, ainda, são os pais que te contrariam as esperanças, os filhos que te aniquilam os sonhos ou os amigos que se transformam em duros entraves no serviço a fazer.

Nenhum problema, entretanto, aparece ao acaso, e, por isso, é imperioso te armes de amor para a luta íntima.

Fugir da dificuldade é, muitas vezes, a idéia que te nasce como sendo o melhor remédio. Semelhante atitude, porém, seria o mesmo que debandar, menosprezando as exigências da educação.

Carrega, pois, com serenidade e valor o fardo de aflições que o pretérito te situa nos ombros, convicto de que os associados complexos do destino são antigos par¬ceiros de tuas experiências, a repontarem do caminho, solicitando contas e acertos.

Seja qual for o ensinamento de que se façam intérpretes, roga à Sabedoria Divina te inspire a conduta, a fim de que não percas o merecimento da escola a que a vida te conduziu.

Ainda mesmo em lágrimas, lê, sem revolta, no livro do coração, as páginas de dor que te imponham, ofertando-lhes por resposta as equações do amor puro, em forma de tolerância e bondade, auxílio e compreensão.

Recorda que o próprio Cristo, sem débito algum, transitou, cada dia, na Terra, entre esses professores diferentes do espírito. E, solucionando, na base da hu¬mildade, os problemas que recebia na atitude e no comportamento de cada um, submeteu-se, a sós, à prova final da suprema renúncia, à qual igualmente te submeterás, um dia, na conquista da própria sublimação — o único meio de te elevares ao clima glorioso dos companheiros já redimidos que te aguardam, vitoriosos, nas eminências da Espiritualidade.

Emmanuel

(Religião dos Espíritos – Francsico Cândido Xavier – FEB)



ESTAMOS DE VOLTA!

Olá amigo de ideal espírita, depois de um período, retornamos com nosso estudo de livros espíritas. Agora em novo formato e muito mais inter...