terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Nas Fronteiras da Loucura - Terceira Parte

Nas fronteiras da loucura

Terceira parte

Reunião: 29/11/2017

11. EFEITOS DAS DROGAS

“Morrer nem sempre significa libertar-se.”

“A morte é orgânica, mas a libertação é de natureza espiritual.”

Depois do acidente os pacientes foram colocados em recinto especial para sonoterapia por algumas horas.

Manoel Philomeno nos informa que a falta de preparo espiritual da maioria das pessoas para a breve existência corporal acarreta desequilíbrio; assim, quando os familiares tomassem conhecimento do infortúnio ficariam aflitos, e atrairiam os recém desencarnados que se encontravam em condições delicadas.

“A lamentação e os impropérios, que a ausência de segurança religiosa, a par da angustia enlouquecedora e da revolta, promovendo cenas que poderiam ser evitadas, produzem, no Espírito recém-libertado, maior soma de desconforto, porquanto, atravessando momentos de alta sensibilidade psíquica, automática vinculação ao corpo sem vida e a família, as atitudes referidas transformam-se em chuvas de fagulhas comburentes que os atingem, ferindo-os ou dando-lhes a sensação de ácidos que os corroem por dentro.”

Quando chamados desejam atender, mas não conseguem fazê-lo, daí experimentam enormes dores e desesperos morais que os dominam.

Nos primeiros períodos, após a morte física, a misericórdia Divina faz com que adormeçam, pois não conseguem repousar por conta dos apelos exagerados dos familiares.
“E quando logram adormecer, não raro, porque não souberam dignificar os tesouros da vida com consequente preparação para a viagem inadiável, estando com a mente em desalinho pelo choque da desencarnação, debatem-se em pesadelos afligentes, que são liberação de imagens perturbadoras das zonas profundas do inconsciente...”

“Para uma reencarnação completar-se, desde o primeiro instante quando da fecundação, transcorrem anos que se alargam pela primeira infância. É natural que a desencarnação necessite de tempo suficiente para que o Espírito se desimpregne dos fluidos mais grosseiros, nos quais esteve mergulhado...”

Quando a desencarnação é de uma forma muito violenta, mata somente os despojos físicos, nunca significa libertação do ser espiritual.

Quando a pessoa está há muito tempo enferma, e suporta com resignação, aos poucos o períspirito vai se libertando da matéria, molécula a molécula, até a extinção do fluido vital.

“O Espírito tem tempo de pensar nas lídimas realidades da vida, desapegar-se das pessoas, paixões e coisas, pensar com mais propriedade no que o aguarda, depois do corpo, movimentando o pensamento em círculos superiores de aspirações.”

Philomeno nos diz que quando recordamos dos familiares que já partiram, ocorre uma revinculação pelos fios delicados das lembranças, e eles recebendo inspiração e auxilio para o desprendimento do organismo fisiológico.

“As dores morais bem aceitas facultam aspirações e anseios de paz noutras dimensões, diluindo as forças constritoras que o atam ao mundo das formas.”
“O conhecimento dos objetivos da reencarnação, o comportamento correto no exercício das funções físicas contribuem, também, para a desimantação, quando do fenômeno da morte.”

“Com essas colocações não se pretende transformar a vida num sofrer sem esperanças, num renunciar sem limites, longe da alegria e do concurso da paz.”
O tempo no corpo tem finalidade educativa, para que limpemos nossas mazelas, diminuindo nossas imperfeições, para o aprimoramento de novos ideais.
Devemos perceber que não reencarnamos para o prazer e a inutilidade.

“O Espírito é, no Além, o somatório das suas experiências vividas.”

Dessa forma, o grupo esperava que aquelas providências reduzissem o sofrimentos dos jovens recém libertos.

A primeira iniciativa, para que não fossem vítimas dos vampiros, usurpadores de força, constituía uma enorme conquista.

D. Ruth, avó de Fábio, que solicitou o auxílio do grupo de Benfeitores, foi informada por Manoel Philomeno do amparo recebido.

Ela amava muito o neto e pelo pensamento estava sempre vinculada a ele; quando tentou auxiliar o grupo, pois previu o desastre e não obteve resultados, pôs-se a orar, desligou-se mentalmente e solicitou ajuda do Posto Central, dedicado ao socorro de encarnados e desencarnados naquela noite.

“Os aparelhos seletores de preces e rogativas registram o apelo, e um sinal, na sala de controle, deu a notícia da gravidade e urgência da solicitação. Decodificado, imediatamente, pelos encarregados de tradução das mensagens...”
Philomeno reflexionava como era importante o trabalho do Centro de Comunicações e a captação e seleção dos atendimentos aos necessitados.

D. Angélica havia feito a rogativa pela filha, Julinda, a solicitação foi recebida e encaminhada ao Dr. Bezerra e, essa visita inicial dera início a outras tarefas que viriam posteriormente.

“Compreendi, a partir de então, que o intercambio mental, lúcido, não é tão corriqueiro, especialmente em campo de ação do porte em que nos movimentávamos sob as fortes descargas psíquicas do mais baixo teor.”

D. Ruth, falou um pouco sobre sua última encarnação e os vínculos que a mantinham presa ao neto adormecido: em encarnação anterior ele fora seu filho e possuía enorme prestígio social e político, responsabilizou-se por graves e desditosos acontecimentos.

Despertou ódios, quando poderia estimular o amor; semeou dores, possuindo meios de fazer bênçãos; foi servido, mas nunca serviu.

Ela, como mãe o aconselhou de todas as formas, mas não fora ouvida; ela reconhecia que lhe dera uma educação sem disciplina – está que forma melhor qualquer pessoa – para as funções que lhe eram reservadas...

Aos 40 anos ela desencarnara por alguns abusos que cometera, na condição de suicida indireto; estagiou em redutos de sombra e dor, na Erraticidade inferior.

Terminada a tarefa, suportada com disciplina e brandura pelas ações de merecimento a que se entregava, ela pôde usufruir de paz, mas experimentava o sofrimento pelo que sucedia ao filho.

Esforçou-se e trabalhou com sacrifício para resgatá-lo do sofrimento que se encontrava, para que pudesse receber tratamento, onde ele se exercitou e predispôs-se ao trabalho edificante.

“A reencarnação fazia-se indispensável para atenuar-lhe as faltas e amortecer as impressões mais duradouras, remanescentes dos sítios em que se detivera por quase 30 anos.”

Pelos títulos morais que tinha, D. Ruth conseguiu reencarnar e Fábio retornaria como seu neto querido.

Fábio reencarnou com pais afetuosos, que estavam interligados em sua vida pretérita, como coautores de seus deslizes e agora, retornavam, ambos, pais e filho de necessitando de desenvolvimento moral.

Cumprida sua tarefa essencial, para qual reencarnou, D. Ruth, retornou ao plano espiritual, há 10 anos aproximadamente, deixando Fábio em infância plena de promessas.
D. Ruth ainda acrescenta:
“A morte, nestas circunstancias, constitui impositivo da Lei, que ele não soube evitar, significando imperioso resgate das antigas faltas que culminaram em suicídio indireto.”
“A dor, que os pais experimentarão a partir de agora, significa a presença da justiça alcançando-os, em razão da conivência passada, de alguma forma responsáveis que foram nos erros que ele perpetrara e nos quais também se comprometeram.”

“Ninguém dilapida os dons de Deus, permanecendo livre da reparação.”

Nesse momento Dr. Bezerra chega para visitar os jovens em repouso. Ele examinou o motorista e não teve dúvidas em afirmar que o jovem buscava o acidente, porque se permitiu o uso de drogas e a direção do veículo.
Começou a examinar o períspirito do jovem e verificou a área de reflexos e ações motoras, que estavam bloqueadas pela excitação provocada pelas anfetaminas utilizadas de forma venenosa, que com o tempo provocaria paralisia irreversível.
“As drogas liberam componentes tóxicos que impregnam as delicadas engrenagens do períspirito, atingindo-o por largo tempo. Muitas vezes, esse modelador de formas, imprime nas futuras organizações fisiológicas lesões e mutilações que são o resultado dos tóxicos de que se encharcou em existência pregressa.”

“De ação prolongada, a dependência que gera, desarticula o discernimento e interrompe os comandos do centro da vontade, tornando os seus usuários verdadeiros farrapos humanos, que abdicam de tudo por uma dose, até a consumpção total, que prossegue, depois da morte...”

“Além de facilitar obsessões cruéis, atingem os mecanismos da memória, bloqueando os seus arquivos e se imiscuem nas sinapses cerebrais, respondendo por danos irreparáveis.”
Toda essa viciação fica registrada no períspirito em ação corrosiva e o reestabelecimento ocorrerá através das reencarnações, para reequilibrar o que foi maltratado.

Dr. Bezerra diz que o jovem motorista estava habituado ao uso de fortes tóxicos, que danificaram seu períspirito.

Ele continuou observando os outros jovens... informou que Fábio estava sendo iniciado nas drogas, havia experimentado maconha, mas agora fazia uso de anfetaminas perigosas. Verificou a região cerebral correspondente em seu corpo espiritual e percebeu-se o entorpecimento.

“Eis porque não sintonizou com a interferência psíquica da irmã Ruth.”

Felizmente, não se intoxicou tanto para corroer seu períspirito profundamente, com menos responsabilidade negativa e em condições de ser melhor auxiliado.

Dr. Bezerra termina a visita pedindo a confiança em Deus e que os jovens continuassem em repouso, recebendo a terapia de passe de hora em hora, para que suportassem a vibração mental dos parentes ao receberem as notícias.

Bezerra convida todos para a oração coletiva no Posto Central com irradiação pelos subpostos. Era terça-feira de carnaval, seis da manhã.

 Resumo elaborado por Maria Fernanda Ribeiro. Favor manter o crédito.

12.DESPERTAMENTO EM OUTRA REALIDADE

Acompanhado de assessores e auxiliares, o Dr. Bezerra orou, saudando nova oportunidade e agradecendo ao Senhor da Vida. No posto de Socorro, durante da prece, diamantina claridade envolvente irradiava do mensageiro, vitalizando-os para os trabalhos que viriam.
Horas depois, Bezerra foi procurado pela Irmã Melide, informando que no antigo lar de sua neta Ermance a angustia se instalara.

Os jovens amigos de Ermance após horas de procura e não tendo encontrada a amiga, foram à sua casa para informar aos pais do ocorrido. Tentaram tranquiliza-los, alegando que a mesma não estava só quando, num momento de distração, o grupo foi separado pela multidão.

O argumento ao invés de acalmá-los, mais os inquietou, considerando que a filha não se permitia a leviandades.

Ao amanhecer, os pais foram a Delegacia Central. As 9hs horas o corpo de Ermance foi encontrado e encaminhado para necropsia e posterior identificação. O Pai chegando ao necrotério, reconheceu a filha e grande aflição se abateu sobre ele.

A Irmã Melide conta que o genro chegou ao lar transpassado de dor e, não podendo ocultar da esposa o ocorrido, apesar do grande esforço feito para diminuir o sofrimento da esposa.
A filha de Melide foi acometida de pânico e deixou-se abater em terrível desespero.

Um médico foi chamado para dá-lhe assistência, ministrando sedativos. Irmã Melide procurou falar-lhe e imprimir animo e submissão ante o infortúnio.

Após relato da irmã Melide, Dr. Bezerra propôs que fossem ver Ermance.
Chegando próximo ao leito de Ermance, o enfermeiro informou-os que subitamente a paciente começou a dar sinais de inquietação.

Dr. Bezerra aplicou-lhe recursos fluídicos e informou à irmã Melide que se fazia necessário despertá-la para o primeiro encontro com a realidade, de modo a interromper a comunicação com o lar, de onde vinham pungentes apelos, fazendo-a reviver as cenas que culminaram com a desencarnação.

Foram aplicados recursos fluídicos para que fossem dispersados os fluidos soníferos. Ermance despertou um pouco aturdida, com sinais de disritmia cardíaca.

Pálida, com a respiração ofegante e em meio a tênue névoa visualizou a querida avó próxima ao seu leito. Surpresa, embora demonstrasse fraqueza orgânica, estendeu os braços e falou: “Deus Meu!... Estou sonhando... Vovó querida, ajude-me!...”

Melide aproximou-se, envolvendo-a em seus braços com infinita ternura. Ermance queixou-se, dizendo que tinha sido raptada e queriam matá-la.

A avó, disse-lhe: "O rapto não se consumou, meu bem. Tudo está bem. Estamos juntas. Você voltará para casa logo mais”.

A avó pede que se acalme e se lembre da oração".  Mais calma, Ermance  pergunta: "Estou sonhando com você, vovó? Que bom!".

A avó respondeu: "De certo modo, você está despertando de um sonho demorado no corpo, a fim de adentrar-se na realidade maior da vida...".

 Assustando-se, Ermance disse: "Digo sonho, porque você já morreu...".

E o dialogo continuou, onde a avó carinhosamente, ia esclarecendo de forma didática sobre a morte e a verdadeira vida espiritual.

Diz que agora elas ficariam juntas, respirando novo ar, longe da doença, do medo, da aflição, viva e sob o carinhoso amparo de Deus. Ermance diz que não quer morrer e avó responde que ela está livre, viva e já tinha vencido a morte.

Ermance deseja retornar para a casa dos pais. Melide diz que elas iriam juntas, que tudo estava bem e que Deus jamais desampara seus filhos.

Sob a carinhosa assistência da avó, Ermance adormeceu. O sono era entrecortado de soluços.

Dr. Bezerra começou a aplicar-lhe energias sedativas, que anestesiaram o Espírito, protegendo-o dos sofrimentos e dos fortes apelos que durante um tempo chegariam dos pais, que foram duramente atingidos pela perda da filha.

Logo após, o Dr. Bezerra e sua equipe foram à casa da família, seguindo para a capela onde o corpo de Ermance era velado, auxiliando-os e infundindo-lhes ânimo e fortalecendo-os para os testemunhos purificadores.

Graças à vigilância de Melide e de outros cooperadores do grupo, o corpo da jovem, desde a hora da consumação do crime, não foi vampirizado por Espíritos inditosos.

Retornando a sede, Philomeno foi convidado a acompanhar o processo de adaptação dos jovens acidentados. Agenor comunicou-os da retirada do veiculo do mangue e a condução dos corpos para o necrotério.

Durante a autópsia, observaram que os Espíritos, mesmo distanciados dos corpos, retratavam as ocorrências que os afetavam. O motorista, por ser incurso em maior responsabilidade, manteve-se em sono agitado por todo o tempo e, devido os fortes vínculos com a matéria, experimentava as dores que lhe advinham da necropsia.

Recordemos que se encontrava sob o amparo do Pai, todavia não estava isento da responsabilidade pelos erros cometidos na juventude!

Em necropsias muitos Espíritos que se deixaram dominar pelos apetites grosseiros enlouquecem de dor, demorando-se sob os efeitos lentos do processo a que foram submetidos o corpo físico.

Deste modo apesar de todos terem desencarnados juntos, no mesmo momento, cada um experimentava sensações de acordo com os títulos que conduziam, de beneficência e amor, de extravagância e truculência.

As autopsias demoraram mais de uma hora e durante o processo, a assistência do bem procurou diminuir os sofrimentos dos recém-chegados.

Por ser menos comprometido, Fabio recebeu mais alta dose de anestésico, algo liberado das dores carnais que os outros, em maior como em menor escala, haviam sofrido.

Passada essa fase, retornaram ao sono, embora em agitação.

Entre a hora do reconhecimento e traslado dos corpos pelos familiares, o grupo do Dr. Bezerra pôde acompanhar o despertar de quase todos, sob os duros apelos de pais e irmãos.

Amavelmente o Dr. Bezerra explicou:

"As nossas providências de socorro não geram clima de privilégio, nem protecionismo injustificável. Cada um respira a psicosfera que gera no campo mental. Todos somos as aspirações que cultivamos, os labores que produzimos.

O Senhor recomendou-nos dar a quem pede, abrir a quem bate, facultar a quem busca, dentro das possibilidades de merecimento dos que recorrem ao auxílio. (...)

Quando albergamos os nossos jovens, na condição de humildes cireneus, objetivamos ampará-los da agressão perniciosa das Entidades vulgares, portadoras de sentimentos impermeáveis à compaixão e à misericórdia... Mercê de Deus, conseguimos o tentame. A cruz, porém, é intransferível, de cada qual. Podemos ajudar a diminuir-lhe o peso, não a transferi-la de ombros".

Podiam observar que rápidas flechadas de forte teor vibratório alcançavam os rapazes.

O motorista subitamente apresentou uma fácies de loucura. Levantou-se trêmulo, emitindo palavras desconexas e, envolto pelo fio de densa energia, pereceu sugado, desaparecendo, indo atender aos que o chamavam, cuja, a sintonia vibratória era a mesma.

A Polícia informou à família que ele havia ingerido alta dose de drogas, sendo o responsável pelo acidente. Os pais ficaram magoados e revoltados.

Logo depois, mais dois se evadiram do local de amparo obedecendo ao impositivo evangélico: “Onde estiver o tesouro, aí estará o seu coração”.

Fábio e outro amigo por não se encontrarem muito comprometidos com os vícios e pertencerem a famílias mais estruturadas e dignas foram poupados à presença do corpo físico, não tendo que assistir a cenas fortes que se desenrolaram antes e durante o sepultamento.

“Desperta-se, cada dia, com os recursos morais com que se repousa à noite.

Além do corpo, cada Espírito acorda conforme o amanhecer que preparou para si mesmo”.

Resumo elaborado por Francisca Passos. Favor manter o crédito.


13. EXPERIÊNCIAS NOVAS

Durante todo o período do Carnaval, comportamentos morais se alteraram, distúrbios afetivos surgiram, assim como perdas financeiras. O homem em tronca do descanso  da mente, destroem a vida, causam desordem, fogem das responsabilidades e, desta forma, se frustam porque não encontram a paz desejada.

Naquele último dia de Carnaval o trabalho era intenso. Um grande número de desencarnados eram recolhidos em estado lastimável, arrependidos, despertavam para outros valores. O ser é artífice do seu destino, sendo feliz ou não de acordo com as suas escolhas.

A tarde o grupo foi solicitado a ajudar o irmão Artur, médico que trabalhava na esfera espiritual. Durante a sua encarnação, foi um médico filantrópico dedicado à clínica geral, era bondoso e viveu com dignidade. Deixara uma viúva e uma filha adolescente. Apesar de seu esforço contínuo, não conseguiu ajudar na evolução moral da esposa. Ela era exigente e ambiciosa, e durante as crises amaldiçoava o marido. 

A filha sofria pois não podia ter lembranças do pai. Aos dezoito anos, ela casou com um jovem por quem tinha pouca afeição e foram morar com a mãe, devido aos poucos recursos.
Arthur, emocionado, comunicou ao grupo que a sua filha havia tentado o suicídio. Então, o grupo se deslocou para o centro cirúrgico do Hospital Sousa Aguiar.

No centro cirúrgico ela estava passando por uma parada cardíaca, seu espírito estava quase totalmente desprendido do corpo, em agitação, sob domínio de seu obsessor.
O obsessor gritava para ela que já que desejará morrer, assim seria.

A partir do momento em que o obsessor visualizou o Dr. Bezerra de Menezes, ele disse que Noemi lhe pertencia, pois ela veio espontaneamente.

Dr. Bezerra, sereno, respondeu:  "Não sou eu quem te tomará o ser que amesqui- nhas, senão o Nosso Pai, Senhor do todos nós. A hora não é chegada para que ela retorne. Desse modo, se a reténs, serás o responsável pelo crime de homicídio consciente... Além do mais, o acontecimento será como quer o Criador e não como desejamos nós. Esta é a tua vez de ceder..." 

O obsessor disse que não cederia, que se ele quisesse teria que tomá-la dele.
Dr.Bezerra colocou-se em prece, ao mesmo tempo em que Artur semi-incorporava no medico que aplicava a primeira descarga elétrica no coração de Noemi.

À medida em que Dr. Bezerra se concentrava, ele passava a irradiar uma poderosa luz do seu plexo solar, enchendo o ambiente de luz.  Então, ele disse que em nome de Deus ele devolvesse a jovem o seu corpo.

O carrasco paralisado e sem compreender o que ocorria, soltou o espírito, que retornou de forma abrupta ao seu corpo. O coração voltou a pulsar e Artur chorou comovido.

Dr. Bezerra esclareceu: "A vida é patrimônio de Deus e todos nos encontramos situados nela com propósitos superiores que nos estão reservados. Todos conduzimos enganos lastimáveis, que são frutos da nossa ignorância, igualando-nos, de certo modo, nos erros e diferenciando-nos nos acertos.” 

"A sua anuência, meu amigo, é abençoado acerto, que lhe descerra oportunidade nova, de que todos podemos gozar. O bem é inexaurível nascente, que flui sem cessar, sempre melhor para quem o distende aos outros."

O silêncio se fez entre todos. Então, surgiu uma menina que desencarnara com oito anos de idade acompanhada de uma venerada Entidade, e gritou: - Papai! Paizinho, meu paizinho!... E abraçou o pai.

O pai aos prantos abraçou a filhinha e a anciã, que era a sua mãe. Todos ficaram emocionamos.
Noemi, anestesiada, foi transferida para o CTI. E, a pedido da genitora, o seu filho foi transferido para o Posto de Socorro, para o tratamento inicial, antes de ir para outra Estância. Ali mesmo, ele recebeu passes desintoxicantes, adormecendo. 

Quando Dr. Bezerra foi avisado da tentativa de suicídio de Noemi, ele fez uma consulta aos Centros de Informação a respeito do motivo da obsessão, quem se encontrava envolvido e como alcançá-lo. Mensageiros providenciaram a vinda de familiares do perseguidor.

Philomeno  perguntou ao benfeitor o que aconteceria se o obsessor persistisse no erro. 

Dr. Bezerra esclareceu que não há força que supere o Amor. Através da oração, recebemos a resposta superior do Céu, fazendo o irmão recordar o rapto da própria filha.

Desta forma, o amor que nele estava preso devido à revolta, libertou-se e sintonizou com os familiares queridos. Por várias vezes, elas tentaram alcançá-lo, porém ele estava fechado em si mesmo. " Se a pessoa não se volta, não se descerra para o bem, deixando-se permeabilizar, fica atrofiada nos sentimentos nobres, deambulando nas faixas inferiores, sem que os registros captem os apelos mais elevados que lhe chegam. "

"Não esqueçamos do ensino sempre atual de Jesus: - Pedi e dar-se-vos-á... É necessário pedir, saber fazê-lo e esperar com receptividade." 

Noemi iria sobreviver. Deus seja louvado!

Resumo elaborado por Débora Loures. Favor manter os créditos.


14. O DRAMA DE NOEMI

Neste capítulo, observa-se os tentáculos do destino que envolvem os atores deste drama. O irmão Artur constatou que sua filha, a quase suicida, só teria sua saúde recuperada a longo prazo; sua então viúva e o genro, Cândido, acompanhavam o desenrolar do ocorrido, aliás, fora Cândido que primeiro socorreu sua mulher, Noemi, que cometera o tresloucado gesto após as discussões domésticas que se tornaram, de certo modo, habituais. Na verdade, o último atrito se deu por motivos muito mais graves. Senão vejamos:

- Os responsáveis pelo ato de Noemi foram sua mãe, Enalda, e o marido de Noemi, Cândido. Artur descreveu-a como uma mulher imatura, no que concerne aos compromissos nobres, sonhadora com os prazeres extenuantes a que gostaria de se entregar, pouco se importando com as consequências que adviessem. Durante a vida terrena, ele procurou esforçar-se para atender seus anseios, mas não conseguiu. Quando desencarnou subitamente, Enalda pareceu libertar-se de sua vigília.

Após um respeitável silencio, prosseguiu dizendo que a formação religiosa da então família, formou-se mais por praxe do que por convicção e sentimento, praticando o culto sem aprofundamento nas lições que ouviam. Ele próprio confessou a dificuldade que tinha em aceitar racionalmente os postulados da doutrina, chegando até a repugnar-se com a filosofia do dogma, com a fé cega. Como afeiçoara-se com o exercício da medicina, não se afligiu com o que não concordava com a religião; seu comportamento era coerente com o mandamento maior, o primeiro, que diz: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Para ele, a frase sintetizava a Lei, e os seus profetas, sendo a base dos ensinos morais de Jesus Cristo; aceitava, sem discutir, a imortalidade da alma. Enalda, a viúva, aceitava a doutrina indiferente, sem qualquer compromisso; a filha, por sua vez possuía uma estrutura espiritual frágil.

Novamente o narrador interrompeu-se.
Após, serenamente, continuou. O matrimonio de Noemi e Candido não constava do processo regenerador... sentindo-se desamada no lar, um tanto só e carente, acabou transferindo a afetividade para um jovem igualmente irresponsável, sendo que este acabou atraindo a atenção e o fascínio da sogra – Enalda. Passados os primeiros meses do casamento, as discussões principiaram pelas mínimas coisas e Candido tinha o apoio da...sogra, cada vez mais fascinada. Quase 20 anos separavam Enalda, a sogra, de Candido, o genro, mas não foram impeditivos para um romance.

Na sua narrativa, Artur deixava claro que a dor que sentia fosse por ciúme ou frustação. Como desencarnado, procurava amparar os três necessitados de socorro e compaixão. A bem da verdade Noemi estava atenta ao procedimento de seu marido e de sua mãe, e daí para o ciúme e vingança...foi um passo.

Ocorre que Noemi também possuía débitos no pretérito e seu pai, Artur, cunhou a seguinte frase: - “Como sabemos, somente sucedem obsessões, porque existem endividados.”
Resulta que todo obsessor por mais insensível e cruel, é somente alguém doente que se viu traído e não tem sabido ou querido superar-se.

Continuou o narrador: “Essa é a conexão entre ele e Noemi”; pude ainda conversar com minha filha na esfera dos sonhos, demonstrando que as vítimas são sempre mais felizes, senão hoje, mais tarde, e de que Candido, jovem frívolo que é, brevemente mudaria de atitude em relação a Enalda.

Noemi retrucou e falou em “dura vingança para lavar-lhe a honra ultrajada pelo esposo e pela mãe”, ao que o narrador apresentou-lhe a vingança em termos de perdão, sugerindo-lhe ainda uma viagem e na volta desta, uma via com mais simplicidade, apenas com a TUTELA DE DEUS.

Ela chorou muito e quando despertou falou com o marido sobre a viagem; este não aceitou, principalmente pelo período carnavalesco, o que ensejou nela a armação de uma cilada.
Planejou visitar amigos e só retornar após o almoço, deixando os dois livres para os seus jogos amorosos. Dito e feito. Ficou apenas um quarto de hora no hall do edifício e retornou ao apartamento, sorrateira; nem é preciso detalhar o resultado...o marido ainda a esbofeteou e ela correu para o banheiro, trancou-se e tentou seccionar as veias. O pobre pai resolveu recorrer ao Dr. Bezerra, que, por sua vez, concordou com a atitude de confiança vivida pelo irmão Artur agradecendo-lhe a gentileza da narração dos fatos, reafirmando o prosseguimento de ajuda a Noemi, a filha enferma, e liberou o pai afetuoso; disse mais, que a preocupação atual deveria cingir-se ao restabelecimento de Noemi e, acima de tudo, confiar em Jesus.

Resumo elaborado por Adilson Ferreira. Favor manter o crédito.

15- Recordando vidas passadas

A tentativa de cortar o nervo do braço esquerdo deixaria sequelas em Noemi. Embora as tristezas do dia estivessem na mente do autor espiritual, ele foi capaz de ponderar que em todas as tragédias havia a interferência do amor. Tudo em a Natureza convida à paz e o amor, pena que o homem prefira os tormentos internos.

Miranda se recordou que esteve com o benfeitor em um desfile de fantasia  luxuoso no dia anterior.Em meio às pedrarias, penas e vaidades, espíritos de aspecto bestial e lupino estavam em perfeita vampirização de tal forma que era difícil dissociar o parasita do hospeiro. As indumentárias de reis, rainhas, que consumiram dinheiro e tempo para serem executadas, fariam inveja àqueles a quem copiavam se não fossem falsas. Alguns dos fantasiados, que usam hoje imitações dos trajes antigos, são as próprias personagens, imitando com dedicação a situação que indignificaram quando a exerciam, repetindo textos do drama da vida, em situações ridículas. Ainda sim são merecedores de compreensão, afeto e piedade de todos nós.

O mentor relatou que muitos estudiosos da reencarnação matem ilusões acerca das vivências passadas e gastam seu tempo no passado desperdiçando a oportunidade do presente. Não querem se dar conta que se viverão personagens célebres e ainda permanecem na Terra é porque faliram por ambição, vaidade, desrespeito.  Quando se confirma uma existência anterior o objetivo é a reparação urgente e não a vaidade.

“Jesus escolheu os andrajos modestos, os convívios da dor e do sofrimento humano, as situações do proletariado sem esperança para dignificar a ascensão das almas que se retemperam nos testemunhos da pobreza e da simplicidade. ..”

Ao entrar o primeiro candidato emocionado, o mentor arrematou: “Guarde-o Jesus, bem assim a todos que aqui estão na sua passeata de ilusão. Por mais que se demore o sonho, será inevitável o acordar.”

“Aprendamos, desse modo, a escolher a boa parte, aquela que não nos será tirada, conforme o ensino do Mestre no dialogo mantido com Marta, no abençoado lar de Betânia...”

Resumo elaborado por Ana Cecília Santos. Favor manter o crédito.

Próxima reunião: 31/1/2018

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